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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

EM LINHAS GERAIS - 20/07/2003

20/7/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
VAI SAIR
Gato escaldado com água quente tem medo de água fria. Confesso minha dificuldade pessoal em acreditar nas promessas de governo, de qualquer governo. Mas, por mais paradoxal que possa parecer, não sinto aquela comichão da dúvida diante da promessa da construção de pelo menos uma grande hidrelétrica no Rio Madeira, aqui em Porto Velho. Há, pelo que tenho ouvido, um compromisso inarredável do próprio presidente Lula da Silva em torno dos investimentos para o setor elétrico, onde se destaca essa hidrelétrica e uma outra no rio Xingu. Estas duas obras estão orçadas em cerca de R$ 38 bilhões. Em nosso caso, é impossível conter o sentimento de euforia. Afinal tudo sinaliza para uma mudança importantíssima no crescimento econômico de Rondônia e nos leva a alertar nossa população para a importância de estar preparada para auferir, com esta obra, as oportunidades que surgirão dentro de no máximo uns dois anos, quando efetivamente as obras deverão ser iniciadas.

Fala-se que este empreendimento para melhorar a infra-estrutura do país vai gerar, de imediato, cerca de 20 mil novos empregos diretos em Porto Velho. Isto seria a redenção de nossa lavoura se nossos desempregados tivessem o preparo técnico-profissional para ser convocados a ocupar as tais vagas. Porém, e sempre tem um porém, a realidade é bem outra. Uma autoridade da área econômica, conhecedora da realidade de nossos trabalhadores, alertou a coluna de quem “não deverá ultrapassar a casa das 1.500 pessoas” o número de desempregados que poderiam ser absorvidos neste mega-projeto. O alerta é importante porque deve motivar já os nossos governantes, de todos os níveis, a implementar com rapidez cursos de formação profissional para evitar que as empresas responsáveis pela construção da tal hidrelétrica acabem importando a maioria dos trabalhadores, mantendo inerme a situação de desemprego de nossos concidadãos.

Mas não é necessário apenas preparar a mão de obra entre nossa gente. É preciso também que os empreendedores locais se conscientizem de que estes projetos anunciados com tanta ênfase não são mais um blefe da classe política. Há, agora, uma garantia do governo petista nacional de que o sonho será transformado em realidade. Ora, um investimento dessa envergadura mudará, certamente, por completo a realidade em que vivemos. Quem não estiver preparado para esse grande impacto econômico e social continuará tão excluído de seus benefícios como agora.

É PRECISO SABER
Há fatos que têm sido escondidos do noticiário da grande imprensa estadual com bastante habilidade, para atender os interesses dos principais cartéis formados em Rondônia, especialmente aquele que controla a venda e a distribuição de remédios e de combustíveis. É preciso, portanto, que as CPIs que funcionarão na Assembléia Legislativa, com maior intensidade a partir de agosto, revele a cara daqueles que são responsáveis pelas maiores evasões de divisas da receita estadual, bem como revelar quando tudo começou.

Algumas “figuraças” que fascinam colunistas sociais – principalmente na hora de distribuir estes prêmios manjados dos esquemas de caça-níqueis – são autênticos camaleões. Estão multimilionários e fingem que suas fortunas vieram do trabalho e não dos saques ao erário, da prática do crime do colarinho branco.

Se estas CPIs promoverem, como se espera, a necessária devassa, descobrirá que em Rondônia funciona uma imensa lavanderia de dinheiro sujo. É preciso revelar as conexões destes “empresários” com o governo, conexões que não começaram agora. É preciso desmascarar os esquemas destes espertalhões, que se dizem empresários, com o governo que acabaram redundando em supermercados, distribuidoras de combustíveis, monopólios de segurança privada, negócios especiais de transporte aéreo, cartel de remédios e até de fornecimento de água mineral.

Na área de segurança privada, por exemplo, é forçoso reconhecer a habilidade de três figuras, com destaque especial para um ex-deputado federal, para construir um esquema que hoje é, certamente, o maior dinheiroduto do Estado. Uma verdadeira incubadora de projetos de sucção dos dinheiros públicos nasceu da esperteza destes senhores, com dutos específicos em áreas como a da comunicação e até de agências de viagens. Esse bando que vivia como pés-rapados à cerca de 30 anos, hoje vivem nababescamente graças à generosidade da viúva.

É preciso que todos façam parte do leque de atenções dos membros das diversas CPIs criadas na Assembléia Legislativa. Se estas Comissões não chegar àqueles que continuam gerenciando a farra desses contratos que mascaram a notória corrupção, o Estado continuará sofrendo a rotina dos dolos e das perdas para garantir a tranqüilidade, a vida principesca, destes personagens que continuarão rindo da sociedade enquanto recebem os tais botos de ouro, quando na verdade deveria receber, isto sim, candirus pelo reto. As CPIs poderão revelar escândalos antigos e de agora, que o povo precisa saber. Os deputados terão, certamente, de fazer inquirições impiedosas a estes personagens que ficaram milionários em circunstâncias misteriosas, nos grandes esquemas de desvios e corrupção ancorados serenamente em conhecidas áreas governamentais.

SITUAÇÃO COMPLICADA
O prefeito de Candeias do Jamary, Lindomar Garçon, alinha-se junto à grande maioria dos alcaides que não concordam com a queda no repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que girou em torno de 43% entre maio e julho. Para ele os políticos de Brasília e os governadores que negociam as reformas não podem esquecer que o atendimento do cidadão acontece na ponta, ou seja, no município, onde a situação é cada vez mais insustentável diante da injusta repartição da receita. Garçon defende que parte da receita da CPMF e do imposto sobre combustível (Cide) seja destinada aos municípios. Na questão dos repasses, vários prefeitos têm afirmado para coluna que “o governo estadual não repassa o que deve para as prefeituras” e isto tem contribuído para piorar a situação da saúde e da educação.

UMA BELEZA
Está ficando uma beleza, com as reformas empreendidas pelo presidente Carlão de Oliveira, o prédio da Assembléia Legislativa. Além da suntuosidade e da funcionalidade, o prédio deixa de ser aquela coisa acanhada que depunha contra Rondônia ao ser apresentado como a sede de um poder da importância do Legislativo. Com esta reforma – que deve ser definitiva – poderá tornar-se desnecessária a construção de um Palácio do Legislativo, um objetivo até recentemente defendido pelo presidente daquele poder. Espera-se que ao término das reformas a Assessoria de Imprensa da Casa seja instalada num espaço onde as dezenas de jornalistas que cobrem o parlamento tenham condições de exercer suas atividades sem os atropelos de hoje.

IMAGEM
A reforma da Previdência está fazendo estragos na imagem do Judiciário e das Forças Armadas. A pesquisa Sensus divulgada esta semana mostra que a confiança da população na Justiça caiu de 14,9 para 9,7%. No caso das Forças Armadas, a queda foi ainda maior: de 19.3% para 12%. Em Rondônia, enquete promovida pelo site www.imprensapopular.com mostra que apenas 10% das pessoas concordam que o judiciário deva ter aposentadoria especial.

PERPLEXIDADE
Causou perplexidade no meio político as críticas formuladas pelo Secretário de Estado da Saúde, Miguel Sena, ao deputado Carlão de Oliveira, presidente da Assembléia Legislativa, durante entrevista numa emissora de rádio, na semana que passou. Ao sair da muda em que estava acionando mais uma vez a sua metralhadora, Sena não contribuiu em nada para a sintonia fina que, segundo consta, o palácio Getúlio Vargas buscava junto aos deputados visando a aprovação de matérias importantes, como o Orçamento, sem maiores traumas.

MUDANÇAS
São mais insistentes os comentários de que está a caminho mudanças no secretariado de Ivo Narciso. As mudanças buscarão apaziguar o descontentamento de classe política e por fim à hostilização entre membros do andar de cima da administração. A mudança, entretanto, não deverá começar nos lados da Saúde, comentava uma fonte.

MELANDO
A Conservation Internacional do Brasil, uma Ong poderosa que tem sede em Belo Horizonte, poderá trabalhar no sentido de desaconselhar o BNDES a colocar recursos na construção de pequenas usinas hidrelétricas em Rondônia, especialmente as pertencentes ao grupo empresarial do governador. A Ong goza de grande prestígio junto à Ministra Marina e tem o aval de botânicos respeitados como defensores da biodiversidade amazônica.

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