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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Taborda Sem Censura - A corrupção e a impunidade

8/7/2005
taborda@enter-net.com.br
 
  
A sociedade rondoniense – aquela parte composta pelos homens e mulheres honestas – está estarrecida com as constantes revelações da podridão nas instituições deste jovem Estado brasileiro. Os corruptos publicamente revelados pela mídia – especialmente pela televisão – nos dias de hoje são apenas uma pequena parte da camarilha sedenta de pecúnia que atua há muito tempo no Estado. Se interesse e determinação houvesse em se investigar quem roubou o erário desde a transformação de Rondônia em Estado da Federação, muitos membros dessa burguesia fedorenta – tão fácil de ser identificada nas colunas sociais da mídia amestrada local – veriam seus nomes incluídos na lista dos corruptos e corruptores, dignos de receberem como prêmio por tanta desfaçatez um par de algemas.

Boa parte dos homens ricos de Rondônia – sobretudo aqueles que começaram suas vidas no Estado nos idos de 80, desempenhando funções públicas – não resistiriam a uma investigação séria sobre a origem de suas riquezas. Obcecados, como abutres, pela cupidez, fiados na impunidade, os pulhas avançam despudoradamente sobre o erário, sem se preocupar até de tomar certas precauções primárias, com microfones e outros aparelhos da moderna tecnologia de espionagem.

Foi por isso – pela crença desses abutres na impunidade – que estupefatos estamos vendo homens públicos, até então tidos como respeitáveis “excelências”, alguns já com cabelos brancos, humilhados e execrados nacionalmente, apontados como parte do monte de ratazanas que sistematicamente vem assaltando o tesouro estadual, deste a conquista da autonomia de Rondônia como Estado brasileiro.

Quem será capaz de desbaratar essa quadrilha responsável pela inviabilidade do nosso jovem Estado? Esta é uma pergunta de difícil resposta. Muitos com a responsabilidade de investigar e punir estão na lista daqueles que aqui chegaram “puxando a cachorrinha” e conseguiram – em curtíssimo tempo – mais do que quintuplicar seus patrimônios. São, também, suspeitos. São pessoas que não saberiam explicar a origem de tanto dinheiro, patrimônio e poder, se sofressem quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Sempre existiu corrupção em Rondônia. O que não houve foi um governador surrealista para documentá-la como agora, em vídeo, inclusive com sua atuação como corruptor – ele confessou o pagamento de mesada para aliados e propôs a compra de novos parlamentares – entregando seu “documentário” à maior rede de televisão do país.

O povo estupefato com os fatos de hoje não deve esquecer outros escândalos registrados no passado, como a grilagem de terras em Porto Velho e no Estado (envolvendo gente de peso no governo, nas instituições e na política); como o escândalo das passagens áreas, do marmitex, dos desvios à época em que Donadon era o presidente da Assembléia, da Ceron, das verbas de publicidade, do “frangogate”, só para citar um número ínfimo de denúncias que se tornaram públicas.

Existe um verdadeiro submundo do crime na geografia do poder rondoniense. Se investigassem a fundo as relações do Poder com empresas do setor gráfico, de revenda de automóveis, do setor de segurança privada, dos fornecedores de bens e serviços para a área da Saúde e Educação, histórias muito mais cabeludas do que estas envolvendo a promiscuidade entre deputados e governo certamente iriam surgir. O tráfico de influência tem contribuído para enriquecer até profissionais liberais que conseguiram liberar milhões dos cofres públicos a título de recebimento de precatórios, enquanto a grande maioria silenciosa e sem apadrinhamento, acaba falida porque – neste esquema –colocada para escanteio pelo péssimo pagador que é o Estado.

Não são os deputados de hoje os primeiros a proceder dolosamente em suas relações com o Executivo. Nas legislaturas anteriores também existiram os que buscavam a qualquer custo benefícios pessoais. E isso – é bom enfatizar – não foi e não é uma prática exclusiva de certos parlamentares. Muitos integrantes do governo não pensam em outra coisa: incorporar patrimônio (na maior parte das vezes em nome de laranjas) pela malversação e assalto aos recursos públicos. A política em Rondônia tem sido um rendoso negócio. Foi fazendo política que autênticos pés-de-chinelo ficaram ricos em nosso Estado. Garçons se tornaram autoridades, donos de imensas fazendas, importantes pecuaristas, etc.

Funcionários de escalões inferiores passaram a viver como nababos, tornaram-se donos de muitos imóveis, de restaurantes de luxo, etc. Nesta nau de corsários, até “jornalistas” romperam com o tempo de barnabés e passaram para o andar de cima, cheios da bufunfa. Todos sempre se permitiram promover saques ao baú da viúva.

Quase ninguém está interessado em servir ao interesse público. Todos – salvo honrosas exceções – visam compensações econômicas e financeiras, para garantir o conforto pessoal, de sua família e de alguns cupinchas. Todos agem confiando na impunidade.

Os tentáculos da corrupção penetram com toda a força nas instâncias da administração pública. É terrível saber que um exército de mercenários receberam tanta propina que hoje nem se lembram, por exemplo, do tempo em que eram meros marreteiros que vendiam tapetes de porta em porta; que eram meros motoristas de estatais, meros ferramenteiros de garagens de ônibus no interior, meros motoristas de táxis, etc, etc, etc.

Essas alianças heterodoxas deveriam merecer um trabalho de investigação que fosse ao fundo da investigação. Descobriria certamente como em tão pouco tempo alguns desses corsários deixaram seus casebres populares – em bairros como o Quatro de Janeiro – ou suas pocilgas nas antigas estâncias para ocupar mansões de luxo nos endereços preferidos dessa burguesia enriquecida nas tetas do Poder.

O perigoso câncer da corrupção em Rondônia levou o estado a esta tragédia. As ovelhas negras continuam ocupando prefeituras e muitos outros postos importantes da administração, agindo como autênticos mafiosos, apoiando, promovendo ou patrocinando as mais inescrupulosas ações de esperteza; continuam usando os métodos da canalhice para receber o voto popular.

A sociedade tem sua parcela de responsabilidade em tudo isso que está acontecendo no estado. Ela, afinal, elege os canalhas e financia suas campanhas. Sua culpabilidade não pode ser desprezada. Nem por isso há que se minorar a responsabilidade dos aparelhos estatais responsáveis pela punição dos ladrões do povo. Não fosse a tolerância desses setores – às vezes pelo seu comprometimento – certamente não viveríamos hoje esse mar de lama onde todos poderão se afogar.

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