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reportagem

Um homem de coragem

22/8/2004 09:05:47
Por Augusto Nunes
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Antes de eleger-se presidente, Lula vivia criticando a Rede Globo, um dos alvos preferenciais de seus espasmos de ferocidade retórica. Se até os repórteres acabavam atingidos por estilhaços, natural que sobrasse para o dono da empresa. Num discurso em Aracaju, afirmou: “O Roberto Marinho não faz outra coisa a não ser mentir para o povo”. Vitorioso na última disputa pelo Planalto, concedeu a primeira entrevista exclusiva ao “Jornal Nacional” e a segunda ao “Fantástico”. Nos meses seguintes, consolidou relações muito amistosas com os sucessores do homem que acusara de mentiroso. Hoje, confere à Globo tratamento especialíssimo. Uma mudança dessas exige coragem. 


 Costumava fustigar com adjetivos grosseiros, alguns infamantes, o presidente José Sarney. Agora vê no atual senador um homem de bem, amigo leal, companheiro dos mais confiáveis. Também qualificou de “ladrão” e “trombadinha” o ex-governador Orestes Quércia, outro bom parceiro neste segundo semestre de 2004. São dois entre tantos exemplos de guinadas corajosas.

Lula considerava ultrajante estabelecer limites de idade para a concessão de aposentadorias. “O governo propõe esse crime porque sabe que pobre morre de fome antes de chegar à velhice”, repetia o falante sindicalista transformado em chefe político. Em 2003, incluiu o limite de idade no seu projeto de reforma da Previdência (e, corajosamente, adicionou outro velho demônio: a taxação dos servidores públicos inativos).

O antigo Lula enquadrava na categoria de “assaltantes” rigorosamente todos os banqueiros. O novo Lula acaba de conferir o cargo de ministro de Estado ao presidente do Banco Central só para evitar investigações sobre Henrique Meirelles quando poderoso executivo do BankBoston. Chefes corajosos não abandonam aliados à própria sorte. Todos merecem o guarda-chuva protetor, sejam banqueiros ou não. (No governo atual, aliás, os lucros das grandes instituições financeiras têm superado recordes sucessivos. Lula já não diz que “é a exploração do suor do povo que enche de dinheiro o rabo dos bancos”.)

“O Fernando Henrique só pensa em avião e em viajar para o exterior”, repetia a cada decolagem do antecessor. Em matéria de milhagem, os números informam que FH vem sendo amplamente ultrapassado por Lula. Que também teve a coragem de comprar um Airbus tinindo de moderno para substituir o Sucatão velho de guerra.

Depois de ter exercido o mandato de deputado federal, preferiu afastar-se do Congresso por calcular que ali havia pelo menos 300 “picaretas”. Certamente não estava pensando em parlamentares com o perfil de uma Heloísa Helena, expulsa há meses do PT por negar-se à vassalagem. É mais provável que a contabilidade de Lula se apoiasse no convívio com certas figuras hoje no comando do PTB ou do PMDB. Essa turma entra sem bater no gabinete presidencial.

Presidente eleito, prometeu pessoalmente à viúva de Toninho do PT que o caso do prefeito de Campinas, assassinado em circunstâncias mal esclarecidas, seria prontamente reaberto. Em recente viagem à cidade, não encontrou tempo para receber a amiga dos velhos tempos. Achou mais corajoso arquivar a promessa e esquecer o crime. Talvez não queira estimular manobras covardes dos que insistem em apurar a história tenebrosa de Celso Daniel, prefeito de Santo André também assassinado.

Sobram exemplos de mudanças que, contempladas com o olhar positivo recomendado pelo ministro Luiz Gushiken, são sintomas de coragem. Assim, chamar de “covardes” os adversários da idéia de instituir o Conselho Nacional de Jornalismo foi apenas formular outra declaração atrevida. O homem já mostrou ter coragem para muito mais. Vem esbanjando audácia, colecionando ousadias.

E nem chegamos à metade do primeiro mandato. Haja paciência.

Fonte: NO MINIMO - www.nominimo.com.br


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