Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro


 

Porto Velho,  qui,   21/novembro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

28/10/2004
taborda@enter-net.com.br
 
  
A MODA ANTIGA

Sexta-feira rompi meu longo tempo de recolhimento e sai pela noite de Porto Velho, com o objetivo de mostrar ao meu primo mineiro, o jovem dr. Paulo Francisco, advogado vindo lá de Governador Valadares, um pouco da nossa Porto Velho. Fiquei temeroso de não encontrar mais nenhum ponto com a dignidade dos antigos botecos, onde nos idos de 80 dava gosto parar e curtir o melhor da nossa boemia. Realmente nossa noite perdeu o glamour antigo. Nada existe mais que lembre um Justino’s, um Chefia’s, um Amarelinho, um Jangadeiros, um Te Guenta, uma Pizzaria Avenida. Eles e mais outros fazem parte de um capítulo encerrado da vida cultural e boemia das alegres noites da Porto Velho dos anos 80.

Fui parar, sem maiores esperanças, na esquina da Pinheiro Machado e Marechal Deodoro, onde fica o boteco do Carmênio, bem colado com a histórica Taba do Cacique que continua fechada, debalde os esforços do próprio Carmênio em revivê-la.

De uma coisa eu tenho certeza: a vocação do Carmênio é realmente o balcão, a noite, o boteco. Fundador da Taba do Cacique, que funcionou quase 40 anos, hoje ele toma conta do anexo onde, é claro, não faltam os bons de copo.

Ali ainda dá para sentir lembrança das alegorias que faziam da Taba do Cacique o ponto obrigatório para quem gostasse de terminar a noite ouvindo música dor-de-cotovelo, dançando bolero e trocando idéias com as mais recatadas damas da noite.

Dá a impressão de que a qualquer momento vai chegar o ex-deputado Nogueirinha, com sua roupa de linho, sua corrente de ouro e seu olhar etílico. Dá a impressão de que outras figuras emblemáticas aflorem no lusco-fusco de uma casa que faz parte da história da cidade, onde havia um garçom da expressão do Chaguinhas.

Não é mais a Taba. Agora é simplesmente o Boteco do Carmênio, um ambiente despretensioso, digno dos botecos de verdade, daqueles ambientes que adquirem alma. Tem os copos próprios para quem quer tomar uma caninha, a cerveja gelada no ponto, o uísque servido no balcão, o salgadinho e outros petiscos. Hoje os banheiros são extremamente limpos, sem aquele odor antigo da antiga Taba. Muita coisa mudou, mas a frequência continua com a qualidade dos antigos botecos: gente falando de tudo, numa proveitosa convivência comunitária. E nesse ambiente, hoje de baixa freqüência feminina, que está o Carmênio, assumindo o balcão como nos tempos em que comandou a inesquecível Taba. Vale a pena dar uma paradinha.

BERON

A prisão e a derrota eleitoral do clã Amorim não mexeu, ainda, com a liquidante do Beron, dizem as más-línguas. A filha do leão desdentado continua gozando as mordomias do cargo. Vai levando numa boa, dentro daquela filosofia de que o liquidante é quem não perde nada, nem o emprego, mesmo sem conseguir nenhum resultado positivo. E a dívida continua crescendo, ameaçadora e impagável.

NA BERLINDA

O candidato chapa-branca passou praticamente todo o segundo turno fazendo um esforço enorme para esconder de sua campanha a figura de Ruth Morimoto, sua vice. Nem mesmo no evento promovido pelo Simpi, para ouvir as opiniões dos candidatos, na noite da segunda-feira, a vice apareceu. Pelo jeito, depois da derrota, politicamente a moça será responsabilizada pela debaclé.

PARAISO DA MISÉRIA

O Brasil inteiro continua traumatizado e perplexo com as descobertas-confissões-pesquisas do IBGE e da Fundação Getulio Vargas: "47 por cento da população ganham 108 reais mensalmente". Sem maquininha, apenas com a aritmética da antiga e construtiva escola pública, qualquer um chega à conclusão: 3 reais e 50 centavos por dia. E eles relacionaram nesses 47 milhões apenas os que recebem. E os que trabalham em troca de salário mínimo, pouco mais de 8 reais por dia?

OUTRA ELEIÇÃO

Importante fonte do PT deixou escapar que o partido está interessado em participar de mais uma eleição nesse ano. Desta vez num colégio eleitoral pequeno, nem por isso sem disputa renhida. Estou falando da eleição que definirá os novos mandatários do Sebrae-RO. No colégio eleitoral do Sebrae o PT tem garantido pelo menos três votos: Banco do Brasil, Caixa Econômica e Basa. Terá de obter apoio junto (fazer composições) a entidades que representam segmentos da classe empresarial. Se o plano der certo, o grupo de Miguel de Souza perderá espaço e Ayres do Amaral, esperto como sempre, poderá não realizar seu projeto de Poder.

SEM CREDIBILIDADE

Na medida em que a mulher de Ari Otti está diretamente ligada à campanha do candidato chapa-branca, faltou credibilidade à sua denúncia contra Roberto Sobrinho, de que o candidato do PT teria usado o plágio em sua tese de mestrado na área da engenharia. O efeito dessa denúncia foi como um traque. Mesmo na Unir, o nome mais repetido na preferência dos acadêmicos que irão votar para prefeito continua sendo o do professor e não o do ex-reitor que, como se revelou, está há muito tempo aposentado do petismo. Se Otti sonhava em ser convidado para tomar conta do projeto (uma piada sem pé nem cabeça) da Universidade Municipal, perdeu tempo. O candidato do prefeito, neste segundo turno, fez questão de esquecer a promessa ao constatar que ela serviu apenas para tirar-lhe votos. O grosso do povo não acredita mais em contos da carochinha.

POR ELIMINAÇÃO

O verdadeiro fenômeno eleitoral no primeiro turno das eleições de Porto Velho foi o próprio eleitor, que demonstrou ousadia na escolha dos candidatos. Até parece que nossos eleitores estão aprendendo a votar e descarregou sua aprovação exatamente naquele que, no princípio, parecida carta fora do baralho. O eleitor deu a Roberto Sobrinho aquilo que os outros pensavam que estava no papo. No primeiro turno o eleitor demonstrou uma certa paúra com a discussão política. Só muito próximo da decisão o assunto tomou conta das ruas e dos botecos.

Mauro entrou pelo cano exatamente por estrear um discurso de apoio ao atual prefeito, na base do “não se mexe em time que paga o melhor bicho”. Camurça foi certamente (palavra antigamente cultuada por ele) uma figura interessante de nossa política e tinha forte penetração popular. Mas isso foi no tempo em que não era tão riquíssimo. Ficou chato com a insistência de tentar vender a imagem de um político “sério e competente”, quando abandonou as noitadas, foi morar numa mansão cinematográfica e passou achar que Ruth Morimoto era uma líder popular.

Ao embarcar nessa canoa, assumindo aquela imagem de janota, trocando o Gol caindo aos pedaços por uma caminhonete de vidro fumê e ar condicionado, prometendo tudo aquilo que seu patrono, como prefeito, não cumpriu, Mauro perdeu o sotaque populista e dançou. De cada 10 votos, conseguiu apenas três. E agora, no segundo turno, com o um slogan que não diz nada (Para Mudar Sem Arriscar), com as promessas mirabolantes de uma creche em cada bairro, com a “ronda pediátrica” (qua!qua!qua!qua!) vai para mais uma derrota. Por eliminação, quem não agüenta mais os atuais “donos” do Poder, votará no PT. Mesmo quem nunca votou no partido de Lula.

Nenhum comentário sobre esta coluna

Mais colunas de Gessi Taborda
Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13


Últimas Matérias
Publicidade: