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Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Gessi Taborda

EM LINHAS GERAIS

15/6/2003
taborda@enter-net.com.br
 
  
DE SACO CHEIO
Às vezes sinto-me de saco cheio com a obrigação de ter de analisar, pelo menos três vezes por semana, a política rondoniense. Não só pelo verdadeiro malabarismo de trabalhar as palavras para garantir que pelo menos parte daquilo que é fundamental chegue a você, leitor, antes das tesouradas que buscam evitar mágoas a algum nicho do poder que não pode, sabe-se lá por quais interesses, ser desnudado. A mídia cada vez mais se acostuma ao exercício de enganar, peneirando o que pode ou não ser levado ao conhecimento da opinião pública. Não compreende que quanto maior for a overdose de comunicação fabricada para abarrotar de esperanças o povo, maior será, sinceramente, sua decepção, sua frustração.
Não agüento mais, na Assembléia Legislativa, ouvir os pronunciamentos de deputados que sem o menor pudor tentam tapar o sol com a peneira, só para serem agradáveis ao Getúlio Vargas, para terem sua parte do butim. Everton Leoni, por exemplo, tem sido comiserador nestas suas arengas. Chegou a histrionicamente desqualificar uma revista de circulação nacional que estampou dados sobre a realidade de nossa segurança pública e, talvez o pior, as afirmações do chefe do Executivo, pernícies que não serão desfeitas pelo pernear do deputado tucano. O mesmo deputado usa o pitiatismo para sugerir, por exemplo, que nestes quase seis meses o governo gerou cerca de cinco mil empregos. É duro, leitor, agüentar tudo isso. É duro tolerar conversa fiada daquele que por ser suplente – podendo abreviar sua permanência no local se, por qualquer motivo desagradar ao poder – tenta ver excelência mesmo nas mais indefensáveis posições assumidas por parceiros do governo.
Há, na verdade, uma só grande questão esperando resposta, para se saber para onde vai Rondônia: O governo do senhor Narciso continuará rodeado de colaboradores que apenas de fomentam confusões com segmentos organizados da sociedade ou aceitará substituí-los por gente verdadeiramente capaz, equilibrada, com preparo suficiente para tocar as coisas do Estado? Se a resposta for a de que nada muda, Rondônia pode esperar um novo período sem crescimento e até de retrocesso econômico e histórico. Se o governo continuar com um secretário de planejamento que não planeja, que confessa a inexistência de projetos para o desenvolvimento; se continuar com um secretário de saúde que não entende bulhufas de sua área, que não sabe sequer definir uma política para o setor ou mesmo dialogar inteligentemente com os personagens daquele mundinho altamente especializado; se continuar com alguém para desenvolver o turismo incapaz de compreender as especificidades desse importante segmento econômico; se continuar apostando suas fichas nas ações de um semiletrado para desenvolver a política cultural; se preferir ter na condução da Fazenda pública um mero empresário que não conseguiu desenvolver sequer seus próprios negócios, sem o necessário conhecimento tributarista científico, queiram esses políticos não restará a Rondônia outra alternativa senão o abismo, senão o fortalecimento de sua imagem brocoió. Debalde a existência de políticos como Amir Lando, Fátima Cleide, Valdir Raupp, etc, não seremos levados a sério.
Não adianta, por exemplo, gente como Everton e Neudy considerarem que o simples reconhecimento de que o Estado está livre da aftosa é um fato que precisa ser comemorado com foguetes e rojões. Sem investimentos para a industrialização da carne, para a sua comercialização (e isso envolve uma infinidade de decisões) vamos continuar, como alertou o deputado Neri Firigollo, exatamente como sempre: sem crescimento, sem ofertas de mais empregos, vivendo-se mal socialmente tanto no campo como na cidade. Alguns pecuaristas – que nem moram no Estado – ganharão muito com isso, mas nossas empresas, as que verdadeiramente movimentam nossa economia, continuarão no processo de paralisia ou quebradeira.
Enquanto Rondônia não resolver a questão de sua dívida com o Brasil, internamente, e também com a comunidade internacional (até hoje o Estado não pagou o primeiro grande empréstimo em dólares, feito pela Caerd) continuaremos na posição dessa geléia imprensada pela pouca representatividade política no cenário das decisões da República e das galhofas produzidas por afirmações completamente dispensáveis e imbecis, aos olhos das demais unidades federadas. Não somos nem uma economia de trabalho e muito menos de alto saber, mesmo com o crescimento vertiginoso do ensino de terceiro grau no Estado.
Se tivéssemos no setor produtivo de Rondônia alguém realmente com visão da macro-economia talvez as coisas pudessem melhorar mais rapidamente para todos. Ficaremos ainda durante muitos anos sem condições de fabricar nada, a não ser fanfarronices do tipo “a salvação virá da Coréia, com seus investimentos e a instalação de dezenas de fábricas”. Ora, não se monta um parque fabril com tanta rapidez, muito menos num Estado como o nosso. Rondônia, meus amigos, terá de ser salva pela agroindústria. Terá de tornar-se competitiva no mercado do soja, do café, da carne, da laranja, do algodão, da fruticultura. O problema é que nessa área, como nas demais, não existem políticas definidas. E, pior, o que se tentou no passado morreu.
Bom, como não decido nada, só analiso, não perco de todo as esperanças por ver que temos ainda homens com iniciativa, mais interessados em superar dificuldades do que promover briguinhas, perseguições e atos de mesquinharia. Ver, por exemplo, os esforços de um prefeito como o nosso, Carlos Camurça, em tentativas de dotar o município de uma cara – com a construção da desejada avenida Beira Rio – ou seu colega, o Lindomar Garçon, do Candeias, tentando implementar ali um complexo turístico, isto é o que ameniza um pouco dessa falta de perspectivas de um futuro promissor que atenda pelo menos os anseios de nossos filhos.
Se na política não tivéssemos gente como o Carlão de Oliveira, o Ronilton Capixaba, o dr. Carlos Henrique, o Valdir Raupp e uns outros poucos capazes de contrabalançar com a pasmaceira dos eternos aproveitadores e oportunistas, certamente já estávamos na hora de chegar ao desespero. Estes são homens que não ficam tentando enganar o povão, homens que sabe que o povo sabe que na questão do retorno dos readmitidos não houve abertura de novos empregos coisa nenhuma. Cumpriu-se apenas uma decisão judicial porque não restava outra alternativa para um Estado que certamente não teria caixa para pagar indenizações e direitos lesados. Na questão da erradicação da aftosa não foi este governo que fez alguma coisa. Na verdade foram os próprios criadores que se esforçaram, embora tenham tido o respaldo da antiga administração.
Bem, ao terminar este bate-papo de domingo, como analista e não como crítico, diria que o governo deveria primeiramente entender qual a nossa vocação econômica. Deveria concentrar seus esforços nessa vocação, compreendendo que o resto é difícil, muito difícil. É isso ai. Mudemos de assunto.

VERDADE E COMPREENSÃO
Bem, como decidimos que o domingo é um excelente dia para reflexões, não vou ficar falando hoje sobre os acontecimentos específicos da semana, como a reeleição do presidente Carlão de Oliveira, já, para um novo mandado de presidente da Assembléia, que só terminará em 2007. Vamos tocar num aspecto fundamental da vida, tão esquecido por vários personagens de nossa política. Catão já explicava Cícero, na Velha Roma, que “a verdade gera ódio e a compreensão gera amigos”. E por isso concluo que sou um homem muito especial, verdadeiramente protegido por Deus. Ao refletir após assistir o lançamento oficial do CD de Rubens Parada, na noite de 5ª feira, num local onde fui pela primeira vez para descobrir seu péssimo atendimento, sua baixa qualidade, vi que não só tenho muitos amigos e tenho o dom da compreensão. Não fosse a amizade que nutro pelo excelente artista, teria saído daquele local antes de sua apresentação. Um som ensurdecedor, a falta de um simples refrigerante diet, garçons sem o menor treinamento para atender condignamente, cardápio de fantasia. Meu Deus! Imaginei-me numa infecta tenda de beira de estrada de uma aldeia perdida do Mato Grosso. E como eu, muitos toleraram aquilo, pela amizade ao nosso grande artista. O que é um homem sem amigos? A solidão tem abreviado a vida útil de muitos políticos rondonienses. Que o digam Jerônimo Santana, José Guedes, Oscar Andrade, Osvaldo Piana, e tantos outros. Os homens se tornam importantes e trocam os verdadeiros amigos por aqueles áulicos que o levarão à derrota futura. Compreendo a dificuldade que Parada enfrenta para mostrar sua arte especialíssima, por isso tolerei pelo tempo que pude. Afinal o artista não merecia aquilo.
Descobri porque cada vez é mais difícil trocar as tertúlias, os encontros de amigos reunidos quase sempre no Le Petit Taborda por uma noitada nestes inferninhos de mau gosto de Porto Velho. Afinal, o que levarei comigo será exatamente os momentos de idílio, de comunhão inteligente com os amigos, coisa que o nosso Le Petit proporciona sem as restrições da miséria e da enganação. Nada melhor do que poder compartilhar um excelente havano, por exemplo, com o Paulo Xisto, com o Dada e sua turma. Nada melhor do que o embate do pensamento, com amigos de gostos e formação intelectual de primeira linha como o Adilson Siqueira, o Aldemir Saldanha, o Júlio Yriarte e outros do mesmo naipe num local sem as obrigações de um ambiente estrelado, mas sempre com a fidalguia e a fartura proporcionada pelos seus freqüentadores.
Para quem está, como eu, rodeando o mundo em seus jardins de Shangrilá, foi uma grande lição ver que mesmo num ambiente tresloucado o meu amigo Rubens Parada manteve sua finesse, portou-se como o nosso verdadeiro embaixador da nossa música latino-americana.


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