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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Em Linhas Gerais

15/7/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
DESCONHECIDA
Mais uma vez constatei como estamos longe de ver nosso Estado reconhecido como uma terra da qual os brasileiros podem ser orgulhar. Enquanto as refer√™ncias sobre nossa Rond√īnia continuam ligadas ao absurdo e √† galhofa, a m√≠dia sulina volta-se para o Amazonas, dando total destaque a Parintins (que n√£o possu√≠ um simples aeroporto e nem hot√©is) sem saber nada, mas nada mesmo, sobre o tal “Flor do Maracuj√°” ou sobre o rebanho bovino sem aftosa de que tanto nos vangloriamos. E as refer√™ncias aos nossos pol√≠ticos s√£o as piores poss√≠veis. Ningu√©m tem a menor no√ß√£o do significado de nosso Vale do Guapor√©. Ningu√©m conhece nada sobre a nossa principal manifesta√ß√£o religiosa, a centen√°ria Festa do Divino. O nome de Rond√īnia continua associado ao tr√°fico de drogas, √† chacina em pres√≠dios, √† corrup√ß√£o e √† ignor√Ęncia intelectual. Se o Estado pretende atrair a aten√ß√£o de investidores, da elite pensante brasileira, dos turistas fascinados por roteiros ex√≥ticos ter√° de investir seriamente num ambicioso programa de divulga√ß√£o. Ter√° de mostrar, de forma profissional, ao resto pa√≠s as suas possibilidades de crescimento econ√īmico, as suas perspectivas. E nossos pol√≠ticos mais importantes devem parar de falar besteiras quando t√™m oportunidade de se expressar atrav√©s da imprensa nacional. Fiquei triste quando um pol√≠tico paranaense me perguntou se morava “naquele Estado onde quem manda √© um zureta”.

PROTOCOLO
√Č claro que n√£o acreditei. O nosso soba n√£o seria capaz de ferir t√£o gravemente o protocolo, as √≥bvias regras do cerimonial – que deve conhecer muito bem – destoando da postura cordial e respeitosa, praxe dos estadistas, para expressar uma opini√£o ofensiva aos nossos “hermanos” do Peru, classificando as coisas daquele pa√≠s como “uma grande droga, uma porcaria”. A cria√ß√£o de um constrangimento dessa natureza em nada contribuiria para o estreitamento das rela√ß√Ķes comerciais e culturais com esta brava gente andina, coisa que interessa √† maioria do povo rondoniense. Mesmo nas normas de recep√ß√£o da rep√ļblica rolin√°cea, a falta de educa√ß√£o n√£o √© permitida.

SEJA FELIZ
Certamente voc√™, meu (minha) leitor(a), esperaria que nesta coluna eu voltasse a tecer coment√°rios sobre os acontecimentos pol√≠ticos do momento em nosso Estado. Afinal, deve pensar voc√™, “o Taborda √© obrigado a saber das coisas, mesmo tendo passado uma semana fora do Estado”. Mas, leitor(a), minha onisci√™ncia n√£o chega a esse diapas√£o. Nessa aldeia global em que se transformou nosso mundo, √© uma m* ter a responsabilidade de analisar, tr√™s vezes por semana, o cen√°rio pol√≠tico, trazendo sempre alguma novidade para gente catequizada pelo marketing do novo.

Ora, pode existir algo mais estressante do que voltar √† antiga novela do Danad√£o, onde os takes s√£o sempre os mesmos e o script n√£o muda de jeito nenhum? Na verdade, ao retornar √† terrinha vejo como todos n√≥s que aqui moramos temos tudo para sermos realmente felizes. N√£o ser√° a exist√™ncia do cartel dos materiais de constru√ß√£o (denunciado primeiramente aqui), da √°gua, do combust√≠vel, etc; n√£o ser√° a renova√ß√£o suspeita dos contratos favorecendo manjados bar√Ķes da seguran√ßa privada, dos marmitex e todas essas coisas que abalar√£o essa minha certeza de que est√° aqui mesmo, em Porto Velho, a terra da felicidade.

√Č l√° embaixo, em cidades como S√£o Paulo e Curitiba, cruzando com gente de olhar paran√≥ico em todas as dire√ß√Ķes, com trabalhadores ensacados em blusas e casacos de liquida√ß√£o, cheios de tens√Ķes, pelos caminhos margeados de desemprego, de sirenes de pol√≠cia tocando a toda hora, saindo para o ganha-p√£o no vento cortante, na chuva intermitente, no frio intenso, nos coletivos apinhados, muito cedo e retornando tarde do trabalho, que voc√™ descobre como √© bom viver em Rond√īnia.

Ali você vê como a vida pode ser transformada num inferno. Homens de mãos frias e têmporas suadas. Eu já vivi muitos anos esse tipo de vida urbana causadora de nervosismo e stress. Hoje, leitor(a), sou uma pessoa feliz, como deve ser feliz todos aqueles que moram em Porto Velho.

√Č aqui, nesse tipo de cidade, que voc√™ aprende a compreender a situa√ß√£o daquelas pessoas que est√£o no limite entre a verdade e a mentira. Imagine, leitor, que no mesmo avi√£o est√°vamos eu, Miguelzinho Sena, o deputado Renato Veloso e o Eurinho Tourinho. E ali, publicamente, o Miguelzinho me premiou com rar√≠ssimos charutos cubanos – que segundo ele foram comprados em Aracaj√ļ, onde lembrou de mim – pondo fim (ou pelo menos dando a entender) a escrotisse com que vinha me tratando. √Č claro que eu n√£o acredito na garantia de que a sa√ļde p√ļblica estadual v√° funcionar com a qualidade necess√°ria, at√© porque ainda sei que os governantes t√™m muitas formas para nos fazer de ot√°rio.

Mas vivendo em Porto Velho voc√™ adquire aquela serenidade que reduz a preven√ß√£o de duvidar sempre das pessoas, uma coisa comum aos moradores das metr√≥poles e megal√≥poles. De repente acho poss√≠vel acreditar, por exemplo, que o Miguelzinho n√£o mente e deseja o mal ao pr√≥ximo todos os momentos. √Č claro que temos aqui os sacanas irrecuper√°veis.E da√≠? Afinal se todos pol√≠ticos e governantes fossem bons n√£o precisaria escrever coluna, fazer jornal, rezar e nem fazer despachos.

REJEIÇÃO
Um empresário interessado em concorrer à prefeitura de Porto Velho em 2004 mostrou para o colunista o resultado de uma pesquisa feita para seu consumo interno. A sondagem constata aquilo que já dissemos aqui (Mauro Nazif lidera com aproximadamente 30 pontos), mas acrescenta um dado no mínimo curioso: o líder das pesquisas teria, hoje, 34% de rejeição junto ao eleitorado. Se eu fosse o Nazif ficaria preocupado com isso.

MEXAM-SE
A Assembl√©ia Legislativa est√° de parab√©ns ao demonstrar claramente a preocupa√ß√£o dos deputados com os s√©rios problemas sociais da popula√ß√£o do Estado. A CPI que pretende investigar a explora√ß√£o sexual de menores no Estado, proposta pelos deputados petistas Neri Firigolo, dr. Carlos, Nereu Klosinski e Ed√©sio Martelli √© mais uma comprova√ß√£o da vontade de acertar que o parlamento vem demonstrando desde que o deputado Carl√£o de Oliveira passou a presidi-lo. Certamente existir√£o alguns personagens no papel de rufi√Ķes dentro do roteiro de horror a ser percorrido pela CPI. Todavia os deputados acabar√£o descobrindo o obvio: o aumento no n√ļmero de nossas meninas com 11, 12 e 13 anos na prostitui√ß√£o √© o resultado de um Estado que n√£o garante o direito √† sa√ļde, ao trabalho, √† alimenta√ß√£o, √† moradia, ao esporte e principalmente √† educa√ß√£o de qualidade √† maioria das fam√≠lias pobres. Se essa CPI n√£o apontar solu√ß√Ķes para essas mazelas, essa vergonha continuar√° sem sofrer a menor modifica√ß√£o. Enquanto os robertos sobrinhos da vida forem os escolhidos para coordenar engana√ß√Ķes tipo fome zero, esse filme de horror n√£o terminar√° nunca.

NOVO PEDIDO
H√° meses foi destru√≠da, por uma carreta de alta tonelagem, a ponte que ligava o bairro Calama ao 22 de Dezembro, pela rua Barbados. A popula√ß√£o j√° reclamou v√°rias vezes junto ao setor competente da prefeitura, inclusive atrav√©s da coluna. At√© agora ningu√©m deu satisfa√ß√£o aos moradores do bairro. A ponte foi constru√≠da pela pr√≥pria comunidade que tamb√©m lhe dava conserva√ß√£o (troca de taboas e pranch√Ķes). O prefeito Carlos Camur√ßa n√£o deve saber desse fato. Se determinasse a Semob a reconstru√ß√£o da ponte, certamente ganharia o reconhecimento de centenas de fam√≠lias da regi√£o.

SEM PUNIÇÃO
Dizem que Jos√© Bianco j√° est√° decidido a disputar a prefeitura de Ji-Paran√° em 2004. Tem amplas chances de vit√≥ria. Se isso acontecer ficar√° claro que a pr√°tica do abuso de poder em Rond√īnia n√£o inviabiliza o pol√≠tico. N√£o se pode esquecer que JB, com o apoio de pol√≠ticos como Oscar Andrade, feriu milhares de servidores em sua dignidade, ao promover a degola coletiva de servidores do Estado. A decis√£o da Justi√ßa, fazendo retornar aos quadros do Estado os demitidos, demonstrou que a a√ß√£o n√£o passou de uma pr√°tica de intoler√Ęncia, persegui√ß√£o e rigor excessivo contra o lado fr√°gil dos funcion√°rios do Estado. Se este pa√≠s fosse s√©rio, abusos comprovados como esse deveriam redundar pelo menos em processo contra seus autores. Se n√£o para indenizar as v√≠timas, pelo menos para ressarcir os cofres p√ļblicos dos preju√≠zos sofridos em conseq√ľ√™ncia de tais desatinos.

SA√öDE
A coluna deseja pronto restabelecimento ao deputado Emílio Paulista, vítima de acidente automobilístico, importante membro do alto-clero do legislativo estadual.

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