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Data: 20/5/2011

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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais: Cacoal e seu jacaré voador

18/3/2011 07:59:54
taborda@enter-net.com.br
 
  
JACARÉ VOADOR

O aeroporto de Cacoal é uma dessas obras iniciadas há muito tempo e que, a rigor, parece nunca chegar ao fim. Mas agora o tal aeroporto (com a maior pista de pouso e decolagem do estado) deverá funcionar rotineiramente no cumprimento de seu papel. O anúncio foi feito pelo deputado Nilton Capixaba (aquele do escândalo das ambulâncias superfaturadas) através de sua assessoria, garantindo a realização hoje do vôo inaugural da Jacaré Linhas Aéreas, numa rota ligando Porto Velho a Vilhena. O vôo de hoje sairá às 11 horas de Cacoal com destino a Vilhena. O atual aeroporto cacoalense é conseqüência de um projeto de 1990. Apesar de todo o dinheiro torrado naquele aeroporto, ele ainda não tem nem internet e nem telefone fixo. Mas isso deve chegar antes dos 20 anos que durou a sua construção.


RELAÇÃO DE CONFLITO

Não dá para acreditar numa revolta gratuita dos trabalhadores da Usina de Jirau. A Camargo Correia, um dos gigantes responsáveis pela obra que constrói o complexo hidrelétrico do Madeira tenta fazer crer que ela está isenta de culpa e até passa a idéia de ser vítima desse movimento operário, como se ele fosse apenas uma manobra para sabotagem das obras em desenvolvimento.

Não dá para entender como essa gigante consegue tocar uma obra com milhares de operários sem enfrentar a rotina da fiscalização de órgãos que tem por finalidade garantir uma relação de respeito entre o capital e o trabalho. Revolta de operários em obras comandadas pela Camargo Correa, pelo menos em termos de barragens, não é novidade. Isso aconteceu recentemente na usina de Foz do Chapecó e no ano passado aconteceu aqui mesmo, nas obras de Santo Antonio.

As empresas construtoras de Jirau são as mesmas que foram denunciadas em recente relatório de violação de Direitos Humanos, aprovado pelo Governo Federal, que constatou que existe um padrão de violação dos direitos humanos em barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm sido sistematicamente violados na construção de barragens. Os atingidos por barragens e os operários tem sido as principais vítimas.

A empresa Suez, principal acionista de Jirau, é dona da Barragem de Cana Brava, em Goiás, e a Camargo Corrêa é dona da usina de Foz do Chapecó, em Santa Catarina. Essas duas hidrelétricas também foram investigadas pela Comissão Especial de Direitos Humanos em que foi comprovada a violação. Estas empresas tem uma das piores práticas de tratamento com os atingidos pelas barragens e com seus operários.

A revolta dos operários é reflexo desse autoritarismo e da ganância pela acumulação de riqueza através da exploração da natureza e dos trabalhadores. Prova desse autoritarismo e intransigência é que estas empresas se negam a dialogar com os atingidos pela usina e centenas de famílias terão seus direitos negados. As consequências vão muito além disso, pois nesta região se instalou os maiores índices de prostituição e violência de Rondônia.


CASSOL ANTENADO

O senador Ivo Cassol, ex-governador do estado, acertou em cheio ao propor e conseguir aprovar que as obras das usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau sejam fiscalizadas pelo Sanado, através da Comissão de Meio-Ambiente, Controle e Fiscalização da mais importante casa do parlamento brasileiro. Aliás não dá para entender que foi necessário Ivo Cassol chegar ao senado para que essa fiscalização – que deveria ter começado nos anteriores – se tornasse uma realidade.

Os últimos acontecimentos de revolta no canteiro de obras desses consórcios, com barrageiros praticamente tendo de iniciar uma guerra para chamar a atenção da sociedade sobre a situação deplorável a que estavam subjugados é uma das maiores justificativas para a iniciativa do senador que, como poucos, sabe dos erros cometidos, desde o início do projeto, contra o meio-ambiente, contra o povo de Rondônia e até mesmo contra a nossa economia que pouco tem sido beneficiada com esse enorme investimento.

Fala-se de tudo sobre a questão das compensações financeiras. Fala-se que pela falta de controle tem muitos políticos metendo a mão, principalmente através de obras direcionadas e feitas sem a necessária concorrência pública, com preços superfaturados. E ninguém parece interessado nesse tipo de assunto, sobretudo no nível da administração municipal, onde boa parte dessa grana serviu para comprar caminhonetas de luxo e para custear obras capengas em praças públicas sem uma aplicação clara na melhoria da péssima infra-estrutura de transporte, saúde ou segurança.

Segundo informou o senador Cassol, a primeira visita da Comissão de Controle e Fiscalização do Senado acontecerá já no próximo mês. É possível que essa iniciativa acabe estimulando políticos e instituições locais a se mexer no sentido de fazer essas empreiteiras gigantes a agir com mais respeito pelos seus próprios trabalhadores e pelo povo de Rondônia, ponto fim ao sistema de casamata que coloca novamente o nosso estado na mídia nacional de forma negativa.


CEM DIAS DE CONFÚCIO

Estamos nos aproximando dos primeiros 100 dias do governo de Confúcio Moura. Sua vitória garantiu o retorno do PMDB ao governo rondoniense, depois de mais de uma década fora do Palácio Getúlio Vargas. Nos primeiros dias da nova administração as expectativas eram altas. No princípio, diante do meu ceticismo, alguns políticos do PMDB me garantiam que ficaria encantado com os planos e com estilo do novo governador, “que tem um compromisso de intransigência com a honestidade” e com capacidade para fazer do estado um ente mais forte do que na atualidade, mostrando que o novo governador é homem de cumprir promessas.

Bem, estamos chegando aos primeiros 100 dias do governo. E qual foi, neste período, a promessa feita e cumprida pelo novo governador?

Pode até ser que a confiança nesse novo governo esteja num patamar excelente, mas isso pode mudar porque a controvérsia começa a ser o ingrediente principal no meio de maior repercussão política, como soem ser o poder legislativo. Na verdade, nestes primeiros cem dias pouco houve de novidade em termos de governar. O período serviu mais para consolidar uma imagem de um governo que não pretende dar a guinada na administração prometida ao longo da campanha.

O novo governador não conseguiu mostrar ainda se tem um plano estratégico para inserir Rondônia no cenário político e econômico do Brasil. Dizem que a médio prazo o governador Confúcio tem a pretensão de satisfazer o apetite dos movimentos sociais. O que se vê não é bem isso.

O governador está longe de cortar privilégios dos que estão no andar de cima do poder estadual para dar a quem está no andar de baixo. Pelo menos é o que se depreende das iniciativas mandadas aos deputados estaduais nos últimos dias.

Se essas matérias forem aprovadas pelos deputados, o governado estará dando a entender que se vê, ainda, obrigado a administrar sob pressão, pagando o preço de “acordos” contrários à expectativa da sociedade. Sim, pois o governador espera autorização dos parlamentares para criar um novo órgão estadual (voltado para a questão da terra) com mais de 60 cargos muito bem remunerados.

Até agora, entre anunciar melhorias reais para a educação, saúde e segurança, o governador preferiu anunciar sua disposição de dar ao seu pessoal de alto escalão uma “gratificação” de mais de 4 mil reais por mês como auxílio moradia. Ora, o povo sabe que o pessoal do andar de cima ganha muito bem, diferentemente da imensa maioria dos servidores sujeitos ao drama salarial que não pode ser tratado como uma coisa secundária, que depende do que vai ocorrer com final da novela da transposição.


RECUPERADO

O empresário e presidente do Sindicato que reúne os empreiteiros do estado, Chagas Neto, deve chegar neste final de semana ou no princípio da outra, após um longo período em que precisou fazer tratamento de saúde fora do Estado. Chagas Neto, que já foi deputado federal e presidente do PTB rondoniense, precisou sofrer um transplante de rins e também se submeter a tratamento cardíaco. O problema renal foi resolvido com uma doação de órgão feito pela própria filha.


PROMOÇÃO ESPECIAL

O deputado Euclides Maciel (PSDB) está convencido de que é uma questão de Justiça permitir que praças da PM sejam promovidos na hierarquia da tropa sem a conclusão do segundo grau. Para ele “esses” praças em vias de serem promovidos a cabos e sargentos por tempo de serviço, entraram na PM numa época em que não se exigia formação mínima de segundo grau e não tiveram como estudar porque tinham de cumprir uma escala draconiana no trabalho.


PTB REFORÇADO
Já está definido: o próximo encontro estadual do PTB, que tem como comandante o presidente da Assembléia, deputado Valter Araújo, será realizado em Cacoal, possivelmente no próximo dia 28. O objetivo do encontro é reforçar o partido com vista às eleições do ano que vem. Valter, juntamente com Nilton Capixaba, sonha em ampliar o número de alcaides em Rondônia, condição importante para um projeto mais arrojado, como o de chegar ao Palácio Getúlio Vargas.


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