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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  s√°b,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

EM LINHAS GERAIS - 30/07/2003

29/7/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
INSENSIBILIDADE
A pereniza√ß√£o de certos agentes p√ļblicos em determinados cargos, uma praxe em nossa Rond√īnia, mostra-se danosa para os interesses p√ļblicos. √Č como se tais pessoas chegassem √† conclus√£o que s√£o “donos” dos gabinetes que ocupam anos a fio, ultrapassando diversas gest√Ķes e, por isso, os problemas da coletividade n√£o lhes tocam mais a consci√™ncia. √Č uma pena o medo de certos Executivos em buscar, atrav√©s da renova√ß√£o de seu staff, a oxigena√ß√£o das id√©ias e das a√ß√Ķes, dando chances aos novos valores que nossa sociedade vem produzindo, especialmente depois que Porto Velho tornou-se importante centro universit√°rio. N√£o √© dif√≠cil encontrar exemplos dessa realidade. Este deve ser, por exemplo, o caso de Kuroda, que responde pela Semob, de Porto Velho h√° muito tempo, sobrevivendo v√°rias gest√Ķes. Ele perdeu a sensibilidade de pelo menos responder a maioria das reivindica√ß√Ķes populares, alimentando as esperan√ßas daqueles que pagam seus impostos e que n√£o esperam nada mais dos titulares de cargos do que as obriga√ß√Ķes que lhes s√£o inerentes. O senhor Kuroda mora no Conjunto 22 de Dezembro, muito pr√≥ximo ao local onde a ponte (na rua Barbados) ligando seu bairro ao Calama e, por tabela, √† avenida Guapor√©, foi destru√≠da h√° mais de um ano. Ele sabe que a tal ponte sempre foi constru√≠da e conservada pela comunidade que, agora, est√° exaurida e n√£o pode mais arcar com esta responsabilidade, sozinha. Mesmo conhecendo de perto esta situa√ß√£o, mesmo tendo sido procurado e alertado diversas vezes sobre esta reivindica√ß√£o, o senhor Kuroda segue imp√°vido, est√°tico, sem apresentar nem mesmo uma desculpa esfarrapada aos moradores daquele local, que reivindicam direitos que s√£o seus. O senhor Kuroda est√° vivendo aquele processo de estafa do cargo, sentindo certamente melhor quando escondido do povo por detr√°s de seu sisudo gabinete. Por isso o sr. Kuroda n√£o tem mais – depois de tantos anos de dom√≠nio naquela Secretaria – animo para oferecer qualquer resposta aos cidad√£os, mesmo √†queles que moram pr√≥ximos de suntuosa vivenda. E, claro, n√£o ter√° mais nenhuma vontade de lutar, ao lado do pov√£o, para que suas justas reivindica√ß√Ķes acabem sendo atendidas. Manter o senhor Kuroda no cargo por mais tempo √© aplaudir a insensibilidade e premiar a insensatez.

CONVOCAÇÃO
A divulga√ß√£o de parte do relat√≥rio da sindic√Ęncia especial feita pela Infraero no Aeroporto Internacional Governador Jorge Teixeira, de Porto Velho, confirmando den√ļncias de cartas marcadas em licita√ß√Ķes de obras e servi√ßos, visando proteger empresas comandadas por “laranjas” e amigos do Infraero em Porto Velho n√£o esgota o assunto de corrup√ß√£o na constru√ß√£o do tal aeroporto internacional. Pelo menos um funcion√°rio da Infraero em Porto Velho viajou ontem para Bras√≠lia, onde prestar√° novos depoimentos sobre o caso. As investiga√ß√Ķes ser√£o feitas, tamb√©m, pelo Tribunal de Contas da Uni√£o e pelo Minist√©rio P√ļblico Federal, segundo comentou uma fonte.

REFLEXO
O deputado Carl√£o de Oliveira, presidente da Assembl√©ia Legislativa, nos poucos meses de gest√£o est√° mostrando √† opini√£o p√ļblica que √© um pol√≠tico determinado a assegurar a altivez do poder legislativo. Essa sua preocupa√ß√£o manifesta-se at√© mesmo na reforma (reconstru√ß√£o) da sede do parlamento, que tem um car√°ter m√≠stico da soberania f√≠sica das Casas do Povo. Ent√£o n√£o h√°, pela sinaliza√ß√£o fornecida pelo presidente Carl√£o, motivos para se temer que a aproxima√ß√£o (negocia√ß√£o) de parlamentares com o Executivo (governador) v√° repetir o papel√£o de colocar novamente o parlamento de quatro, numa posi√ß√£o servil, como j√° aconteceu tantas vezes.
Como delegados de expectativas vision√°rias da sociedade, √© natural que cada gesto, cada manifesta√ß√£o, cada especula√ß√£o de acordo entre deputados e governo acabe motivando press√°gios de que esta aproxima√ß√£o tenha objetivos negocistas, algum tipo trapa√ßa que gere benef√≠cios ao parlamentar e n√£o √† sociedade, custeados pelo ba√ļ da vi√ļva. Tudo garante, neste momento, que o deputado Carl√£o de Oliveira manter√° a estatura consistente de um verdadeiro chefe do poder mais importante da democracia, consciente de que qualquer forma de adesismo coloca em risco a necess√°ria independ√™ncia dos poderes.
Uma afirmação do deputado Ronilton Capixaba a este colunista Рdurante um almoço Рgarante que a negociação entre deputados e o chefe do Executivo não foi feito na base da troca de favores e vantagens. Ele garantiu estão tão livre, após o acordo, como antes para se posicionar contras as bizarrices que conspurcam e comprometem a essência da prática política voltada para alcançar benefícios sociais.
Por sua parte o deputado Carl√£o de Oliveira sabe que n√£o h√° poder legislativo que se fa√ßa respeitar se agir a reboque do Executivo ou de quaisquer outros interesses que n√£o tenham justificativa nas necessidades do povo. Carl√£o tem reafirmado sempre que a Assembl√©ia n√£o agir√°, sob o seu comando, como um Poder inerme, fr√°gil e vazio, sucumbindo √†s coa√ß√Ķes, como aconteciam em passado n√£o muito distante. A negocia√ß√£o dos parlamentares n√£o incluiu as prerrogativas da institui√ß√£o. O parlamento dever√° se comportar – com Carl√£o √† sua frente – com coragem e altivez e n√£o como um simples carneirinho, e n√£o para apenas dizer am√©m. O povo espera muito dos parlamentares e certamente saber√° avaliar aqueles que vierem a praticar traquinagens para se perfilar ao lado do Executivo.

DIREITO DE RESPOSTA
O seman√°rio O Observador, de Cacoal, publica na edi√ß√£o desta semana o Direito de Resposta exercido pela Cassol Ind√ļstria e Com√©rcio de Madeiras Ltda, assinado por Ivone Mezzomo Cassol (que vem a ser a primeira dama do Estado) como s√≥cia-gerente da empresa, desmentindo as den√ļncias de que os empreendimentos do grupo, especialmente na √°rea da gera√ß√£o de energia, tem provocado desequil√≠brio ambiental ou altera√ß√£o na vida das tribos ind√≠genas que vivem pr√≥ximas √†s PCHs em implanta√ß√£o pelo grupo empresarial ligado ao governador. No Direito de Resposta exercido pelo grupo Cassol, quem acaba sendo responsabilizado por agress√Ķes √† natureza e aos √≠ndios √© uma PCH da El√©tron, empresa com sede na Bahia.

PREDADORES RURAIS
Como pode existir conflito de terra num Estado novo como Rond√īnia, possuidor de uma √°rea territorial compar√°vel √† S√£o Paulo e com uma popula√ß√£o que n√£o chega a ser a de uma cidade paulista, como Campinas? Os conflitos, que geram cad√°veres – na maioria dos pobres, dos exclu√≠dos do direito √† terra – s√£o a express√£o mais eloq√ľente da fal√™ncia dos programas de assentamento e da t√£o falada reforma agr√°ria. Rond√īnia √©, portanto, um reflexo n√≠tido do que acontece em todo o Brasil. Embora a coloniza√ß√£o de nosso Estado seja recente, aqui tamb√©m estamos permitindo que a elite monstruosa v√° se solidificando e tomando conta de tudo, controlando a maior parte da terra dispon√≠vel para a produ√ß√£o de alimentos. Os nossos latifundi√°rios n√£o se diferenciam daqueles do restante do pa√≠s. Exigem o policiamento ostensivo sobre os que lutam para ter um peda√ßo de terra onde viver e apresentam-se como v√≠timas dessas hordas de miser√°veis que buscaram Rond√īnia – ent√£o chamada de √ļltima fronteira agr√≠cola – como a nova Cana√£, a terra das oportunidades. Falam sobre o sucesso do agroneg√≥cio conduzido por eles e desqualificam a capacidade dos deserdados de promoverem o desenvolvimento da produ√ß√£o.
Essa hist√≥ria de que os grandes propriet√°rios s√£o realmente os respons√°veis pelo “sucesso” do agroneg√≥cio n√£o passa de uma fal√°cia e uma mentira passada √† sociedade por uma m√≠dia comprometida com os poderosos. O Brasil tem 25% da √°rea agricult√°vel do planeta. Pelo 11% dessas terras s√£o controladas por estes grandes propriet√°rios, por latifundi√°rios que est√£o presentes at√© em regi√Ķes remotas como o Vale do Guapor√©, onde gente que nem mora em Rond√īnia controlam milhares de hectares que praticamente n√£o produzem nada, mas servem inclusive para o contrabando de gado. A realidade brasileira √© muito diferente daquele que nos pretendem passar.
O Brasil tem 360 milh√Ķes de hectares agricult√°veis. A China tem apenas 60 milh√Ķes. Entretanto, n√≥s produzimos 110 milh√Ķes de toneladas de gr√£os – praticamente soja e caf√© – e eles produzem quase um bilh√£o. Isso mesmo, com um sexto de nossas terras, eles produzem oito a dez vezes mais. Se tiv√©ssemos a distribui√ß√£o de terras e a compet√™ncia dos chineses, dever√≠amos estar produzindo aproximadamente cinco bilh√Ķes de toneladas de comida. √Č s√≥ fazer as contas. A√≠ est√° a comprova√ß√£o de que esta “elite” latifundi√°ria √© predadora. √Č ela que devasta as florestas, que agride a biodiversidade, que complica a vida dos √≠ndios e que gera esse clima de inseguran√ßa na √°rea rural. Se nosso pol√≠ticos n√£o enxergarem esta realidade, se manter esse preconceito com rela√ß√£o aos deserdados do campo, veremos aqui em Rond√īnia, num futuro n√£o muito distante, um verdadeiro acerto de contas entre o pov√£o e essa “elite” vesga.

IDENTIFICADOS
O governo vai mesmo realizar mudan√ßas no seu alto escal√£o. Ivo j√° identificou quem rema a favor e quem rema contra sua administra√ß√£o. Mas o governador deve ter cuidado para n√£o continuar dormindo com o inimigo. Ao seu lado, de acordo com analistas pr√≥ximos da corte, um personagem que se apresenta como verdadeiro “amigo”, inclusive coordenando importantes a√ß√Ķes no campo da pol√≠tica, √© um conhecido pol√≠tico que n√£o tem o menor compromisso com Rond√īnia e h√° muito tempo s√≥ age em benef√≠cio pr√≥prio, em a√ß√Ķes de lesa-estado para aumentar seu j√° fabuloso patrim√īnio. Esse pol√≠tico que sempre ficou do lado que a vaca deita – desde que o Estado passou a ter governadores escolhidos pelo voto, come√ßa dando uma de colaborador, sem exigir reciprocidade, mas depois domina tudo. Este personagem foi um dos que, no princ√≠pio, estimulou o governo a se jogar contra tudo e contra todos. Agora mudou a t√°tica e age como pacificador. Enquanto isso o ba√ļ da vi√ļva vai despejando milh√Ķes em seu dinheiroduto.

SER√Ā?
Ontem um observador da política de Porto Velho comentava para o colunista que nosso prefeito não está nem ai para a disputa da prefeitura municipal em 2004. O que camurça pretende, se Ivo for candidato à reeleição, é disputar o senado em 2006. Por isso prefere mais buscar alianças que tornem possível seu projeto político do que lançar candidato próprio pelo seu partido, o PDT.

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