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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais - 01/10/2003

30/9/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
O “FANPLÁSTICO” É UM JOSTA
Raramente perco meu tempo com as babaquices do tal “Fanplástico”. Por sorte tenho outras opções dominicais através da TV a cabo e consigo escapar dessas jostas, tão ruins e tão aceitas, mesmo assim, pelo grande público. Não sei como alguém com o primeiro grau completo; com uma casa cheia dessa parafernália toda (dvd, vídeo, tv por assinatura, home-teather e o escambau) tem saco para assistir a maioria das chatices e bobagens dominicais da “grobo”. E por falar em humor, acho que ele é mantido só para dar uma chance a alguns artistas consagrados no passado e desatualizados desses tempos hodiernos, de ter alguma maneira de fugir do ócio da terceira idade. Se o povo brasileiro não fosse “voyer” por natureza certamente não escolheria o “Fanplástico” como a anestesia para seus domingos medíocres. Meu aguçado olho crítico já pescou que ali qualquer m*, qualquer coisa completamente imbecil acaba rotulada de “jornalismo”. Talvez seja por isso que não vejo motivos para tanta indignação contra essa josta televisiva para ter comparado a nossa amada Rondônia ao verdadeiro “quintos dos infernos”. Nem acredito que absurda comparação foi fruto de míopes mal intencionados. Ela é fruto, sim, da lamentável imagem de Rondônia fora de suas fronteiras.

Como não existe preocupação dos governantes em mudar isso, através de uma política de comunicação séria, lá fora essa nossa querida Rondônia é vista como um estadinho cheio de gente que só sabe destruir a natureza, queimando a floresta para atender interesses de madeireiros e de criadores de bois. Lá fora eles os vêem como a terra do jaguncismo, da tortura de presos, da impunidade, do faroeste. Assim é fácil fazer piadas de mau gosto contra nós. Afinal não foi o governador do vizinho Acre que recentemente desceu o porrete na gente com suas observações ferinas de que não temos norte, não temos projeto, não temos nada? Ora, se até o Acre faz deboche sobre Rondônia, o que esperar da tchurma lá de baixo? E essa situação vexatória não irá mudar com nossas indignações.

Enquanto o Brasil não der pelota para nossas reivindicações, para nossas aspirações, para nossas indignações continuaremos sendo tratados como estado de categoria inferior, estado onde qualquer “vagaba” vira o rei da cocada preta, vira secretário de “orra nenhuma”, e vai por ai afora. Somente uma vez, uma única vez, Rondônia foi cantada lá fora com glamour e paixão. Foi quando a Escola de Samba Grande Rio levou o nome do Estado para o melhor desfile de samba do País. Mas naquele tempo o governador era Valdir Raupp. E ele pagou caro por tamanha ousadia.

CORRETAMENTE
Lindomar Garçom, o prefeito de Candeias, já está no partido do governador Ivo Narciso. Ele estava desconfortavelmente no PFL, mesmo após ter conseguido colocar um seu amigo na presidência do diretório municipal pefelista de Porto Velho. O prefeito candeiense compreendeu que aquela foi uma “vitória de Pirro”, que não modificava a correlação de forças internas do partido e, portanto, não criava condições para acomodar seu projeto político pessoal. Superando a tortura da dúvida de ser ou não ser candidato a prefeito de Porto Velho, Lindomar cadastrou-se no partido certo para conseguir mais apoio financeiro para tocar obras em seu município. Certamente o governador reconhece que ali está um jovem político com um resíduo de aproximadamente 18% das intenções de votos de todas as pesquisas – como afirma o próprio Garçom – de intenções de votos feitas na Capital. Assim, Garçom não deixará de ser um excelente cabo eleitoral para o candidato ungido pelo Palácio Getúlio Vargas.

SE PIRULITOU
Ernandes Amorim conseguiu escapar da prisão preventiva, segundo informes de Ariquemes, driblando uma equipe de captura da Polícia Federal. O ex-deputado, ex-prefeito e ex-senador, de acordo com os informes recebidos pela coluna, está homiziado em algum lugar da Bahia, sua terra natal, de acordo com os informes. Pesam contra o temido cacique político ariquemense acusações sérias de invasão de terras – área indígena e de preservação – e depredação do meio-ambiente para a retirada e comercialização de madeiras ilegais. Nas próximas horas o “poderoso” Ernandes Amorim será tratado como fugitivo e terá em seu encalço até a Interpol.

DOMICÍLIO ELEITORAL

O professor Moisés de Oliveira, Secretário Geral do PFL regional e diretor da Escola do Legislativo, teve regularizado o seu novo domicílio eleitoral. Agora ele integra o colégio eleitoral de Porto Velho e passa a ter direito de pleitear indicação como candidato ao pleito de 2004. O professor, irmão do presidente da ALE, deputado Carlão de Oliveira, não esconde seu interesse em disputar como candidato à prefeitura de Porto Velho.

JARU RECONHECE

O presidente da OAB-RO, Hiram Marques, não esconde sua satisfação com a homenagem recebida semana passada pelos seus colegas de Jaru, liderados pela advogada Marta de Assis Nogueira, presidente da subsecção da OAB naquela cidade. Os aplausos recebidos “pelo brilhantismo” de sua gestão à frente da entidade ocorreram durante seminário realizado naquela comarca, com o maciço comparecimento dos advogados da região. Eles consideraram que a gestão de Hiram se constituiu “num marco para a OAB cujos bons frutos germinam nas subsecções” da entidade. Ao agradecer a manifestação o presidente da Ordem disse que “mais do que nunca” continua compromissado “com a independência da OAB” e por isso “os advogados continuam unidos trilhando os mesmos caminhos das lutas” que precisou enfrentar desde o primeiro momento em que passou a dirigir a entidade.

HORA DA REVISÃO

Passados nove meses da posse do governador Ivo Narciso, é natural que a classe política e a opinião pública comece a avaliar seu desempenho. Uma análise desapaixonada, com olho técnico, mostrará que o veículo governamental andou enguiçando nas vias tortuosas do mapa social, mas, mesmo assim, não está ainda com um estado comprometedor. É claro que se pode mirar alguns problemas de funilaria e mecânica ou, se preferirem, de proposições e execuções. Nada que não possa ser recuperado com pequenos reparos e a aplicação de um brilho na pintura. Se essa máquina sofrer os ajustes e a regulagem do motor, com a troca do óleo e a mudança dos pilotos pode até, isso mesmo, alcançar a vitória nessa maratona de quatro anos.

Nestes primeiros nove meses o governo assemelhou-se a um desses carros possantes. Rodou por caminhos cheio de cobranças, de articulações, de pressões, de promessas, de folclore e de uma liturgia exacerbada onde o chapéu cruzou o atlântico e chegou ao Velho Mundo. Foram meses em que os gritos dominaram, no princípio da gestão, um cenário de imperícia política e de desafinamento. Na arena da articulação política o governo travou uma árdua disputa, onde pelo estresse acabou descobrindo a importância do diálogo. E certamente foi por isso que colheu alguns méritos importantes, como a reabilitação perante os servidores públicos, tirando do inferno aqueles milhares de degolados pela insensibilidade de seu antecessor. Conseguiu quebrar também algumas amarras promovidas por grupos e corporações com interesses subalternos, removendo entraves como no caso da nomeação de Natanael Silva para integrar a corte do Tribunal de Contas.

Ao por fim à polifonia das declarações e dos discursos com saturou os meios midiáticos, de onde a classe política pinçava as reações mais cáusticas ao estilo governamental, o governo entrou numa fase em que pode, se fizer a revisão da máquina da maneira correta, até surpreender substantivamente nas áreas dos serviços sociais que cabe ao Estado prestar ao povo. É preciso reconhecer como necessários os ajustes da máquina, para vencer o aumento da violência urbana, o desaparelhamento do sistema de saúde, a situação precária dos contingentes de excluídos das periferias.

Nada melhor após estes nove meses que animar a administração com a intimidade do conhecimento. O período de exaltação da mediocridade não precisa ser mais longo. Em nome do cansaço dos atores principais é perfeitamente possível mudar o elenco, de tal maneira que seja possível extrair qualidade e criatividade para encontrar as melhores alternativas de retomada do desenvolvimento com justiça social. Parece que a duras penas o governo se dispõe a livrar-se da síndrome de Proteu, reduzindo o exagerado formato de sua própria cabeça. Se isso acontecer, o Estado, por todos os seus segmentos, vai agradecer. Rondônia continua precisando de uma estratégia de desenvolvimento, com começo, meio e fim, com programas, projetos, ações e rotinas, tudo devidamente coordenado, interligado, que seja bom nos diagnósticos e muito melhor nas soluções. Após nove meses dá-se para trocar os ineficientes por gente com perfil realizador, gente asséptica, mais capaz de agir do que de falar. Se o governo não fizer estes ajustes, não regular sua máquina, poderá até parecer um carro lustroso, brilhante, mas não pegará nem no tranco. E ai 2006 servirá apenas para repetir a angústia das sucessões em nosso Estado.

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