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Porto Velho,  dom,   23/fevereiro/2020     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

3/12/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
VÁRIAS RONDÔNIAS
De fato os políticos acreanos estão tentando reviver, novamente, as idéias de redefinição territorial de Rondônia, com a proposta – já derrotada no passado – de fazer da região da ponta do Abunã, ou mais precisamente das Vilas de Extrema e Nova Califórnia, território do Acre. A rigor, Rondônia só não perdeu as duas vilas para o estado vizinho, a despeito da esperteza dos políticos acreanos, porque encontrou no ex-governo Jerônimo Santana uma resistência incomum. Foi ele que, reagindo ao oportunismo dos acreanos, chegou a mandar para a região uma expressiva força militar, na época comandada pelo hoje “chefe da Segurança Parlamentar”, coronel Ferro. A “guerra” não chegou a acontecer, mas apressou a definição territorial por parte das autoridades federais que levaram em consideração não só os marcos geográficos, mas também a formação histórica e cultural daquele pedaço rondoniense.
Tudo acertado no nível da administração federal, agora com a proximidade do ano eleitoral, o ovo indez que sobrou das discussões que entrar em eclosão por políticos acreanos crentes que podem ressuscitar este tema diante da aparente fraqueza do chefe do Executivo rondoniense junto aos maiorais da República. A justificativa para retomada desse assunto, por parte dos políticos acreanos interessados em usar esta bandeira de luta para – é claro – ganhar a simpatia do eleitorado é a de sempre: a região continua sendo tratada com desinteresse pelo governo rondoniense.
De fato houve um tempo em que a região de Extrema e Nova Califórnia manteve-se ausente de qualquer preocupação governamental por parte de Rondônia. Ali parecia mais uma extensão do Acre do que um pedaço do território rondoniense. O desinteresse de nosso governo pela região permitia, inclusive, que o estado vizinho mantivesse ali um posto da receita para cobrar impostos. O Acre respondia pela segurança pública, pela educação e pela saúde dos moradores da região que em sua maioria eram eleitores que votavam em candidatos de Rio Branco.
A realidade atual é bem diferente do tempo da “zona contestada”. A despeito da aventura militar de Jerônimo Santana, a população de Extrema e Nova Califórnia acabou demonstrando interesse em continuar vinculada a Rondônia – sem responder a nenhum plebiscito – quando o governo de “Bengala” decidiu construir ali uma pista de pouso asfaltada, sistema de distribuição de água encanada, posto da Secretaria da Fazenda, colégios, etc, etc. Tudo isso, no entanto, entrou em fase de decadência com o governante posterior. Outra vez o Acre começou a se fazer presente de forma supletiva na região.
Ainda hoje as mazelas sociais do Estado são, miseravelmente, exibidas na Ponta do Abunã. Economicamente importante por ser um setor de alta produção agrícola, com grande potencial para o desenvolvimento da agroindústria e das atividades extrativas, Extrema e Nova Califórnia permanecem no isolacionismo antigo em relação ao município de Porto Velho e ao próprio estado, sem ter qualquer representação política na Câmara Municipal ou no governo estadual. Alguns rondonienses mantêm na área instrumentos que podem operar transformações capazes de promover uma integração real da região ao restante do estado. Este é o caso, por exemplo, do Dr. Marco Antonio, dono da Fatec de Porto Velho, que tem lá uma emissora de televisão. Ele, com todas as condições morais e intelectuais para tornar-se um defensor porta-voz qualificado daquela populosa região, não quer mais disputar eleições e tudo indica que Extrema e Nova Califórnia continuarão órfãs de representação popular.
É bom lembrar que um outro ovo indez que foi plantado em Brasília com o objetivo de emancipar áreas de Rondônia – desta vez para criar um novo Estado – teve como principal patrocinador o ex-deputado federal Reditário Cassol, pai do atual governador. A criação do Estado do Guaporé foi sua grande bandeira eleitoral. A tese de que temos “muitas Rondônias” e de que algumas delas só se desenvolveriam se emancipadas, não está totalmente sepulta. Se o governo do Estado deixar a corda correr frouxa por muito tempo e se nossa representação política em Brasília cochilar é bem possível que os políticos acreanos, hoje com muito mais força junto ao governo petista instalado em Brasília, esse ovo que parecia gorado pode eclodir numa grande decepção para todos nós.

PAVÕES
Uma nova preocupação soma-se às atividades do deputado Haroldo Santos, do PP (ainda), mas nada tem a ver com política. O atuante parlamentar mostra-se sombrio com uma espécie de epidemia que vem colocando em risco sua criação de pavões. Haroldo tem como um de seus orgulhos de estancieiro a criação de aves exóticas.

INADIMPLÊNCIA
As escolas particulares de Rondônia têm um grande problema para equacionar ainda neste ano: a alta inadimplência. Em boa parte dos estabelecimentos ela ultrapassa os 35%. É o reflexo da crise econômica e do arrocho salarial, principalmente o que atinge algumas categorias (quase todas) dos servidores públicos. O problema é que estas escolas estão agindo, mesmo contra pais não pagaram por absoluta falta de condições e não por inadimplência irresponsável, com extrema dureza. Com isso estão prejudicando a terceiros, ou seja, aos jovens que só querem aprender, incentivados até pelas campanhas governamentais. Dono de escola particular parece, nesse aspecto, aos donos de banco: entram no negócio sem querer correr o risco de ter prejuízo ou lucros mais reduzidos. É bom lembrar aos titulares desse comércio que a inadimplência não justifica a retenção de documentos dos alunos, em alguns casos os próprios diplomas de conclusão dos cursos.

MINISTÉRIO PÚBLICO
Como a coluna tinha adiantado, o Ministério Público realmente propôs uma ação para rever concessão no transporte público de Porto Velho. A entrada de empresas no setor sem a respectiva passagem pelo processo de licitação pública abrindo possibilidades para ampla participação, no nível do país, poderá tirar do sistema quem entrou pela porta dos fundos. Segundo uma fonte, é possível acontecer, também, uma tomada de posição com referência ao preço da tarifa atual.

FESTA PEPEBISTA
O PP fará uma grande confraternização no próximo dia 5, no Kabanas, ali nas proximidades do Incra. Naquele dia o partido de Desival Ribeiro vai anunciar o nome de Silvia Soares como a nova comandante do Movimento da Mulher em todo o Estado.

SEM-VOTO
Essa senadora do PT é mesmo interessante. Segundo disse, com a escolha de Roberto Sobrinho como candidato a prefeito de Porto Velho, seu partido “mostrou amadurecimento” na definição de um projeto rumo às eleições municipais. Ela foi taxativa: “a escolha foi acertada”. É claro que Roberto Sobrinho tem qualidades positivas. Embora tenha obtido expressiva aprovação dos petistas que participaram das “prévias” onde praticamente “concorreu” sozinho (enfrentou o inexpressivo Eder Soares Paz, auditor da prefeitura desconhecido até da grande maioria dos barbudinhos), falta a Sobrinho o principal ingrediente eleitoral: o voto. Sem o efeito Lula, que mandou para o Senado a dona Fátima, o professor vai enfrentar uma posição insustentável para inverter suas últimas caminhadas de derrotas eleitorais. Ele não fez nada ainda como pré-candidato e já se fala, nos bastidores, de sua desistência se aparecer uma aliança favorável, com o PMDB, por exemplo.
É possível prever, caso Sobrinho resolva ir até o fim, que terá uma marcha cheia de solavancos. Não se pode negar, no entanto, que Sobrinho mantém, mesmo sem votos, uma postura desembaraçada dentro de seu partido. Por isso conseguiu nestes anos cargos de destaque e até recursos que modificaram sua vida de pobretão que morava numa das casinhas populares do Quatro de Janeiro. As esperanças dos petistas é que o governo federal vai irrigar sua campanha, com uma ação positiva na capital, modificando esse quadro de desemprego alto e crescimento baixo. O lançamento desse candidato sem-voto pelo PT é surrealista, mas não é absurdo. Certamente mesmo aqueles que fizeram juras de amor ao nome escolhido pelo PT para disputar a prefeitura, na hora “H” poderão dizer que falaram de amor, mas não prometeram casamento. Quem deve estar com a pulga atrás da orelha nesse momento são os que pretende disputar a vereança. Afinal, nesse tipo de campanha as principais soluções dependem da cabeça de chapa.

UM GRANDE HOMEM
Lá se foi um grande homem. Aos 82 anos, o professor Vitor Hugo, uma pessoa que admirava profundamente como brilhante escritor que era, um dos maiores vultos da intelectualidade rondoniense, nos deixou. Não foi apenas um grande historiador, uma referência obrigatória para as sucessivas gerações. Rondônia ficou mais pobre com a partida desse pensador que marcou profundamente a vida civilizada do Estado. Guardo como sua última lembrança sua passagem pelo Le Petit Taborda, num sarau onde deixou claro sua cumplicidade com os nossos sonhos de uma Rondônia cada vez mais livre da mediocridade. Pelas circunstâncias, sua morte representa uma libertação, mas também uma grande perda para as nossas letras e para os amigos que costumavam beber na fonte de sua inteligência.



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