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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

3/4/2004
taborda@enter-net.com.br
 
  
NOVA IMAGEM

Quem se der ao trabalho de ir ver como ficou a Casa da Cultura Ivan Marrocos, cuja reforma foi patrocinada pela Eletronorte, sentirá orgulho da beleza daquele local. A recauchutagem ficou tão boa que acabou motivando uma nova inauguração, acontecida na noite da última sexta-feira, quando autoridades locais aproveitaram a presença dos petistas de alto-coturno, como José Genoino, para abrilhantar a festa. Agora, mesmo diante de tanta beleza é recomendável ir devagar com o andor.

A beleza e grandiosidade da nova (?) Casa da Cultura pode não corresponder à expectativa da população rondoniense, pela falta de eventos culturais bem elaborados, principalmente em nível do Estado e da Região. Mas, mesmo sugestionados pela paralisia que sempre dominou a direção daquela instituição, não sejamos pessimistas. Após esta reforma onde, segundo consta, a Eletronorte gastou algo aproximado de R$ 200 mil, esperemos que a cultura local seja realmente valorizada, sem se deixar de lado a organização de eventos capazes de fazer sucesso junto à intelectualidade do país.

Tomara que a partir de agora o responsável pela política cultural rondoniense, Cláudio Venceslau, acabe com aquela tendência que fazia da Casa da Cultura Ivan Marrocos um ponto de exploração para manifestações de gostos duvidosos. Que ali aconteçam verdadeiros salões de arte, merecedores de respeito da classe artística nacional, virando a página daquilo que vinha sendo apenas um arremedo de salão, como foi o último Sart. A “nova” Casa da Cultura não merece isso. É preciso rever a programação de eventos levando-se em conta o verdadeiro papel daquela instituição.

UM OUTRO RUMO

Cidadania, participação e democracia são conceitos e ideais inseparáveis. O grande desafio que se coloca para a humanidade é colaborar para que eles sejam mais do que apenas conceitos que se inter-relacionam e transformá-los em uma realidade crescente e permanente.

Imaginei que a realização da tal 3ª Conferência da Amazônia, que será encerrada hoje em Porto Velho, fosse um bom começo para aprofundar a discussão sobre as múltiplas dimensões da cidadania, principalmente em nossa região. Confesso ter me decepcionado diante das dificuldades burocráticas estabelecidas, limitando a participação das pessoas interessadas no debate, até mesmo a imprensa.

A 3ª Conferência da Amazônia deveria nos conduzir a ganhos, à concretização de compromissos do governo, especialmente do federal, com o povo rondoniense para a retomada do desenvolvimento. No final, tudo não passou de mais um longo desfile do blábláblá político, técnico e filosófico repetindo antigos chavões, sem deixar claro o que poderemos contar no futuro próximo para implementar as necessárias dimensões da cidadania das quais os habitantes dessa região estão distanciados.

Nada se aclarou sobre da democratização da produção, da gestão, da circulação e da distribuição da riqueza. Nada se definiu em torno dos temas econômicos, como acesso a emprego, renda, infra-estrutura de serviços públicos, terra, moradia, propriedade e meio ambiente. Essa 3ª Conferência foi mais um palco político para petistas exercitarem a retórica do poder central. Para Rondônia não se anunciaram quais investimentos o governo federal pretende fazer. E sem estes investimentos não haverá expansão, não haverá um efetivo combate à exclusão social, à exclusão cultural e econômica em que vivemos.

Com tudo isso, ainda é necessário reconhecer o esforço da senadora petista Fátima Cleide, que conseguiu trazer para Porto Velho evento de tal envergadura e que, se não fosse por ela, seria realizado em Rio Branco, no Acre. Como escrevo baseado apenas nas atividades do primeiro dia do tal evento, nutro ainda a esperança de que ao seu final, nesse domingo, aconteça o anúncio de decisões políticas e econômicas capazes de mexer concretamente em nossa realidade. Certamente gastou-se muito dinheiro para a realização do tal evento que, por isso mesmo, não deve ficar apenas no discurso, só chovendo no molhado.

ESTILO AMORIM

A decisão anunciada pelo deputado federal Confúcio Moura, presidente regional do PMDB, de disputar a prefeitura de Ariquemes, seu principal reduto eleitoral, em outubro, ganha significado político estadual, pois refletirá na composição de forças que valerá para o ano de 2006. É fácil explicar: ao decidir pela disputa da prefeitura daquele município, Confúcio vai bater de frente com Ernandes Amorim, forte personagem da política estadual que alimenta o sonho de tornar-se, um dia, governador. Aliás, ser governador é também um projeto de Confúcio, respeitado parlamentar da bancada federal que ainda não ganhou a tão necessária popularidade em todos os quadrantes de Rondônia.

A última derrota eleitoral de Amorim fragilizou sua liderança. Ele virou personagem de um folclore restrito e modificar essa situação será impossível se não conseguir, em outubro, reeleger sua filha prefeita, para continuar conduzindo-a como personagem do teatro de bonecos.

Para Confúcio uma passagem pela prefeitura de Ariquemes, um dos mais importantes municípios, economicamente falando, de Rondônia, seria providencial no sentido de mostrar suas habilidades administrativas, através das quais ficaria definitivamente credenciado para reivindicar a chefia da administração pública do Estado, já em 2006.

Intelectualmente falando Confúcio Moura é um homem mais preparado do que Amorim (e evidentemente do que sua filha) embora nunca tenha se dedicado (a não ser por uma temporada como Secretário de Estado) a administração pública. O deputado do PMDB tem uma concepção de política totalmente diferenciada do estilo caudilhesco do ex-prefeito e ex-senador de sua cidade. Confúcio é da linha da concepção respeitável, das relações políticas mais transparentes.

Enquanto Ernandes Amorim reage muito mal às críticas, preferindo ser incensado e bajulado, Confúcio tem galgado postos de liderança, sobretudo dentro de seu partido, porque aceita democraticamente as controvérsias, as críticas. Amorim assimilou uma idéia de que ele é o salvador da pátria, sendo assim, por um direito místico, “dono dos votos” de Ariquemes e região. Amorim tudo fará para manter a filha na prefeitura pois só assim evitará o processo de regressão em que se meteu. Dificilmente, mesmo enfraquecido, perderia a próxima eleição de Ariquemes se Confúcio não entrasse no páreo.

Um número crescente dos chamados eleitores de carteirinha de Amorim está com a percepção de que seu estilo é decepcionante, que seu prazo está vencendo. De um modo geral a sociedade sinaliza que pretende escolher aqueles que não usam a política para fazer negócios, atendendo suas próprias conveniências. A presença de Confúcio Moura na relação dos pré-candidatos a prefeito de Ariquemes tem o efeito positivo de oxigenar o cenário político daquela cidade, que sempre funcionou como um feudo eleitoral do pai da atual prefeita. Se Confúcio repetir no Executivo a atuação brilhante que desenvolve na Câmara dos Deputados, chegar ao Palácio Getúlio Vargas é uma questão de tempo.


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