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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

EM LINHAS GERAIS - 3/08/2003

2/8/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
AS MUDANÇAS... PARA PIOR
Quando cheguei a Rondônia, há mais de duas décadas, encontrei em Porto Velho uma cidade onde a cultura popular era não só valorizada, mas altamente produtiva. Víamos aqui um excelente carnaval de rua, com pelo menos duas escolas bem estruturadas, levando para as ruas enredos bem elaborados, com foliões de verdade. Nas suas comissões de frente estavam lideranças políticas, sociais e econômicas. Ainda retumba nas nossas reminiscências enredos como o “Ceará de Iracema” da Pobres do Caiary, então presidida pelo empresário Chagas Neto. Uma produção que ficava devendo muito pouco para, sem exageros, algumas escolas de samba do Rio de Janeiro. Na área do teatro, tínhamos entre vários nomes, o Django que chegou a coordenar um grupo teatral amador dos mais importantes, dentro de um espaço onde hoje funciona a Rádio Boas Novas. Ali funcionava uma verdadeira escola de artes cênicas, uma verdadeira oficina de bonecos. As peças encenadas pelo grupo tinham público extremamente engajado. Nomes como o de Bedotti ganharam respeito e notoriedade a partir daquela iniciativa. Nossa produção literária também era marcante não só com os nossos historiadores e poetas, mas com ensaístas, contistas, etc. As entidades representativas da cultura promoviam importantes saraus e graças ao professor Luiz, chegamos a ter ótimos recitais de música clássica, mostrando a existência de talentos que permitiam a composição de excelente orquestra de Câmera.

Quem saia na noite não ficava decepcionado. Porto Velho oferecia desde casas especializadas em boleros e samba-canção, como o Justino, até endereços onde a boemia era cultuada com o melhor requinte do bom gosto, como foi a própria Taba do Cacique, do Carmênio. E havia ainda os locais que davam importância aos talentos da terra, como foi a Pizzaria Avenida, do Michael Esber, onde nomes como o do Nonato do Cavaquinho foram revelados até para outros estados. Não tínhamos um Aeroporto Internacional, mas tínhamos uma Churrascaria Acapulco onde era possível ver o desempenho de artistas como o Juanito e sua Harpa mostrando músicas guarânias inesquecíveis do Paraguai e todo um repertório latino que encanta as pessoas de bom gosto.

Na noite era comum encontrar os “homens do poder”. Desde um Chiquilito Erse, um Tomaz Correia, um Heitor Costa, os petistas Odair Cordeiro, Agmar Piau, José Neumar e toda a inteligentsia da Unir (até mesmo seu reitor) em botecos como o inimitável Bangalô. As casas de espetáculos (e ai incluo as que criei, como o Excalibur e Sintonia do Amor) estavam sempre animadas, com shows que deixavam nossos turistas (até os visitantes internacionais) embasbacados com tanta atividade noturna. No D’Graus nomes consagrados na música brasileira se apresentavam com freqüência. Porto Velho foi uma cidade que praticamente não dormia. Uma capital que tinha inclusive movimentado cassino no Bairro da Lagoa. E tudo isso numa época de forte racionamento de energia elétrica e de todas as limitações urbanas de uma cidade que tinha um índice de crescimento demográfico espantoso.

Lamentavelmente todo esse sistema cultural e de lazer foi desmontado. A noite de nossa Capital não chega a ser um arremedo daquele passado recente. No lugar das nossas melhores atividades culturais e artísticas colocaram eventos que não tem outro objetivo senão o de destruir o que ainda resta de nossa verdadeira identidade. Na prática o sistema que controla as possibilidades culturais de nossa Capital está a serviço de um pequeno punhado de pessoas ansiosas pelo dinheiro fácil, que promovem os famigerados carnavais fora de época ou promoções desse roque alienígena, responsável pela sangria do dinheiro que deveria circular por aqui e acaba sendo levado para fora por estas “bandas” que nada acrescenta ao nosso panorama musical.

Após estas atividades predadoras que acabam recebendo apoio público a queda na vendo comércio local torna-se mais acentuada, a inadimplência aumenta, a prestação de serviço sofre enorme retração. E ninguém mostra interesse algum em combater esta embromação. A vida noturna de Porto Velho caiu imensamente em qualidade e diversificação. Os restaurantes, jogados às moscas, fecham cedo por falta de clientes, as casas de espetáculos não saem da mesmice, numa logística cujo caminho final é a falência.

Milhares de empregos ofertados no passado pelo segmento de cultura e lazer foram para o beleléu. O sucateamento constante do setor fez com que Porto Velho deixasse de ser um referencial para aqueles que vinham buscar o exotismo e bucolismo de uma capital genuinamente amazônica. O drama pode ser sentido hoje com o crescimento da violência urbana, do consumo de drogas e do malogro dos projetos que tentam recuperar nossos anos dourados. Resumo da ópera: a realização destas promoções que visam apenas engabelar jovens sem engajamento algum, alienados de tudo, atrofiados na compreensão da realidade e do futuro é como se fosse um tiro no pé dado pelas entidades públicas que estimulam tanta mediocridade.

Enquanto beneficiários dessa operação de quebra de nossa melhor tradição tenta, perante o poder e a opinião pública, justificar que o tal carnaval temporão, a apresentação de coisas como “Calcinha Preta”, etc, servem ao propósito de fomentar o turismo da Capital, cidades como a pequena Parati (RJ) ganham destaque internacional com a realização do festival de escritores e Tatuí (SP), com seus excelentes conservatórios, ganha destaque como capital da música, atraindo levas de estrangeiros. E o que não falar de Parintins, sem estradas, sem hotéis, sem aeroporto, que chama a atenção do mundo pela manifestação de sua cultura genuína. O consolo está em saber que Rondônia pode tirar lições dessas verdades parando com esta mania suicida que nos transforma numa cidade onde a noite está cada vez mais agonizante.

VAI COMEÇAR

O diretor geral do Detran, César Cassol, profundo conhecedor das entranhas da administração pilotada por seu irmão, assegurou a este colunista que “apesar dos torpedos vindos de todo lado”, o Estado de Rondônia, sob o comando de seu mano, vai superar e crise para dar início a partir desse segundo semestre a um grande processo de desenvolvimento. Para ele até “alguns desafetos que torcem pelo quanto pior melhor” acabarão reconhecendo os acertos do novo governo, que se traduzirão em grande avanço social no estado.

OCAMPO APOIA

Afastado há tempos da política de fomento à cultura do município, o secretário do meio-ambiente, Antonio Ocampo, nunca deixou de prestigiar os melhores artistas da Capital, nas diversas modalidades. Ocampo é cultor das atividades culturais devido à sua fina educação. Agora mesmo ele surge com uma idéia reunindo o útil ao agradável: vai convidar o artista plástico Nonato Cavalcante para colocar seu talento em consonância com a beleza natural do Parque Ecológico Municipal, um lugar que ganhou novas feições desde que Antonio assumiu aquela secretaria especializada. Ele pretende estimular o artista a colocar parte de sua criação num leilão de artes para ajudar a campanha da primeira dama Lorena Camurça em seu esforça para a conclusão do Hospital do Câncer de Rondônia. Mais uma vez o secretário Ocampo se mostra indispensável para o desenvolvimento cultural de Porto Velho. Certamente obterá o apoio não só do prefeito Carlos Camurça, mas de todos os personagens envolvidos no fomento das artes rondoniense.

MUNICIPALISMO

A Associação dos Municípios do Estado de Rondônia, Arom, presidida por Carlos Magno, prefeito de Ouro Preto, ganhou forte apoio em sua luta para melhorar o valor das parcelas do ICMS que cabe aos municípios dentro da chamada reforma tributária em curso no país. Na última sexta-feira o presidente da Assembléia, Carlão de Oliveira, reafirmou sua posição de defensor do municipalismo, garantindo seu engajamento na defesa dos pontos de vistas defendidos pela Arom. Sem uma melhor distribuição das parcelas do ICMS, disse Carlão, os municípios ficam sem condições de prestar o necessário atendimento aos seus moradores. Municípios fracos acentuou Carlão, não permite que o Estado retome seu pleno desenvolvimento. O encontrou entre o presidente da ALE e a cúpula da entidade se deu na sede da própria Arom.

VOCE ESCOLHE

Se você é daqueles que faz interurbano com freqüência, ai vai uma dica para ajuda-lo a economizar na conta telefônica. No endereço eletrônico www.sistemas.anatel.gov.br estão os preços cobrados pelas diversas operadoras, para cada destino da ligação.

ABCZ TERÁ CURSO
Reconhecendo a importância de Rondônia na pecuária nacional, a Associação Brasileira de Criadores de Zebu, com sede em Uberaba (MG), realizará na cidade de Ariquemes (RO) o seu concorrido Curso de Julgamento de Zebuínos, no final desse mês. Serão três dias de aula, em regime intensivo, onde os participantes, de 28 a 30 do corrente aprenderão, na prática, a selecionar um bovino com base na análise visual. O curso será ministrado na Agropecuária Nova Vida. Ele é destinado a empresários da pecuária, veterinários, zootecnistas e agrônomos. Os interessados em maiores informações sobre este curso, que na sede da ABCZ só acontece uma vez por ano, devem telefonar para (34) 3319-3920, 3319-3824 ou 3675-1818.

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