Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro


 

Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais - 14/09/2003

13/9/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
POUCOS MORTOS
Recentemente o Detran local lançou uma campanha educativa procurando chamar a atenção dos ciclistas para o perigo de transitarem com suas “magrelas” com a cuca cheia daquela água-que-passarinho-não-bebe. A campanha, necessária há tempos, foi lançada após minucioso levantamento estatístico onde aquela autarquia comprovou o óbvio: os ciclistas são responsáveis por boa parte dos altos índices de acidentes no trânsito, principalmente no trânsito de Porto Velho. É assustador, explicava César Cassol, o número de ciclistas mortos ou mutilados nesse confronto entre o automóvel e o veículo de duas rodas com tração humana. Na verdade, as loucuras praticadas no trânsito da Capital deveriam motivar campanhas educativas não só para esse pessoal. Também os motoqueiros – e hoje é surpreendente o número de motoboys costurando o trânsito, acelerando perigosamente, avançando como se fossem enguias por estreitíssimos becos entre os carros, fritando pneus – deveriam ser motivo de uma campanha educativa. É impressionante vê-los pilotando suas perigosas máquinas, tirando uma fina aqui, escapando de um choque acolá, fazendo uma ultrapassagem com malabarismo mais na frente, e lá vão eles entregando pizzas, remédios, etc, e escapando milagrosamente de novos acidentes de trânsito.

As estatísticas do Detran podem ter assustado o diretor da autarquia, pelo volume de ciclistas mortos no trânsito, mas na verdade, para quem dirige todos os dias pela cidade, a conclusão só pode ser outra: morre muito poucos ciclistas e motociclistas em nosso trânsito. Pelo que eles – em sua grande maioria – fazem no trânsito, era para morrer muito mais. Seria fácil para qualquer fiscal do Detran colher imagens das burrices que esse pessoal pratica no trânsito para ilustrar uma campanha de impacto, tentando minimizar o problema. Reparem as manobras arriscadas (tanto de ciclistas como de motociclistas), os ziguezagues por entre os veículos, a velocidade (só ciclistas, é óbvio), o desrespeito aos sinaleiros, às faixas, etc. No caso das motos a situação é pior, pois elas são veículos “automotores” e, portanto se enquadram, como os automóveis, nas leis do trânsito.

E as faixas. Santo Deus, as faixas! Na verdade nesse quesito até mesmo uma grande parte dos motoristas de Porto Velho parece não saber para que elas servem. É certo que as benditas faixas no trânsito dessa capital não recebem a necessária pintura há muito tempo, principalmente aquelas traçadas longitudinalmente ao longo das ruas e as que deveriam sinalizar as lombadas. Muita gente, muita gente mesmo, ignora que as tais faixas servem para separara as pistas de rolamento, para indicar onde as conversões e as ultrapassagens podem ser feitas.

Este colunista está cansado de assistir motoristas invadindo sem mais nem menos, sem pelo menos ligar a seta do carro, a faixa alheia, quase provocando batidas. Enquanto ciclistas (em maior quantidade) e motociclistas demonstram não ter o menor apreço pela própria vida e nem pela dos outros, “motoristas” de Porto Velho “estacionam”, literalmente, defronte ao semáforo. O sinal abre e só ai ele vai pensar que marcha engatar e para que lado de ir, isso depois de entortar o pescoço para acompanhar, por mais tempo, uma bunda rechonchuda que desfila despreocupadamente, ou desligar o celular onde falava despudoradamente.

Hora do rush e lá vou eu no rumo do Quatro de Janeiro. À minha frente um velho numa velha Brasília (o que tem de lixo rodando em nossas ruas não está no gibi) caindo aos pedaços, brincando de andar literalmente no meio da rua, sem ocupar nenhuma faixa específica. Ele não se importava nadinha comigo e nem com os números motoristas que lotavam a rua naquele horário impedidos de avançar, porque o velho da Brasília velha não sabia que a faixa da esquerda deveria ser utilizada pelos veículos mais rápidos. Buzinei e o velho pareceu surdo. Continuou como se a rua fosse só dele, zombando da minha impaciência.

Outro dia uma dessas mulheres emperiquitadas (como é que os colunistas sociais costumam chamá-las?) pilotando um Audi novinho em folha na José Caula, ziguezagueva de uma faixa para outra. Quando o sinal fechou nossos carros ficaram emparelhados. Então não agüentei e disse: “A senhora está comendo faixa pra chuchu!”. Recebi em troca um daqueles gestos obscenos com sorriso zombeteiro de quem acha que pode fazer tudo porque tem muito dinheiro.

POR TRÁS DOS PANOS
Em política não dá para se duvidar dos acertos mais absurdos, mais surrealistas. Os que jogam profissionalmente nessa seara estão sempre olhando um pouco mais à frente do que os simples eleitores, conscientes de que no Brasil a política é como um teatro do absurdo, onde pela vitória vale tudo. Por isso não é de se estranhar que próceres do ex-governador estão infiltrados na candidatura de Mauro Nazif. Quem diria que a construção do programa de governo do “esquerdista” do PSB está sendo feito com a colaboração de um Lacerda, até recentemente subsecretário do Planejamento estadual? Pois é! Esta participação permite concluir que José de Abreu Bianco está apostando suas fichas na vitória do PSB, com o dr. Mauro tornando-se prefeito de Porto Velho.

Se no passado recente Carlos Camurça dizia que “só não apoiaria”, em hipótese alguma, uma candidatura amarrada a JB, hoje é bem possível ver o prefeito apoiando mesmo o coronel Valnir Ferro, nome até recentemente ligado ao ex-governador, de quem foi o último Secretário de Estado da Defesa e Cidadania. E tudo isso porque JB não perdeu ainda as esperanças de retornar ao poder em 2006, com uma rápida passagem pela prefeitura de Ji-Paraná, onde tem tudo para vencer em 2004.

Essa tragédia cênica pode acontecer, na visão de seus autores, por simples aspectos de avaliação. Acreditam os autores dessa peça teatral que o governo Ivo Narciso chegará ao final de seu mandato completamente exaurido, com um desgaste que inviabilizará sua reeleição. Na imaginação desses “novelistas” é importante colocar Mauro Nazif na prefeitura da Capital porque, segundo entendem, “ele fará uma administração desastrosa” inviabilizando-se para o grande vôo rumo ao Palácio Getúlio Vargas ou ao Senado. Nessas elucubrações visualizam “um caminho mais fácil para José Bianco retornar ao cimo do poder” ou ao próprio Senado. Bastará, na avaliação desse time, que JB ganhe as eleições em Ji-Paraná e faça qualquer coisa, retomando seu antigo prestígio, “pois Ji-Paraná ficará satisfeita com qualquer pequena obra (um asfaltamento, por exemplo) capaz de livra-la da tragédia promovida pela atual administração”.

As viúvas políticas de JB estão vibrando com o anunciado apoio de Camurça a Ferro. Imaginam que o prefeito da Capital não conseguirá – como diz – transferir tantos votos “a ponto de eleger um poste”. Sem fazer o sucessor, Camurça enfraquece seu poder de manipulação política e também perde o grande passaporte para ir de volta a Brasília, como Senador, ou mesmo para chegar ao Palácio Getúlio Vargas. É, certamente, um jogo intrincado, onde cada lance deve ser avaliado à exaustão. Mas as mexidas nesse verdadeiro tabuleiro de xadrez mostram que tudo em 2004 é só uma passagem para a disputa de peso, que acontecerá em 2006, onde JB pretende estar novamente.

O PT NO JOGO
No PT a ordem já foi dada por José Genoino, o presidente dos barbudinhos a nível nacional: “Tudo pela vitória”. Daí a ânsia com que os petistas caíram de assalto na tomada da maioria dos cargos federais aqui no Estado. Eduardo Valverde, hoje o deputado federal do PT rondoniense com maior prestígio, se inclui na meta do partido de eleger os prefeitos da maioria das capitais. Ele crê, piamente, que seu partido estará capacitado a fornecer-lhe munição sem limites para dar-lhe uma vitória acachapante na nossa Porto Velho. O PT sabe como pode ser diferente uma campanha onde não haja limitação de recursos. Afinal, não foi assim que chegaram ao poder? Não foi assim que a agente-administrativa Fátima Cleide tornou-se senadora? Não é sem propósito que o PT tem procurado garantir para si praticamente todos os cargos federais.

Com a cultura do dízimo vertical, onde seus quadros são obrigados a contribuir com o partido, o PT não precisará mais de fazer acordos como o feito aqui com o mega-empresário Assis Gurgacz. Com o dinheiro recolhido dos petistas alojados nos empregos federais haverá dinheiro de sobra para o insólito programa de consolidação do poder nas mãos dos barbudinhos. Esse domínio pleno do PT em Rondônia não é difícil de ser obtido, aliás, tornar-se-á fácil se promessas como as das hidrelétricas do Madeira e o gasoduto de Urucu tornarem-se algo palpável e real pela opinião pública. O partido em Rondônia poderá, como alertou recentemente o companheiro Paulo Queiroz, abrir suas portas às filiações desmesuradas, sem conteúdo ideológico, mas não abrirá mão da formação de seus quadros, como sempre fez. No fundo o PT está procurando aplicar conceitos stalinistas na metodologia de ocupar espaços. Daí ser pura burrice não avaliar como possível a vitória de um “camarada” com a simpatia de Valverde. Do papel do governador Ivo Narciso nesse processo todo, falarei brevemente.

Nenhum comentário sobre esta coluna

Mais colunas de Gessi Taborda
Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13


Últimas Matérias
Publicidade: