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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Taborda Sem Censura

20/9/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
VELHA DIREITA
Em todos os setores da pol√≠tica rondoniense ‚Äď e n√£o s√≥ na partid√°ria ‚Äď √© poss√≠vel constatar como a for√ßa da velha direita continua exercendo forte influ√™ncia at√© mesmo sobre lideran√ßas que poderiam representar mudan√ßas nas pr√°ticas e no discurso pol√≠tico, dando-lhe utilidade pedag√≥gica para o avan√ßo de nossa sociedade nas conquistas dos dogmas democr√°ticos e da cidadania.
O intróito serve para uma breve análise sobre a disputa que se trava neste momento em torno da presidência da seccional rondoniense da OAB. Aqueles que acompanham esta momentosa disputa fora dos limites da importante categoria dos advogados imaginavam que tudo ocorreria livre da obscuridade natural nas disputas da política partidária, com os envolvidos no processo mostrando proeminência de suas inteligências privilegiadas, esculpidas não só em anos de faculdades e de atividades forenses, mas também pelo cabedal de cultura e intelectualidade que se imagina para os integrantes dessa categoria profissional, tão importante para o constante fortalecimento de nossa cidadania e do pensamento democrático.
Imaginava-se que a presen√ßa de um advogado com um passado de honrosa participa√ß√£o na pol√≠tica partid√°ria do Estado, onde desempenhou fun√ß√Ķes p√ļblicas mai√ļsculas, conferiria nessa disputa pela OAB um grau de adensamento de fatores que ajudam a fortalecer os pilares do ide√°rio de uma entidade que parece capaz de n√£o apenas exercitar, mas de fortalecer na sociedade as regras democr√°ticas e √©ticas, sem as quais a sociedade estar√° condenada √† barb√°rie. A OAB n√£o √© apenas uma entidade representativa de um segmento de profissionais liberais. Para a sociedade ela √© uma entidade ou institui√ß√£o pol√≠tica importante, cujo fortalecimento melhora o cen√°rio de cidadania no pa√≠s e no Estado.
Um fato acontecido na noite do dia 19 demonstrou que o ‚Äúespet√°culo‚ÄĚ dessa ‚Äúbatalha‚ÄĚ n√£o est√° assim t√£o centrada na id√©ia de que as coisas seriam muito diferentes das disputas eleitorais e da pr√≥pria ultima disputa em torno desse mesmo cargo de presidente da Ordem. Na verdade a maneira como reagiram partid√°rios do candidato de ‚Äúoposi√ß√£o‚ÄĚ, mandando ‚Äúrecolher‚ÄĚ exemplares de um jornal contendo uma entrevista com o candidato da ‚Äúsitua√ß√£o‚ÄĚ ‚Äď para que a tal entrevista n√£o fosse conhecida e avaliada pelos advogados-eleitores ‚Äď deixou claro que a velha direita tem for√ßa, e bastante for√ßa, na elite dona das grandes bancas advocat√≠cias do Estado.
Essa ‚Äúdireita‚ÄĚ impede que a sucess√£o na OAB seja diferente da sucess√£o nos cargos da vida partid√°ria e da administra√ß√£o p√ļblica propriamente dita. Intoler√Ęncia ao fundamental direito dos cidad√£os √† informa√ß√£o √© um p√©ssimo ind√≠cio do poder√° acontecer com a OAB local se esse pessoal da velha direita chegar ao comando da t√£o importante institui√ß√£o. Essa direita vem tentando dominar a entidade ‚Äď de onde foi desalojada h√° muito tempo ‚Äď em pleitos sucessivos sem obter √™xito. Mesmo assim n√£o se pode menosprezar sua for√ßa, pois afinal ela conseguiu, como demonstrou com sua a√ß√£o da noite do dia 19, ‚Äúdomesticar‚ÄĚ muito rapidamente uma das grandes express√Ķes pol√≠ticas do Estado, surgida dentro do movimento que combatia resqu√≠cios da pr√≥pria ditadura. √Č melhor os advogados realmente preocupados com a responsabilidade social e pol√≠tica de sua entidade maior ficar atentos. Afinal, se agem assim contra um ve√≠culo de comunica√ß√£o que nada tem a ver com a refrega interna-corporis da OAB, como se comportar√° quando assumir o poder?

COM APETÊNCIA
Quem argumentava que Carl√£o de Oliveira, deputado do PFL, n√£o daria certo na presid√™ncia do Legislativo rondoniense, porque nunca gostou muito das atividades do plen√°rio e muito menos da utiliza√ß√£o da tribuna parlamentar, est√° surpreendido com o √™xito desse pol√≠tico colocado na vida p√ļblica pelo povo de Alta Floresta, na regi√£o de Rolim de Moura. Ao entregar a ‚Äúnova‚ÄĚ Assembl√©ia Legislativa para o povo rondoniense numa solenidade festiva marcada para segunda-feira, dia 22, Carl√£o mostra ter grande apet√™ncia para administrar, para recuperar aquilo que parece n√£o ter recupera√ß√£o. Agora a pergunta que se faz √© se esta mesma vontade de provocar transforma√ß√Ķes continuar√° pelos pr√≥ximos tr√™s anos, diante da reelei√ß√£o de presidente da Casa, bastante antecipada. Sobre isso fontes muito ligadas √† mesa diretora da Casa e ao presidente garantem que antes de terminar este primeiro mandato, o deputado Carl√£o vai iniciar as obras de um novo pr√©dio do Poder Legislativo, num projeto a ser elaborado por nada mais e nada menos do que Oscar Niemayer. Eu, pessoalmente, n√£o duvido. E at√© acredito nas possibilidades de √™xito desse parlamentar.
Agindo como verdadeiro representante do povo, o presidente da Assembl√©ia, no seu estilo simples, sem afeta√ß√£o, e determinado, tam sabido marcar presen√ßa nos espa√ßos centrais e perif√©ricos, deixando na penumbra pol√≠ticos que se imaginavam pe√ßas fundamentais no processo decis√≥rio. Com menos de 10 meses √† frente do cargo de presidente do Poder Legislativo o Carl√£o colocou a Assembl√©ia Legislativa no seu grau mais elevado, desde sua instala√ß√£o. Isso lhe confere uma responsabilidade muito grande para 2006 quando ser√° lembrado, certamente, para ir ao outro est√°gio da pol√≠tica, o Pal√°cio Get√ļlio Vargas. Na sua simplicidade o parlamentar diz que isso n√£o passa por sua cabe√ßa, o que pode ser verdade. Ora, criando uma imagem de parceria com a sociedade (e nisso louve-se o trabalho bem desenvolvido pelo jornalista Ada√≠des Dada Batista) ser√° dif√≠cil fugir a esse chamamento, fruto da consolida√ß√£o de seu nome no cen√°rio pol√≠tico rondoniense, empuxado pela parcela do povo que aspira a inclus√£o social como meta maior do governo.
Eu, pelo que vi nas transforma√ß√Ķes da Assembl√©ia nesta gest√£o, j√° n√£o duvido do sucesso de Carl√£o nem mesmo na reconstru√ß√£o do PFL, partido do qual se tornou presidente do diret√≥rio regional, que quase foi √† lona v√≠tima da forte influ√™ncia de conhecidos ‚Äúcoveiros‚ÄĚ. Para fazer do partido um palco mais aberto em favor da maior integra√ß√£o da sociedade civil no processo pol√≠tico, Carl√£o ter√° de remover muitos obst√°culos, reestruturando n√£o s√≥ os quadros, mas o pr√≥prio pensamento e o ide√°rio daqueles que se acostumaram a usar o PFL como um grande guarda-chuva onde foi poss√≠vel era poss√≠vel chegar a mandatos importantes, sem votos. Esses ‚Äúpol√≠ticos‚ÄĚ gelatinosos s√£o obst√°culos que ter√£o de ser arredados pelo simples Carl√£o de Oliveira.

DIREITOS DEMOCR√ĀTICOS
A Assembl√©ia Legislativa est√° voltando √† normaliza√ß√£o de suas atividades, no pr√©dio completamente reformado. Agora se espera que a Casa trate de assuntos vitais como o cerceamento a direitos democr√°ticos e a escalada √† repress√£o √†s atividades da imprensa e de seus agentes. As intimida√ß√Ķes v√™em de setores que operam na √°rea do Direito e da Justi√ßa, atrav√©s de processos e amea√ßas de fechamento de ve√≠culos, de impedimentos para que possam circular livremente, etc. As amea√ßas praticadas contra o segmento da imprensa s√£o nefastas a toda sociedade que n√£o pode sobreviver, democraticamente, num clima de intransig√™ncia e intoler√Ęncia √† cr√≠tica. Da√≠ a necessidade da manifesta√ß√£o clara de institui√ß√Ķes como o parlamento.
Em Rond√īnia existe √© um claro movimento pol√≠tico destinado a criar terror junto aos jornalistas. Intimidados e sem meios econ√īmicos para enfrentar os interesses que patrocinam estas amea√ßas, jornalistas rondonienses assumem a alto-censura, como forma de evitar constrangimentos e inseguran√ßa √†s suas fam√≠lias. A f√ļria cens√≥ria tem se manifestado principalmente contra as pequenas publica√ß√Ķes, a tal imprensa alternativa. Os grandes tamb√©m n√£o est√£o imunes e podem ser a bola da vez. Mesmo assim prefere-se calar com medo de desagradar quem tem a caneta na m√£o e pode punir at√© economicamente, inviabilizando a vida da empresa de comunica√ß√£o. Est√£o todos mais ou menos vencidos pelo medo.
Quem promove os tais processos intimidat√≥rios s√£o agentes que contam com o escudo protetor do poder econ√īmico, corporativo ou at√© pol√≠tico. Personagens que em grande parte respondem processos por preju√≠zos de milh√Ķes ao er√°rio e nem por isso perdem a influ√™ncia diante dos chamados vigilantes da Constitui√ß√£o Democr√°tica.


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