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Porto Velho,  ter,   22/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

23/12/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
TEMPO DAS INCERTEZAS

Como seria bom fechar o ano com uma coluna que pudesse prever o início de um verdadeiro novo tempo, um tempo de vitórias para todos. Mas apesar de todos os votos, dados e recebidos, de um Natal de Paz e de um excelente Ano Novo, não poderia deixar de comentar sobre os discursos proferidos por grandes lideranças de Rondônia, tirando deles um alerta para todos nós. A polêmica, afinal, tem sido sempre a nossa praia. E agora, que entro no recesso (afinal, ninguém é de ferro), para voltar só depois que janeiro de 2004 acabar, não poderia deixar a peteca cair.

O enfeite da administração estadual, como as de muitas municipais, ganha neste final de ano, no discurso de seus titulares, as cores berrantes das decorações natalinas. São discursos que procuram esconder a ausência de programas sólidos e estruturantes, mascarando o balanço do fracasso numa avaliação positiva. Nem de longe os titulares dos poderes falam que as empresas estão cada vez mais acuadas, sofrendo com a retração do mercado, a recessão, o desemprego e a redução da capacidade de consumo da classe mé(r)dia, que tem de pagar cada vez mais impostos.

Embora o regime seja, legalmente, democrático, as atitudes dos governantes são extremamente centralizadoras e autocrática, como se fossem eles autênticos suseranos.

Estamos chegando ao final de um ano onde se viu crescer avassaladoramente uma cultura de individualismo, de egoísmo e da própria indiferença ao próximo no estado, cultura assumida, cada vez mais, pela própria classe dirigente, sempre refratária a honrar os compromissos com a sociedade, como um todo, feitos durante as campanhas eleitorais. Engraçado como essa gente, no auge da campanha, jura cumprir tudo o que prometeu, mas quando percebe que afetará interesses entranhados do no governo se cumprir o que prometeram ao povo recuam.

Todos os discursos que ouvi em jantares e cafés da manhã neste final de ano eram carregados de afirmações de que fizeram um bom trabalho e se não conseguiram melhores resultados, foi por culpa da “herança maldita” que receberam. Tudo não passa de um oportunista e escandaloso marketing, com vista a abrir horizontes para o cenário eleitoral de 2004. Como estes dirigentes têm dificuldade em fugir da demagogia e como adoram os aplausos fáceis.

Rondônia entrará num novo ano engatinhando no terreno da administração pública.

É muito fácil constatar a falta de continuidade das administrações, a ausência de foco, a ausência de quadros realmente capazes, o exagero cosmético, tudo isso contribuindo para que milhões de reais se percam na má utilização dos poucos recursos públicos disponíveis. Durante todo o ano de 2003 o comércio e a indústria rondoniense – salvo honrosas exceções – não foram bem. O povo, idem. O nosso grande problema continua sendo falta de vontade política. Ela justifica a falta do sistema de transporte integrado (que não agrada nem um pouco os donos das empresas de ônibus), do Serviço Funerário Municipal (coisa que dá arrepio nos donos de funerárias), das Farmácias Populares (imagine como reagiria os tycons do setor!), das Guardas Municipais (os beneficiários do dinheiroduto em que se converteu a segurança privada tremem diante dessa possibilidade), etc, etc.

O tempo das incertezas, como se vê, não termina com o ano de 2003. Para quem mora em bairros como o Jardim Santana, hoje uma área dominada pela bandidagem, onde é comum encontrar pessoas assaltadas por mais de 20 vezes, a desesperança se traduz nas dezenas de placas de “vende-se” pregadas nas residências humildes. Ali as pessoas não acreditam em melhoras à vista. Ali o tempo das incertezas avançará por todo o novo ano. Ali, onde é fácil perceber que o número de empregos diminuiu, enquanto o de desempregados aumentou, a falta de auto-estima do povo impede-o de acreditar que a situação vai melhorar no ano que vem.

NADA ACERTADO

O deputado Amarildo Almeida garantia à coluna não haver nenhum acerto definitivo para sua ida como titular da Secretaria de Estado da Saúde, substituindo Miguel Sena. Ele não nega essa possibilidade porque, disse, de sua parte não há restrições em afinar-se com o governo de Ivo Narciso mas reconhece que “há muita especulação em torno do assunto”, que pode até ser melado. Na opinião do parlamentar o ex-deputado e primeiro suplente Dedé de Melo ainda não deve sorrir à bandeiras despregadas.

DISCURSO DE CAMPANHA

Teve o tom de início de campanha o discurso do governador Ivo Narciso no café da manhã que serviu para oficializar perante a imprensa o nome do deputado Everton Leoni como candidato tucano à prefeitura de Porto Velho. Ele fez questão de frisar que o retorno dos demitidos aos quadros do governo “foi uma decisão” do governador, e não fruto do desejo daqueles que pretendiam aproveitar demagogicamente do tema. A alfinetada teve endereço certo, ou seja, o pré-candidato que lidera as pesquisas realizadas sobre as intenções de voto para prefeito de Porto Velho. Ivo assumiu publicamente a candidatura de Everton sem esconder uma ponta de decepção com o deputado Hamilton Casara e sem dardejar o sindicalismo do PT. “Não foi os sindicatos que conseguiram promover o retorno dos demitidos pelo governo anterior aos quadros do estado. Eles voltaram porque esta foi uma decisão política do governador”.

COBERTURA TOTAL

O chefe da Assessoria de Imprensa do Poder Legislativo, jornalista Adaídes Batista, o Dadá, deverá entregar ao presidente do Legislativo, antes do final deste ano, um balanço mostrando que a Assembléia nunca teve uma cobertura “tão grande” da mídia e nunca foi enfocada de forma tão positiva. Dada pretende dividir o mérito dessa conquista com vários jornalistas que gravitam em redor da Assessoria, principalmente com os “formadores de opinião e analistas políticos” que reconheceram os grandes esforços da mesa diretora da Casa em valorizar o profissional de imprensa.

POPULARIDADE

Em Candeias do Jamary o lançamento do nome de Dinho como sucessor do prefeito Lindomar Garçom está mudando substancialmente o quadro da disputa eleitoral. Acontece que o tio de Garçom tem estilo diferente o chefe da administração mas possuí uma grande popularidade, atraindo para si inclusive apoios de notórios adversários da atual administração. Isso ficou claro com o assédio de lideranças registrado na noite de domingo no Boteco do Amadeu, uma espécie de termômetro do burburinho político da cidade. Dificilmente o tio do prefeito jogará a toalha no próximo pleito. Só não será candidato se o próprio Garçom desestimula-lo.

REAVALIAR

Se o pré-candidato Mauro Nazif aprofundar a aliança com o grupo político do prefeito Carlos Camurça, de Porto Velho, o PP poderá reavaliar seu apoio ao presidente regional do PSB. Isso foi o comentário de um importante membro do partido que sonha em ver a composição fechada, desde que o PP forneça o nome do vice do dr. Mauro.

GOVERNISTA

Embora não esteja conseguindo honrar prazos no pagamento da publicidade veiculada, o governo de Ivo Cassol termina o ano com apoio quase total da mídia rondoniense. Mesmo onde a opinião é quase livre (colunas e editoriais) as injunções voltadas para os interesses comerciais, dão ao jornalismo rondoniense – com raríssimas exceções – o caráter adesista e preguiçoso. Ninguém está muito interessado na reportagem investigativa e no trabalho de questionamento da administração pública. É claro que existe, nesse adesismo, uma diferença entre os veículos, diferença essa notada apenas no grau de entusiasmo de cada um.

Nesse jogo de espelhos e de máscaras, alguns veículos simplesmente deixam de lado a responsabilidade ética de quem pauta a leitura de milhares de pessoas, preferindo servir “ao mercado”, deixando de estimular reflexões sobre para onde Rondônia está sendo conduzida por aqueles que têm nas mãos o poder decisório. A prestação de serviços informativos à sociedade está pressionada por uma mídia realimentada pelo supérfluo e pelo vazio.

NÃO ABRE

Como o amor, a política deveria ser a arte de promover os encontros. Mas essa poesia nunca se concretiza. Agora, neste final de ano, no PDT, o que se verifica é a tendência aos desencontros e às simulações. O deputado Edson Gazoni está entre aqueles pedetistas que não admitem a aliança costurada pela direção partidária (leia-se prefeito Carlos Camurça) com o PSB. Para ele é inaceitável que um partido como o PDT não dispute a eleição, pelo menos no primeiro turno, com candidato próprio. E por isso, Gazoni pretende sair na ponta, colocando seu nome à apreciação dos convencionais, como candidato a prefeito de Porto Velho pela sigla. O deputado Gazoni não é um intolerante. Ele simplesmente entende que o PDT não pode entrar numa aliança que só servirá para eleger candidatos (vereadores) de outros partidos, quando poderia fortalecer sua própria paróquia. Gazoni não diz claramente, mas para os íntimos não esconde sua preocupação com o que classifica de associação oportunista entre “aves e crocodilos”, que não é o desejável pela maioria das bases pedetistas.


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