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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Taborda Sem Censura - Rondônia no olho do furacão

19/5/2005
taborda@enter-net.com.br
 
  
Nos desdobramentos destes episódios vergonhosos que colocaram Rondônia no olho do furacão da corrosão das instituições públicas do Estado, dois fatos deixaram claro que o ambiente obscuro das relações entre os personagens integrantes do Poder é coisa antiga no nosso Estado.

A maioria de nossa população não se dará por satisfeita com as notas publicadas por dois ex-governadores – citados no diálogo dos “propineiros” – que procuram escapar das acusações de práticas de desvios de conduta no relacionamento que adotaram com os deputados de seu tempo.

As notas indignadas de José de Abreu Bianco (hoje prefeito de Ji-Paraná) e de Valdir Raupp (hoje Senador) publicadas na imprensa, com colocações melífluas, não negam a cumplicidade que os dois antecessores de Ivo Cassol obtiveram das mesmas figuras do parlamento, flagrados na tentativa de extorsão ao governador, mostradas em todo o Brasil pela TV.

Não dá para imaginar que a imoralidade desses políticos só tenha aparecido agora. Claro que não. As notas dos ex-governadores não devem servir para excluí-los de uma investigação séria, que tenha o objetivo de passar a limpo o Estado de Rondônia.

A nota de José Bianco, por exemplo, não desmente nada. Na medida em que destaca a “excelente” convivência com os soturnos personagens que vinham usando seus cargos para arrancar dinheiro do erário, a qualquer custo, apenas reforça a idéia de que a fraude política existia com um pouco mais de arte, com uma fantasia de refinamento.

Cassol, por ser homem de poucas letras e desacostumado aos aristocráticos jogos de salão, não teve a arte de seus antecessores, mas inegavelmente teve maior astúcia. Gravou detalhadamente o descaramento dos sujíssimos políticos, tão certos da impunidade que não previram os riscos de uma esparrela astuciosamente montada pelo atual governador.

Para que os deputados corruptos e negocistas, denunciados agora diante da opinião pública nacional, se comportassem como os maiores amigos do mundo do ex-governadores citados, certamente havia uma contrapartida certa e garantida, custeada com o dinheiro público.

Para sanear a atividade política rondoniense não basta caçar os artistas da chantagem e da extorsão que apareceram nas fitas exibidas pela televisão. A investigação tem que ir mais fundo, verificando os tipos de “negócios especiais” que eventualmente funcionaram como propinodutos para enriquecer deputados e seus “amigos”.

No governo passado o desfile de parlamentares cuidando de negócios próprios junto ao governo era uma praxe. Alguns parlamentares passavam mais tempo nos manjados gabinetes de pastas como a do Planejamento, onde o núcleo duro do governo antigo tinha sua sede, como a da Educação e a da Saúde do que na própria Assembléia, agilizando providências para manter o jorro de dinheiro público em favor de fundações e associações fajutérrimas; de “empreiteiras” de pastas, de esquemas os mais diversos, como as famosas marmitex do estilo Ferreirinha.

A revelação contida nas fitas divulgadas no Fantástico causou o maior espanto à população. Mas não se trataram de amostragem de coisa nova. Antes da quebra da blindagem, os fatos escabrosos revelados agora não vinham a público porque havia o interesse mútuo (de corruptos e corruptores), em manter o sistema protegido da inusitada aliança de poder que começou a vigorar em Rondônia assim que ela ganhou o status de Estado, após os longos anos em que foi Território Federal.

Para ficar realmente claro que desta vez não haverá a deliberada manipulação da tosca e podre realidade nas relações do Poder Público rondoniense – como sempre aconteceu – é preciso que a apuração dessas alianças mafiosas seja profunda. As notas dos antigos dirigentes do Estado não explicaram nada, não desmentiram nada. São apenas artimanhas para tentar mascarar conivências com a roubalheira instalada em Rondônia há muitos anos.

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