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Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

5/12/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
OTIMISMO POSTIÇO
O Papai-Noel do governo já está preparado para abrir seu saco de onde tirará o presente do povo, forjado no marketing da esperança. O “presente” resume-se a imagem de que em 2004 “tudo vai melhorar”, pois o Brasil vai voltar a crescer e, claro, Rondônia também. A orientação, certamente baseada numa realidade virtual, pretende insistir que “a mudança começou” quando o comando do estado passou às mãos do homem do chapéu e ele passou a superar dificuldades herdadas do antecessor, como a solução para o drama dos barnabés, degolados da forma mais covarde (foram demitidos sem receber um centavo por quase duas dezenas de anos trabalhados), hoje reintegrados (os que sobreviveram à ira do antigo carrasco) às suas funções no serviço público, recebendo seus parcos salários, sem atrasos, diga-se de passagem.
Neste aspecto é forçoso creditar na conta do governo que o segmento da população com emprego no governo viveu menos sobressaltos. Vai terminar o ano sem o clima de terror e insegurança que permeou a administração passada, comprometida apenas com o baronato do serviço público. Mas tirando essas raríssimas expressões de humanização, resta muito pouca coisa para acreditar num Papai-Noel cheio de pacotes carregados de “confiança e otimismo” para 2004. O governo, como já se escreveu aqui por dezenas de vezes, comunica mal. Seu time da área de marketing está quase abaixo da crítica, portanto não será agora, no final do ano, que modificará a opinião pública com mensagens postiças, arrancadas de um mundo virtual e não da realidade das ruas.
Certamente o otimismo que será distribuído pelo governo como presente de Papai-Noel não contaminará o povão, careca de perceber que só progrediu, só melhorou de vida, economicamente falando, no ano que se encerra aqueles que vivem grudados nas tetas da viúva.
Na realidade não virtual, o populacho rondoniense continua entrelaçado no cipoal da recessão e por isso não tem motivos para entrar na onda de otimismo vista pelos beneficiários do tal baronato ou dos espertos vampiros dos tradicionais dinheirodutos que levam a viúva a uma pré-situação de bancarrota. Os meios produtivos e empresariais (os reais) chegam ao final do ano contabilizando prejuízos ou, quando muito, equilibrando o fechamento das contas num vermelho menos tinto. Entre aqueles considerados trabalhadores, o desemprego continua um drama crescente, minorado apenas na autonomia informal, aliás, única atividade que cresceu.
Nesse primeiro ano da nova gestão os dados são desanimadores: a renda média de quem trabalha caiu mais de 15% a ponto de alguns economistas afirmarem, de forma taxativa, que já não existe mais classe média, agora transformada em menos pobre. A taxa de desemprego cresceu, mesmo com o resgate dos milhares de vítimas do governo anterior. Um dado revelador da permanente situação de dificuldade está no índice de inadimplência anunciado por fontes do ensino privado, que supera os 35%.
O estado de Rondônia segue, como se vê, o modelo nacional e não adota, no nível de suas competências, nenhum novo rumo capaz de justificar otimismo em relação a 2004. Tirando as afirmações impertinentes e desnecessárias, as fanfarronices típicas do machismo macunaímico, o discurso usado agora pelo dirigente máximo do estado mantém o tom da campanha vitoriosa. Mas, cáspite, de um governo espera-se muito mais do que meras palavras. Certamente, a máquina central do governo tem como objetivo principal as eleições de 2004. Todavia, agindo assim como se a administração do Estado fosse igual à de um município pequeno ou de uma fazenda, o governo corre o risco de ver o tiro saindo pela culatra.
O governo iniciado em 2003 só tem uma alternativa para não repetir a débâcle dos anteriores: interromper o processo de mais uma década perdida para o povo rondoniense, demarcando a vida política do estado como uma nova experiência que atenda, de verdade, as esperanças da maioria do povo do estado. É claro que Rondônia precisa (como sempre) de recursos externos (sempre escassos) para crescer. Todavia não pode deixar de lado políticas que fortaleçam sua capacidade de gerar recursos próprios e condições para que o estado caminhe com suas próprias pernas. Sem decisões que beneficiem as forças produtivas do estado será impossível reativar a economia. Boas intenções não bastam.
Para concluir: o governo rondoniense chegará ao final de 2003 com os mesmos problemas deixados pelos governantes anteriores: desemprego crescente, conflitos agrários, segurança pública erodida, idem para o ensino, etc, etc. Em Rondônia a necessidade mais importante não é um “fome zero” cultuado por barbudinhos que resolverá o problema. É preciso atender, num prazo razoável, muito mais a quem vontade de trabalhar e não anda encontrando nada. O Papai-Noel do governo precisa trazer mais do que esperanças plantadas por promessas. Precisamos de ação nas cidades e no setor rural. Precisamos de uma política que de resultados em curto prazo para impedir que continuemos a ir de mal a pior.

FALSA ERUDIÇÃO
O vereador Emerson Castro gosta de ocupar a tribuna da Câmara Municipal de Porto Velho, principalmente quando a Casa presta homenagem distribuindo aquela que seria a láurea mais importante da cidade, o título honorífico de cidadão da capital. E não foi diferente na última quarta-feira, quando o deputado licenciado Paulo Moraes, atual secretário da Defesa e Cidadania do estado, recebeu seu título de cidadão honorário. Foi quando Emerson resolveu atribuir a Rui Barbosa uma citação de Voltaire: “Não concordo com nada do que você diz, mas lutarei até a morte para que você tenha o direito de dize-lo”. Tão empolgado estava o vereador que chegou a mudar o nome do vereador Flávio Lemos, responsável pela iniciativa da concessão do título ao paranaense Paulo, para “Flávio Moraes”.

MAIS DO DOBRO
Embora um “agente privado de segurança” a serviço do estado recebe algo em torne de 500 reais por mês da empresa de vigilância-privada, o estado paga por cada um algo próximo dos 2 mil reais. Se o tal vigilante trabalhar à noite, esse valor fica em torno dos 3 mil reais. É, como se vê, uma mina de ouro para as empresas privilegiadas nesse sistema. E quem paga a conta? Ora, todos nós, que contribuímos para encher o cofre da viúva. Ficaria muito mais barato para os contribuintes se o governo criasse um “Batalhão de Guardas” dentro da PM e acabasse com essa terceirização.

CIRURGIA
O deputado Nereu Klosinski, do PT, deverá ser informado hoje sobre a necessidade ou não de uma intervenção cirúrgica em virtude do acidente automobilístico no qual se envolveu num cruzamento viário de Porto Velho. Ele continua internado no Hospital das Clínicas de Porto Velho, onde passará por nova bateria de exames, embora seu estado geral seja satisfatório.

NA CONCORRÊNCIA
A Pna Publicidades está participando da concorrência pública que escolherá a agência que cuidará da publicidade oficial do governo rondoniense. Vai lutar com gigantes do setor, mas pode surpreender. No portfólio da Pna há duas importantes marcas de vitórias: a eleição do prefeito Carlos Camurça e a de Orestes Muniz, como novo presidente da OAB. Entre as agências locais, a Pna é a detentora das melhores instalações para desenvolver seu papel.

PRESTÍGIO
Se fosse possível resumir numa só palavra as comemorações em torno do aniversário do deputado Carlão de Oliveira (segundo consta ele chegou aos 49 anos), na última quarta-feira, em breakfast na Assembléia Legislativa e grande festa na residência do parlamentar, essa palavra seria prestígio. Lá estiveram praticamente todos os parlamentares e todos os representantes dos demais poderes constituídos.
Carlão nasceu, chegou e cresceu na política rondoniense defendendo os interesses populares. Nunca foi de fazer de discursos, sempre preferiu fazer, e fazer a coisa certa. Tem tudo para construir uma sólida carreira, com a possibilidade de chegar ao topo, ou seja, ao governo do estado. Eu não tenho nenhum constrangimento em dizer que um Carlão no governo é a certeza de realizações e sem a difusão das afirmações de jerico que tanto têm colocado Rondônia na periferia, no gueto do atraso. Para não desafinar, Carlão só precisa perder o deslumbramento por um militarismo démodé, tirando de seu círculo quem já demonstrou estar longe de sua coerência e destemor.

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