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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  sex,   6/dezembro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

3/4/2004
taborda@enter-net.com.br
 
  
NOVA IMAGEM

Quem se der ao trabalho de ir ver como ficou a Casa da Cultura Ivan Marrocos, cuja reforma foi patrocinada pela Eletronorte, sentir√° orgulho da beleza daquele local. A recauchutagem ficou t√£o boa que acabou motivando uma nova inaugura√ß√£o, acontecida na noite da √ļltima sexta-feira, quando autoridades locais aproveitaram a presen√ßa dos petistas de alto-coturno, como Jos√© Genoino, para abrilhantar a festa. Agora, mesmo diante de tanta beleza √© recomend√°vel ir devagar com o andor.

A beleza e grandiosidade da nova (?) Casa da Cultura pode não corresponder à expectativa da população rondoniense, pela falta de eventos culturais bem elaborados, principalmente em nível do Estado e da Região. Mas, mesmo sugestionados pela paralisia que sempre dominou a direção daquela instituição, não sejamos pessimistas. Após esta reforma onde, segundo consta, a Eletronorte gastou algo aproximado de R$ 200 mil, esperemos que a cultura local seja realmente valorizada, sem se deixar de lado a organização de eventos capazes de fazer sucesso junto à intelectualidade do país.

Tomara que a partir de agora o respons√°vel pela pol√≠tica cultural rondoniense, Cl√°udio Venceslau, acabe com aquela tend√™ncia que fazia da Casa da Cultura Ivan Marrocos um ponto de explora√ß√£o para manifesta√ß√Ķes de gostos duvidosos. Que ali aconte√ßam verdadeiros sal√Ķes de arte, merecedores de respeito da classe art√≠stica nacional, virando a p√°gina daquilo que vinha sendo apenas um arremedo de sal√£o, como foi o √ļltimo Sart. A ‚Äúnova‚ÄĚ Casa da Cultura n√£o merece isso. √Č preciso rever a programa√ß√£o de eventos levando-se em conta o verdadeiro papel daquela institui√ß√£o.

UM OUTRO RUMO

Cidadania, participação e democracia são conceitos e ideais inseparáveis. O grande desafio que se coloca para a humanidade é colaborar para que eles sejam mais do que apenas conceitos que se inter-relacionam e transformá-los em uma realidade crescente e permanente.

Imaginei que a realiza√ß√£o da tal 3¬™ Confer√™ncia da Amaz√īnia, que ser√° encerrada hoje em Porto Velho, fosse um bom come√ßo para aprofundar a discuss√£o sobre as m√ļltiplas dimens√Ķes da cidadania, principalmente em nossa regi√£o. Confesso ter me decepcionado diante das dificuldades burocr√°ticas estabelecidas, limitando a participa√ß√£o das pessoas interessadas no debate, at√© mesmo a imprensa.

A 3¬™ Confer√™ncia da Amaz√īnia deveria nos conduzir a ganhos, √† concretiza√ß√£o de compromissos do governo, especialmente do federal, com o povo rondoniense para a retomada do desenvolvimento. No final, tudo n√£o passou de mais um longo desfile do bl√°bl√°bl√° pol√≠tico, t√©cnico e filos√≥fico repetindo antigos chav√Ķes, sem deixar claro o que poderemos contar no futuro pr√≥ximo para implementar as necess√°rias dimens√Ķes da cidadania das quais os habitantes dessa regi√£o est√£o distanciados.

Nada se aclarou sobre da democratiza√ß√£o da produ√ß√£o, da gest√£o, da circula√ß√£o e da distribui√ß√£o da riqueza. Nada se definiu em torno dos temas econ√īmicos, como acesso a emprego, renda, infra-estrutura de servi√ßos p√ļblicos, terra, moradia, propriedade e meio ambiente. Essa 3¬™ Confer√™ncia foi mais um palco pol√≠tico para petistas exercitarem a ret√≥rica do poder central. Para Rond√īnia n√£o se anunciaram quais investimentos o governo federal pretende fazer. E sem estes investimentos n√£o haver√° expans√£o, n√£o haver√° um efetivo combate √† exclus√£o social, √† exclus√£o cultural e econ√īmica em que vivemos.

Com tudo isso, ainda √© necess√°rio reconhecer o esfor√ßo da senadora petista F√°tima Cleide, que conseguiu trazer para Porto Velho evento de tal envergadura e que, se n√£o fosse por ela, seria realizado em Rio Branco, no Acre. Como escrevo baseado apenas nas atividades do primeiro dia do tal evento, nutro ainda a esperan√ßa de que ao seu final, nesse domingo, aconte√ßa o an√ļncio de decis√Ķes pol√≠ticas e econ√īmicas capazes de mexer concretamente em nossa realidade. Certamente gastou-se muito dinheiro para a realiza√ß√£o do tal evento que, por isso mesmo, n√£o deve ficar apenas no discurso, s√≥ chovendo no molhado.

ESTILO AMORIM

A decis√£o anunciada pelo deputado federal Conf√ļcio Moura, presidente regional do PMDB, de disputar a prefeitura de Ariquemes, seu principal reduto eleitoral, em outubro, ganha significado pol√≠tico estadual, pois refletir√° na composi√ß√£o de for√ßas que valer√° para o ano de 2006. √Č f√°cil explicar: ao decidir pela disputa da prefeitura daquele munic√≠pio, Conf√ļcio vai bater de frente com Ernandes Amorim, forte personagem da pol√≠tica estadual que alimenta o sonho de tornar-se, um dia, governador. Ali√°s, ser governador √© tamb√©m um projeto de Conf√ļcio, respeitado parlamentar da bancada federal que ainda n√£o ganhou a t√£o necess√°ria popularidade em todos os quadrantes de Rond√īnia.

A √ļltima derrota eleitoral de Amorim fragilizou sua lideran√ßa. Ele virou personagem de um folclore restrito e modificar essa situa√ß√£o ser√° imposs√≠vel se n√£o conseguir, em outubro, reeleger sua filha prefeita, para continuar conduzindo-a como personagem do teatro de bonecos.

Para Conf√ļcio uma passagem pela prefeitura de Ariquemes, um dos mais importantes munic√≠pios, economicamente falando, de Rond√īnia, seria providencial no sentido de mostrar suas habilidades administrativas, atrav√©s das quais ficaria definitivamente credenciado para reivindicar a chefia da administra√ß√£o p√ļblica do Estado, j√° em 2006.

Intelectualmente falando Conf√ļcio Moura √© um homem mais preparado do que Amorim (e evidentemente do que sua filha) embora nunca tenha se dedicado (a n√£o ser por uma temporada como Secret√°rio de Estado) a administra√ß√£o p√ļblica. O deputado do PMDB tem uma concep√ß√£o de pol√≠tica totalmente diferenciada do estilo caudilhesco do ex-prefeito e ex-senador de sua cidade. Conf√ļcio √© da linha da concep√ß√£o respeit√°vel, das rela√ß√Ķes pol√≠ticas mais transparentes.

Enquanto Ernandes Amorim reage muito mal √†s cr√≠ticas, preferindo ser incensado e bajulado, Conf√ļcio tem galgado postos de lideran√ßa, sobretudo dentro de seu partido, porque aceita democraticamente as controv√©rsias, as cr√≠ticas. Amorim assimilou uma id√©ia de que ele √© o salvador da p√°tria, sendo assim, por um direito m√≠stico, ‚Äúdono dos votos‚ÄĚ de Ariquemes e regi√£o. Amorim tudo far√° para manter a filha na prefeitura pois s√≥ assim evitar√° o processo de regress√£o em que se meteu. Dificilmente, mesmo enfraquecido, perderia a pr√≥xima elei√ß√£o de Ariquemes se Conf√ļcio n√£o entrasse no p√°reo.

Um n√ļmero crescente dos chamados eleitores de carteirinha de Amorim est√° com a percep√ß√£o de que seu estilo √© decepcionante, que seu prazo est√° vencendo. De um modo geral a sociedade sinaliza que pretende escolher aqueles que n√£o usam a pol√≠tica para fazer neg√≥cios, atendendo suas pr√≥prias conveni√™ncias. A presen√ßa de Conf√ļcio Moura na rela√ß√£o dos pr√©-candidatos a prefeito de Ariquemes tem o efeito positivo de oxigenar o cen√°rio pol√≠tico daquela cidade, que sempre funcionou como um feudo eleitoral do pai da atual prefeita. Se Conf√ļcio repetir no Executivo a atua√ß√£o brilhante que desenvolve na C√Ęmara dos Deputados, chegar ao Pal√°cio Get√ļlio Vargas √© uma quest√£o de tempo.


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