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Porto Velho,  sex,   23/junho/2017     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Minas de alto teor corrosivo: Dilma passa por uma prova de fogo, enquanto os pregoeiros do retrocesso fazem a festa

07/05/2014 13:43:42
porfirio@palanquelivre.com
 
  

 

 

"O Partido dos Trabalhadores organizou a máquina eleitoral mais eficiente do país. Já ganhou três das seis eleições presidenciais diretas realizadas desde a ditadura e está no poder há 12 anos. No entanto, se mostra vacilante em carregar a sua candidata, a gerente da herança da era Lula, que transita pelas pesquisas com média de preferência eleitoral muito superior à que possuía a cinco meses da eleição de 2010. Isso é absolutamente incomum".
José Casado, O GLOBO, 6 de maio de 2014
 
O que é mais corrosivo: o corpo mole de correligionários e aliados ou o jogo baixo e inescrupuloso dos adversários? A candidatura Dilma Rousseff está passando por uma prova de fogo, tão asfixiante que sobreviver a ela é mais difícil do que vencer a eleição em caso de disputa com opositores assanhados e cheios de si.  Uma prova que ganha tons mais denegridos pela deliberada manipulação de uma mídia insaciável e calculista que esbanja minas em seu caminho para retomar a condição de quarto poder, ante o próprio definhamento e a emergência de canais alternativos cada vez mais exuberantes e influentes. 
Engana-se quem pensa que o solapamento caseiro cessou com o encontro nacional do PT em que fizeram juras de amores por ela e formalizaram sua indicação. Tanto quanto também é um ledo engano imaginar que a artilharia reacionária está esgotando o estoque pela repetição enjoada dos mesmos traques, procurando atingi-la por malfeitos de subalternos e de outros tempos, onde rigorosamente ela passa ao largo, numa distância muito maior do que a dos plantadores dos espinafres.
 
A picaretagem que está na berlinda tem origem e aconteceu de fato em tempos pretéritos: no caso do laboratório do doleiro Youssef ele lavou a burra mesma foi na gestão do então ministro José Serra, quando papou R$ 80 milhões do Ministério da Saúde, segundo levantamento do site "Contas Abertas".   
 
Se fosse só a baixaria que enche os olhos da direita e da plutocracia o carimbo da origem já a desautorizaria, tão desmoralizadas politicamente estão. Mas o cipoal dos ressentidos das ante-salas, a maioria padrão André Vargas, teima em solapar e joga pesado por que o que lhes interessa é deliciar-se do sumo do poder: fora disso, não vão cumprir os compromissos pecuniários espúrios com seus financiadores.
 
A esses fisiológicos gulosos e resistentes à dieta pouco importa quem tirará proveito de suas trapalhadas.  Não lhes ocorre abrir a janela para além do seu beco sem saída. Se não fossem pigmeus ocasionalmente bem sucedidos enxergariam logo ali uma articulação transnacional que quer rever o processo que retirou alguns países do vampirismo padrasto da metrópole em crise. Vampirismo que, ao ver dos estrategistas de lá, seria factível se tivéssemos um governo mais alinhado: não fosse pelas posições do governo brasileiro, estimam, Nicolas Maduro já teria sido asfixiado por pressões internacionais e Evo Morales não estaria tão bem na fita.  
 
Uma tentativa de explorar a vaidade e chantagear
 
Mais do que ninguém, Luiz Inácio sabe disso. Sua caminhada antes, durante e depois do pódio foi um aprendizado frutífero, doutorando-o nos mistérios da política. Mesmo tocado pelos apelos à sua vaidade campeã e mesmo chantageado por ex-acólitos, ele seria ingênuo se aceitasse entrar num fogo cruzado no meio da conflagração, desconstruindo a própria cidadela, que não se recompõe da noite para o dia. Até por razões de saúde seria uma temeridade envolver-se num processo dinâmico sob impulsos de uma terceirizada paranóia de má fé.   
 
As hostes partidárias, no entanto, são sacos de gatos ensimesmados. Ninguém pode confiar em ninguém e quanto mais anuviado for o cenário, mais surpreendente pode ser o comportamento de cada um, por que é cada um por si, sem tirar nem por. Na democracia, os manda-chuvas têm empregos por tempo determinado. Isso lhes deforma o caráter no seu curso, essa ânsia de resolver-se no prazo de garantia, que ainda lhes remete desde o primeiro dia para a busca do replay. São profissionais que o sistema infectou de mordomias e glórias, que desfrutam de casa, comida e roupa lavada viciosas às custas do erário.
 
A quem interessar possa recomendo um filme norte-americano, produzido em 2012, sem maiores pretensões, que passou por aqui sem alarde, com menos de 30 mil ingressos vendidos. Os candidatos (The Campaign) do despretensioso Jay Roach é um retrato caricato, mas emblemático, de uma disputa eleitoral na Carolina do Norte.  Expõe a degeneração da decantada "democracia americana", mas reflete a deformação do processo de escolha em todos os países que sustentam como dogma do regime democrático a manifestação das urnas num ambiente plural.
 
Ver essa comédia talvez ajude a perceber melhor a tragédia em que vivemos, mercê de carreiristas sem escrúpulos, cuja ação deletéria inviabiliza governos paridos na alcova da esperança. Talvez mostre toda a índole lombrosiana da maioria desses que compram eleições a peso de ouro, oferecendo ingredientes para a despolitização, a alienação e o desinteresse da sociedade diante de cada pugna.
 
Explica por que interesses contrários se somam na hora de rifar quem não reza exatamente pela cartilha da cumplicidade e age como um estorvo na ânsia da malandragem despudorada que tem as cartas na mão. Malandragem que, nestes tempos bicudos, atrela-se às benesses do poder com unhas e dentes, cada qual puxando mais brasa para a sua sardinha.
 
Dois artigos no mesmo dia e no mesmo jornal são sintomáticos
 
 

Os próximos dias são misteriosos. Os pregoeiros do retrocesso estão apostando suas fichas no sucesso dos netos - do Tancredo e do Arraes - como elementos de alto teor corrosivo. E confiam numa implosão que converta Dilma em partículas perdidas no espaço, como escreveu José Casado em O GLOBO de hoje:
 
"A novidade na praça é o visível isolamento da presidente em plena campanha de reeleição. E o mais insólito é o fato de que a desconstrução da candidata do PT começou no próprio partido — dentro da ala majoritária petista que emerge dessa empreitada unida ao conservadorismo religioso e ao empresariado devoto do capitalismo de laços com os cofres públicos".
 
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Na página ao lado da mesma edição, maior é a euforia de Marco Antônio Vila num artigo triunfalista sob o título Adeus, PT, saudado com um "amém" pelo ultra-direitista Rodrigo Constantino no site da revista VEJA:
 
"A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado às vitórias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. Não tendo nem um, nem outro, sua liderança vai ser questionada. As imposições de “postes”, sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula".
 
Nenhum desses senhores escreve por diletantismo. É isso que tento fazer ver quem não quer este país de novo nas mãos sujas do que há de pior e mais comprometido com as prosopopéias reacionárias.


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