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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  ter,   22/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

14/2/2004
taborda@enter-net.com.br
 
  
PT FAZ AQUISIÇÃO PARA 2006

Não se justificam as críticas condenando a filiação do ex-deputado federal Eurípedes Miranda ao PT, realizada ontem com a presença de José Genoino. O atual presidente da Ceron é um homem de vida feita. Certamente não foi para manter um dos melhores empregos de Rondônia que Miranda Botelho entrou, oficialmente, no partido de dona Fátima Cleide. Ele não precisa disso. Nem porque isso aumenta sua popularidade ou seu capital eleitoral. O atual presidente da Ceron sempre teve votações expressivas, mesmo quando se elegeu deputado pela primeira vez pelo PMDB, após ganhar notoriedade como titular da Secretaria de Segurança no governo de Jerônimo Santana. Se o problema de Eurípedes Miranda fosse apenas o de garantir um excelente rendimento mensal, teria durante o período em que foi deputado federal participado das várias oportunidades de apoiar governos federais que eram combatidos pelo PDT, partido a que esteve integrado por vários anos.

A origem política de Eurípedes Miranda não foi, como se sabe, na esquerda. Antes de chegar a Rondônia tinha fortes ligações com o malufismo de São Paulo. E quem se importa com isso no PT de hoje? Ninguém.

Ora, Miranda foi um dos deputados federais de maior coerência entre todos aqueles que participaram da bancada federal. Ele, como a maior parte daqueles que se detém a mirar o cenário político brasileiro, sabe que o próprio Lula foi totalmente cooptado pelo establishment. Daí seria uma total incoerência que os petistas de agora criassem alguma restrição a este político que, malgrado sua inegável popularidade, acabou colocado no frio pelos pedetistas, que também agem em Rondônia de forma totalmente contrária aos compromissos ideológicos que motivaram a criação do chamado socialismo moreno de Brizola.

Miranda entrou no PT na hora certa, quando sua direção e sua militância no estado – a exemplo do que acontece com o partido no Brasil todo, deixaram de praticar o debate teórico, sobretudo do ponto de vista marxista. O PT está pensando em ter Miranda desempenhando importantíssima missão nas eleições desse ano, buscando ampliar a participação da sigla na composição do Poder estadual, com o aumento do número de prefeituras sob o controle do partido. O PT rondoniense adotou nos últimos anos um aliancismo sem critério. Exemplo disso é, segundo está divulgado na mídia, o esforço que a senadora do partido vem fazendo para colocar no TRE um nome até então execrado pelos barbudinhos e militantes do tipo “Raimundinho”.

O holerite está servindo para destruir a utopia e esperança defendida antigamente por aqueles petistas históricos. Os interesses hoje falam mais altos. Miranda é certamente um nome que poderá ser escalado pelo PT para a disputa de 2006. Afinal, se o PT entregou-se sem restrições à força do capital, e sabe que o próximo grande embate nacional e estadual se dará com o controle do poder econômico, da máquina administrativa e sindical, Eurípedes Miranda Botelho é uma grande aquisição. Afinal, não é isso que, para exemplificar, o próprio Nazif, do PSB, já está procurando para as eleições desse ano?

PORTO VELHO É IMPORTANTE

A prefeitura de Porto Velho é importante em todos os sentidos para aqueles que estão de olho no Palácio Getúlio Vargas ou na cadeira de Senador, na disputa de 2006. Certamente a cabeça política de Ivo Narciso (que tentará a reeleição); de Carlão de Oliveira (que poderá tentar o caminho do Senado ou do próprio Governo); de Carlinhos Camurça (olhando com olhos súplices o Senado); de Nilton Capixaba (também esperando ser guindado a Senador); do PMDB (que tem candidatos a todos os cargos) e do próprio PT (que preserva o nome de Eduardo Valverde para o Palácio Getúlio Vargas) está, mesmo neste período de folia, na cidade. A capital ainda é a principal vitrine da política rondoniense. Se ela não tem contribuído para projetar lideranças capazes de por fim à hegemonia do interior no governo estadual é pela maneira inábil, intempestiva e arrogante com que os últimos alcaides se inseriram na disputa estadual. Quando essa relação mal resolvida não existia, a prefeitura de Porto Velho ajudou a eleger com facilidade o Jerônimo Garcia de Santana.

BUSCANDO APROXIMAÇÃO

Apenas a ignorância pode levar à crença, por exemplo, que Mauro Nazif poderá ganhar no primeiro turno. Aparentemente ele é o nome que mais vem faturando politicamente no quadro sucessório, a ponto de estar sendo puxado como sardinha pelo prefeito Carlos Camurça. No entanto sua eleição é incerta. O médico Nazif acredita que só tem a ganhar com o apoio de Camurça, prefeito responsável pela tranqüilidade financeira ostentada pelo município, por sua capacidade em administrar com competência a escassez crônica de recursos. Na verdade esta aliança não é de todo tranqüila. Carlinhos Camurça cultiva o distanciamento emocional capaz de desfigurar ainda mais a imagem de “mais humano”, usada por Nazif para uma maior aproximação com as bases.

Já se precavendo, Nazif aproveitou a sexta-feira 13 para fazer salamaleques ao PMDB, aparecendo meio de supetão nas homenagens ao Amir Lando, inclusive com faixas. Certamente deve ter desagradado ao médico José Augusto e àqueles que advogam a tese da candidatura própria na sucessão municipal de Porto Velho. Se José Augusto não começar a mostrar logo para os peemedebistas e para o público em geral que está preparado para a pugna, e que não tem receio de enfrentar a verdadeira guerra eleitoral, sua candidatura capotará antes mesmo de tomar forma, Nesse caso o PMDB (ou seja, a base) preferirá ir a reboque do PSB.

ASSISTÊNCIA TOTAL

O governo Ivo Narciso tem consciência do que representa Porto Velho no cenário político rondoniense. Eleger o prefeito da capital é uma solução mais adequada para ter mais facilidade quando for disputar a reeleição. Assim, deve promover uma efetiva implementação de medidas que beneficiem a pré-candidatura de Everton Leoni. O governador pode não ser um homem letrado, mesmo assim não é de virar as costas para o futuro. Sabe que não teria em suas hostes um nome com maior densidade eleitoral em Porto Velho do que este deputado que detém forte presença na mídia televisiva. Certamente, a partir de março, o governador deverá participar intensamente da formação de alianças com a finalidade de robustecer a posição eleitoral do seu pré-candidato.

Everton Leoni já disputou (e perdeu) a prefeitura de Porto Velho. Hoje demonstra ter aprendido muito com a derrota. Tem consciência de que o apoio do governador Ivo Narciso será fundamental para uma campanha afirmativa e vitoriosa. E para ele “este apoio acontecerá de forma natural” porque há reciprocidade entre o apoio recebido e o apoio dado. Entre figuras próximas do poder estadual já uma concordância de que Everton tem “densidade eleitoral, apelo popular e trânsito fácil entre os vários partidos que poderão formar aliança com o PSDB”.

NÃO MUDA NADA

Assisti mais uma vez o desfile da inconseqüência a que se habituou nossa imprensa diante das “celebridades políticas” que chegam ao estado. Dá pena ver entrevistadores perdendo o tempo com perguntas óbvias, anotando respostas que não dizem nada para divulgar inutilidades na mídia totalmente dispensável do ponto de vista de defesa da cidadania. Our man em Brasília chegou, finalmente, ao ministério. E daí? Isso vai mudar alguma coisa em sua vida, leitor? Claro que não!!! Principalmente se você fizer parte do imenso contingente que não tem nem idéia do que seja Previdência. Para a grande maioria que não tem a menor chance de se aposentar, de arrumar emprego com carteira assinada tanto faz quem for ou não ministro.

Ninguém perguntou na tal coletiva, tomada pela claquete do feliz político, como a sua nova posição vai influenciar a vida de quem mora em Rondônia. Ninguém perguntou se ganhando um ministro, os rondonienses ficarão livres das filas para conseguir um atendimento médico, se escaparão da indigência, da falta de remédio, da ocupação informal e das mazelas praticadas contra aqueles velhinhos que conseguem (quando conseguem) uma aposentadoria miserável, recebendo uma ninharia que não dá nem para comprar os remédios para continuarem vivos.

Esse estardalhaço todo só serve para alimentar a ganância daqueles que estão no mesmo balaio e passam a sonhar com novas benesses, com mais faturamento, com mais dividendo oriundo do compadrio e da vassalagem. É dessa turba que vem os apupos, a mesma súcia que antes falava o diabo da tal celebridade.


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