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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

13/11/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
INDIFERENÇA AOS CIVIS
Quando era jornalista em São Paulo, nos anos de chumbo do Brasil, conheci de perto a truculência de alguns serviçais da ditadura. Eles tinham um comportamento frio, não gostavam de conversar com as pessoas e muito menos com gente da imprensa. Eram especializados em tratar com indiferença os jornalistas. Ficavam fiscalizando os passos da gente, num típico procedimento de seguranças brutamontes. Mas mesmo naquela época, lembro-me agora, em certos lugares os jornalistas eram tratados com deferência especial, principalmente aqueles ligados às publicações mais democráticas. Locais como a Assembléia Legislativa, o Palácio Nove de Julho (Câmara Municipal) a gente tinha um tratamento quase vip. Vivi um bom tempo como setorista nesses ambientes e nunca tive problemas de relacionamento com o pessoal, nem mesmo o pessoal da segurança.
Nestas casas do povo o quadro de funcionários da segurança não tinha o ranço do militarismo, as idéias preconceituosas da caserna, da polícia acostumada a chamar o cidadão de “elemento”. Aquele pessoal sabia dar um “bom dia”, sabia contornar situações sem expor o lado facinoroso de leão de chácara de inferninhos de bas-fonds. Quem não tinha capacidade para se relacionar com o público e especialmente com aqueles que viviam o dia-a-dia dessas instituições democráticas não ficava ali, estabelecido como um feitor, como um guardião de presídio de segurança máxima.
Certamente por isso sempre tive o prazer de cobrir os acontecimentos do legislativo. Quando vim para Rondônia passei a freqüentar assiduamente esse Poder que é a mais legítima expressão da democracia. Mesmo quando fui chefe de redação d’O Estadão do Norte estava no Legislativo, sempre que podia. E nunca tive problema que merecesse registro no relacionamento com seus funcionários, nem mesmo com os da Segurança. No seu nascedouro, a ALE pautava sua segurança por uma orientação de respeito à cidadania e aos “civis”. O militarismo de hoje era inimaginável. Seus seguranças eram pessoas bem-humoradas, de tratamento atencioso, treinados em sua atividade para resolver impasses sem constranger as pessoas. Para se ter uma idéia, quando Jerônimo Santana tomou posse no governo, eu e mais pelo menos dois colegas conseguimos cobrir a sessão solene sem estarmos paramentados como o protocolo exigia porque prevaleceu o bom senso do Lúcio Albuquerque (então Assessor de Imprensa da ALE) e do próprio pessoal da segurança.
Agora, quando a Assembléia ganha ares de pompa, entra num processo administrativo usando as ferramentas da alta-tecnologia, luta para recuperar sua credibilidade pública e tem como timoneiro um presidente simples, homem do povo, mas que prefere fazer a simplesmente discursar, vem da Segurança (comandada por militares) o comportamento estranho que destoa dos objetivos e do que representa um poder que não precisa da higidez bitolada dos quartéis ou dos presídios de segurança máxima. Na visão caolha de quem orienta o sistema, a falta de um mero crachá leva ao uso do comportamento castrense, que tanto assusta os civis. Os seguranças deveriam ser orientados no estilo da cidadania, sem as ameaças de truculência comum em repartições policiais.
Se evoluímos para melhor em termos da chefia da mesa diretora, deveríamos também melhorar neste aspecto tão emblemático para um poder que no passado também sofreu humilhação da truculência miliciana. Um poder umbilicalmente ligado à vontade popular, onde se concentra a essência da atividade política não pode manter em seus quadros despreparados no trato com aqueles que, por sua missão de informar, analisar e opinar têm de transitar por seus departamentos, gabinetes, meandros e corredores para exercer sua atividade. Atividade que não representa nenhum risco à integridade das instalações embora possa desagradar a obtusidade de quem é escravo dos detalhes burocráticos. Não há justificativa para manter a Segurança da Assembléia – quem tem inclusive poder de polícia no âmbito da Casa – orientada e chefiada por gente acostumada a cultuar o regulamento disciplinar das tropas, onde o cidadão sem farda sempre foi visto como um simples “elemento”.

NOVO DILEMA
Um grupo de quase uma dezena de sem-tetos tomou conta de uma área na Vieira Caula, proximidades do Jardim Ipanema, levantando barrocos de lonas. Estão ali demonstrando que este novo dilema social tende a azucrinar a municipalidade de forma mais intensa. Os barracos já foram derrubados pelo menos cinco vezes. Não adianta. O pessoal levanta-os novamente tão logo a polícia e os fiscais viram as costas. Os sem-teto afirmam estar numa área da municipalidade, reservada como área verde do bairro citado. Agora, afirmam, estão tendo apoio do presidente da Câmara Municipal, Silvio Gualberto, com quem irão se avistar na próxima semana para uma solução do impasse. Para os sem-teto a prefeitura tem obrigação de dar-lhes um local onde possam morar. Eles afirmam que em frente à invasão uma área nas mesmas condições foi ocupada por uma torre da Americel. “Se uma multinacional pode ocupar por que nós, brasileiros sem nada, não podemos?”, perguntaram ao repórter.

TARIFAS
O Ministério Público está decidido a entrar com ação na Justiça para reduzir o preço da tarifa do transporte coletivo no município de Porto Velho, disse uma fonte credível da coluna. A instituição está certa de que as reclamações dos usuários do serviço estão corretas em classificar a tarifa atual como abusiva. Se ficar comprovado que a planilha utilizada para definir o preço da tarifa não condiz com a realidade, além da redução no seu valor é possível que o sistema de transporte tenha de devolver o que cobrou a maior.
Ainda na questão do setor de transporte, na próxima semana será protocolada na Justiça uma ação civil pública questionando a permissão de operação de uma nova empresa no sistema. A ação será patrocinada pela OAB-RO por entender que o edital que permitiu a entrada da nova permissionária no sistema foi feito de forma a impedir a livre concorrência. Vai ser uma nova queda de braço. Nesse jogo, dificilmente os detentores do melhor quinhão do transporte de massa saem perdendo.

SEM ENTENDER
Menos de 5% dos deputados estaduais, na opinião de um jornalista que cobre o parlamento, entendem o que é o orçamento estadual. Trata-se de uma peça complexa para balizar como caminhará o governo no próximo ano. A preocupação maior dos parlamentares volta-se para a liberação dos valores de suas próprias emendas. Gastos como manutenção da própria governadoria, com a dívida interna e muitas sinecuras é igual caixa preta para os deputados. Imagine como deve ser, então, para a população. Se cada jornalista que cobre o setor político e econômico do Estado recebesse uma cópia da proposta orçamentária o povo teria melhores condições de ficar sabendo sobre o que é ou não maquiado no tal orçamento.

OBSERVADOR
Orlando do Estácio, uma fina flor do samba rondoniense, tem um olho de lince para observar as mudanças ocorridas na sociedade. Com sua perspicácia me contou: “Não existe mais classe média na população de Rondônia. O que existe é classe pobre alta...”.
Aliás, por falar em samba, quando nosso pessoal que ganha os tubos para travestir-se de secretários da cultura reunir nossos artistas consagrados, como o próprio Orlando, num cd de divulgação da nossa cultura para aqueles que só conhecem de Rondônia o seu lado calhorda?

PL EM CANDEIAS
Palitot, que já foi titular de importante diretoria no Detran, será candidato a prefeito de Candeias do Jamary pelo PL, partido que tem o deputado Miguel de Souza como principal comandante. Ele é nome de consenso. Será a primeira vez que participará da política como candidato. Mesmo sendo noviço vai disputar com um arco de apoio muito grande, inclusive com o apoio do deputado Carlão de Oliveira. Os articuladores da candidatura de Palitot não receiam o favoritismo de Chico Pernambuco. Na opinião deles “o primeiro prefeito de Candeias” não inspira muito confiança em quem poderia contribuir para “bancar” sua campanha.

ENFRENTAMENTO
Um entrevero ocorrido ontem numa Secretaria de Estado, quando o semanário O Observador – que vem desancando a administração estadual – estava sendo distribuído mostra a dificuldade do governo em lidar com a crítica. A autoridade máxima daquela repartição impediu a distribuição do hebdomadário e ainda colocou para correr seus entregadores. Ora, atentar contra a liberdade de opinião e a circulação de informações é, no mínimo, a demonstração da falta de estratégia de quem está temporariamente no poder. Quando uma autoridade toda poderosa parte para a ação destinada a neutralizar, de forma implacável, as vozes discordantes, caminha célere para o limiar da derrota. O personagem principal da ação truculenta pode até não sair nas manchetes locais, mas ficará associado cada vez mais à incompetência.


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