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Porto Velho,  sex,   6/dezembro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

13/8/2004
taborda@enter-net.com.br
 
  
SERIA O NOVO MIDAS?

Como alguém com um simples ordenado de servidor público consegue, nestes tempos bicudos, mudar tão rapidamente o padrão de vida pequeno-burguês para o de um nababo, deixando de lado uma casa de conjunto residencial e indo morar numa mansão cinematográfica, construída rapidamente? Este, com certeza, é o primeiro grande mistério capaz de embatucar boa parte da opinião pública, principalmente no segmento do empresariado que rala o dia inteiro e não consegue nada mais do que simplesmente manter o seu negócio ou, nas melhores das hipóteses, ganhar um mínimo rendimento sobre o que investiu. Quem viu a fotos da residência do prefeito de Porto Velho, o senhor Carlos Camurça, deve ter imaginado que nosso alcaide conhece os segredos do mitológico Rei Midas, aquele personagem que transformava tudo em ouro.

A aparente fortuna do prefeito não poderia deixar de atrair a curiosidade popular. Certamente ele não deve ter feito negócios ilícitos para trocar uma simples residência de classe média pela finíssima mansão Beira Rio, por sinal erigida num bairro com aspecto de mocambo, devido aos longos anos de abandono da parte da municipalidade. Antes de ser prefeito, quando simplesmente dava os primeiros passos na vida pública, a casa do prefeito ficava nas proximidades da rodoviária. Era, como não poderia deixar de ser, uma modesta residência de quem se inseria no segmento considerado como classe-média-baixa. Era quando o prefeito atual ainda conservava sua primeira consorte, quando estava sempre presente nos pontos mais procurados pela “jeunesse dorée”, curtindo seu lado boêmio. Tempo em que não atraia para si nenhum aríete.

Com certeza, é difícil para gente comum do povo e até mesmo do segmento empresarial que rala dia a dia compreender como alguém consegue tanto sucesso patrimonial e financeiro em tão curto espaço de tempo. Mas isto não é impossível. Há certos negócios cuja lucratividade (mesmo legal) chega à estratosfera. Especular na Bolsa, por exemplo, é um deles.

Em determinados tipos de transação acontecem fontes alternativas de receitas, do aspecto doação. E quando isso acontece é possível registrar contabilmente essas receitas, de sorte que possam ser afastadas até as dúvidas mais cavilosas.

Por ser prefeito há seis anos, por ter sido deputado-federal, o senhor Carlos Camurça deveria compreender que sua aparente extraordinária riqueza seria, e é, notícia de interesse público. Os indícios de sua posição nababesca são gritantes apenas na suntuosidade de sua “mansion house”, sem se dar crédito aos comentários da boca miúda de que seja dono de barco de luxo, rebanho bovino expressivo, fazendas, posição de controle de concessionárias automotivas e vai por ai afora.

Se fosse como um antigo político de São Paulo, Valter Auada, que quando eleito pela primeira vez deputado ocupou quase um Diário Oficial inteiro com a relação de seus bens, com certeza Camurça não atrairia tanto interesse para sua aparente fortuna atual. Até porque nos dias hoje o laranjal tornou-se uma praxe no meio político, onde os verdadeiros “tycoons” tentam esconder indícios de enriquecimento suspeito.

Fiscalizar os homens públicos é uma tarefa prioritária da imprensa. Nesse trabalho ela pode fornecer a órgãos específicos material que motive profundas investigações. No mundo político, sabem todos, nem sempre o jogo é limpo.

Eu não digo que o prefeito tenha cometido em todo o tempo de sua vida pública alguma irregularidade grave e nem creio que ele tenha agido de má-fé num de seus cargos públicos. Sei que em Rondônia a imprensa tem quase uma postura de servilismo com os governos, deixando de se reger pela importância dos fatos em torno dos mesmos.

A tentativa de revelar a dimensão da fortuna do prefeito num momento eleitoral em que ele se apresenta como o principal fiador da campanha de seu sucessor preferido, o médico Mauro Nazif, é uma coincidência que com certeza gera desconforto a Carlos Camurça. Mesmo assim, ele como homem público que é não deveria levar estas indagações para o simples contexto difamante, tendo em vista que o povo quer que ele explique se tem ou não o chamado dom de Midas. E isso que se espera: explicações e não simples discursos alimentadores das meras intrigas.

EM FAMÍLIA

Um certo assistente jurídico com atuação no Detran, onde também exerce função de suplente na tal JARI, não percebe como pega mal, principalmente para a instituição, sua ânsia em ostentar uma posição de vestal diante de outros servidores do órgão, quando é público e notório que um parente seu obtém vantagens como fornecedor do órgão. Se isso não tem nada de ilegal, nem por isso deixa de aparentar o lado moral. Afinal, quem garante que nesse tipo de relacionamento não está presente o chamado jogo de influência.

NAZIF PERDEU DE NOVO

Possivelmente alentado por uma campanha milionária, podendo contar com os serviços de uma caríssima banca de advogados, o candidato a prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif, anda entulhando a Justiça Eleitoral com ações contra a mídia que se comporta desfavoravelmente ao seu desejo de ganhar o poder da Capital. Contra o semanário Imprensa Popular o candidato apresentou, até agora, quatro ações. Perdeu duas. A Justiça entendeu que o site www.imprensapopular.com não tem nenhum vínculo com veículos do rádio ou da televisão, e portanto não está sujeito às regulamentações da Propaganda Eleitoral nestes veículos.

Mauro Nazif foi, na eleição que passou, bombardeado na imprensa diária, especialmente pelo jornal de maior circulação do estado. Mas ali a questão era diferente: simples mexericos ganharam a força de torpedos para solidificar o infortúnio do político. E naqueles casos Nazif agiu usando primeiramente o Direito de Resposta para depois ir à Justiça. Esse ano o tal jornal deixou de lado sua posição de algoz (logo agora, que o dr. Mauro é o candidato oficial na disputa), em função de acordo através do qual conseguiu aliviar a pressão diante de tantos processos.

Ora, no jogo democrático um candidato deve aceitar a crítica, sobretudo a crítica ao seu comportamento político (e no caso de Imprensa Popular tudo não passou disso, pois nada há de pessoal ou de acusação frontal à sua honorabilidade), podendo retruca-la ou não. No figurino atual do candidato, sua aliança com o atual prefeito (que no passado tanto criticou e com o qual afirmava jamais fazer acordo político), cabe a ela dissipar as suspeitas em torno da tal aliança (inclusive sobre o eventual retalhamento dos cargos). A busca de proteção contra as críticas da imprensa na base de ações judiciais deixa claro a opção pelo malicioso caminho da intimidação ao pleno exercício da liberdade de opinião.

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