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Porto Velho,  sex,   19/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

13/12/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
MEU PEDIDO NATALINO
Diante da repercussão do escrevi na coluna de sexta-feira, falando sobre a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, essa triste vítima de políticos irresponsáveis aliados a outros aproveitadores, vou falar hoje do meu pedido natalino, um presente que seja uma homenagem a essa cidade que me adotou e hoje é a terra do meu coração. É verdade que estamos hoje “rodeados” de um progresso que há 20 anos parecia tão distante. Mas nós que sabemos como essa cidade já foi, temos todas as condições de afirmar que houve um processo de deterioração cultural, no passar desses anos.
Neste Natal, caros leitores, vou pedir ao Papai Noel que nos devolva a feliz Porto Velho dos anos 80 – que não conhecia meninos abandonados tomando conta de carros nas ruas, trombadinhas e motoqueiros assaltando nos cruzamentos e nos bairros da periferia, bandidos armados assaltando comércios à luz do dia no centrão, fugas de presos, proliferação dos vendilhões do templo, das áreas faveladas, do desemprego, da prostituição infantil, do sucateamento da saúde pública e de manchetes afirmando que 40% dos estudantes estão na onda das drogas.
Neste Natal foi pedir a volta daquela paz antiga, daquelas noites inesquecíveis do Justino, daquelas conversas inteligentes e quase revolucionárias com os petistas do tipo Josias (hoje, segundo consta, um importante executivo baiano), Odair Cordeiro, Zé Neumar, e tantos jovens transformados em sisudos membros do poder; que vibram com a degola de uma Heloísa Helena, uma personagem que naqueles tempos teria o respeito das grandes musas.
Quero de volta o bucolismo de nossas praças transformadas em acampamento de ambulantes, onde não se pode mais praticar o “footing” ou simplesmente sentar-se para curtir a calidez das nossas noites tropicais. Quero de volta a brejeirice de nossas mulheres enroladas displicentemente em toalhas nos becos das estâncias e nas próprias ruas, envoltas numa sedução inocente, sem a condenação dos mercadores da fé de olhos rútilos e ganância desmesurada nas coletas, e nas vendas de falsos amuletos bentos pela esperteza das universais da vida.
Quero de volta, se não for pedir muito, as alegrias espargidas pelas moçoilas que dançavam bolero na Taba do Cacique, as tardes animadas nos churrascos à beira da piscina do D’Graus, da Casa Blanca ou nas cervejadas da Maria Eunice. Queria de volta, também, as grandes festas do Chagas Neto, os retiros cheios das discussões filosóficas no kibutz do João Lobo, os inflamados discursos de Lucindo Quintans na Câmara Municipal, o jornalismo vibrante, crítico, mordaz de Montezuma Cruz, Jorcene Martinez, Maurício Calixto e mais uma pá de gente boa que fazia d’O Estadão a grande trincheira da imprensa rondoniense.
Se pudesse, pediria o retorno de gente inteligente, verdadeiramente culta, como o professor Vitor Hugo, o professor Amizael Silva, à condução da pasta da Cultura Estadual. Pediria o retorno das alegres reuniões da Pizzaria Avenida, do Michael, a música envolvente e romântica da Churrascaria Acapulco, onde Juanito brilhava com sua harpa maravilhosa chorando a distância de seu Paraguai. Pediria o ressurgimento da verdadeira crônica social, como fazia o Paulo Caldas e o Sérgio Valente. Insistiria também com Papai Noel pelo retorno de uma Assembléia brilhante, onde a ordem unida não existia e na tribuna fluía a inteligência de um Jacob Atalah, Amir Lando, Tomas Correia, Ronaldo Aragão, Arnaldo Martins, luminares que brilhavam e deixavam brilhar até os simples Zuca Marcolino, João Dias e outros do mesmo andar.
Porto Velho era tão tranqüila que suas noites permitiam às pessoas andar sem medo, devagar, até nas madrugadas do bairro da Lagoa, onde funcionava um lupanar de luxo e o cassino da Palmira, que na verdade era da Colibri. Em curtos trajetos mudava-se de cenário sem se perder a alegria. Saia-se do Excalibur e metros acima estavam o Piscinão do Álvaro da Casa dos Pneus. Deixava-se o Bar do Zizi e poucas ruas acima se encontrava o Amarelinho com o seu filé de peixe e farinha com cebola. Comia-se a costela assada do Te Guenta e pulando a esquina estava o Jangadeiros reunindo toda a fauna importante da “inteligência” local.
Devolva-me, por favor, Papai-Noel, a alegria que sentíamos nas programações de fim de semana do Sesc Campestre que funcionava na Estrada dos Japoneses. Devolva-me, por favor, a simplicidade do teatro que era feito pelo Django, onde hoje funciona a rádio Boas Novas; as reuniões descontraídas do PT no velho casarão abaixo do Barracão do Raí, na histórica Candelária. Quero de volta, Papai-Noel, as alegrias do Banho do Neguinho, o Kichute Clube, nome que se contrapunha ao vizinho Tênis Club. Quero de volta o orgulho sentido com o grande carnaval de rua com a Pobres do Caiary e Diplomatas, manifestação mandada para o beleléu com a importação das bandas baianas que levam, todos os anos, o pouco dinheiro que temos.
Quero de volta, se possível, o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Devolvam-me a lembrança daquilo que pude usufruir quando aqui cheguei e que me fez apaixonar por uma sociedade tão mais livre do que a puritana burguesia paulista. Quero de volta, mesmo que por um sonho fugaz, as fogosas dançarinas do Sintonia do Amor, da Boate Copacabana, da Taba do Cacique. Apesar de bem casado, quero de volta a visão das meninas gostosas dos rendez-vous que terminavam a noite do boteco do Chefia’s. Quero de volta a alegria de uma cidade que envolta nesse “progresso” caiu no domínio da insensata mediocridade, dormindo mais cedo açodada pelo medo e pela tristeza.

CONFUSÃO
O Brasil não conhece o Brasil. Por isso, mais uma vez Rondônia paga o pato tendo seu nome em destaque no noticiário do “Escândalo dos Gafanhotos” de alguns jornais pouco preocupados com a geografia nacional. Ontem foi a vez do importante e influente diário mineiro, o “Hoje Em Dia”, colocar numa de sua manchetes o nome de Rondônia e não de Roraima, como o estado onde a bandalheira foi praticada, “com a contribuição do governo do PT” que agora se licenciou do partido. Enquanto não tivermos uma política séria de comunicação social, voltada para mudar a desgastada imagem de nosso estado estaremos sujeitos a esse tipo de tratamento. Como acontecia até recentemente com o próprio Brasil no exterior. Era comum tascarem coisas do tipo “Brasil, capital Buenos Aires”.

DE OLHO
O empresário Mário Português, maioral da Distribuidora Coimbra, está de olho na formatação política de Candeias do Jamary. Não que o município represente um faturamento significativo para seus negócios. Um parente do empresário é cotado para sair candidato em 2004 no vizinho município. Nesse caso Mário não deixaria de dar “uma boa ajuda” ao candidato a ser apoiado pelo prefeito Lindomar Garçom.

BANDNEWS
Desde a tardezinha de sexta-feira até o fechamento dessa coluna os assinantes da Viacabotv ficaram privados da recepção do canal Bandnews. Mesmo assim, claro, os assinantes não terão descontos na mensalidade.

CONFÚCIO
O deputado federal previamente escolhido para disputar o governo do estado pelo PMDB em 2006 vai tornar-se, após a convenção partidária de hoje, o presidente regional da sigla, substituindo Amir Lando. O senador, conforme o tititi da política, está numa rota que deverá leva-lo ao cargo de Ministro. É só questão de tempo.

CONFRATERNIZAÇÃO
O prefeito Carlos Camurça confraternizou-se com os vereadores na noite da última quinta-feira, num jantar realizado numa restaurante próximo da Assembléia Legislativa. Foi agradecer à edilidade o apoio recebido durante o ano, quando conseguiu aprovar todos os projetos de seu interesse.

CAFÉ
A confraternização de final de ano entre deputados e jornalistas acontecerá na próxima quarta-feira, com a realização de um café da manhã. A idéia do almoço ou jantar foi descartada em nome da economia.

MUDANÇA
Amigos da senadora Fátima Cleide estão interessados em mudar sua maneira de relacionar-se com a imprensa, buscando criar para ela uma imagem de incansável batalhadora pelas causas de Rondônia. Para estes amigos, a idéia de que a senadora considera inimigos os que não partilham da roda dos áulicos, não corresponde à realidade. Estão pensando em reunir a imprensa, especialmente os jornalistas mais críticos, numa confraternização onde poderão conversar mais à vontade com a principal musa do PT rondoniense. Estão descobrindo que manter a senadora distanciada do jornalismo não alinhado é um erro irreparável.

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