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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Do nada um Papa da pesada

14/03/2013 03:44:09
porfirio@palanquelivre.com
 
  
Simpático à ditadura argentina, cardeal denunciou padres que teriam ligações com a resistência

“A Igreja Católica escolheu uma pessoa que para nós, familiares de vítimas da repressão exercida pelos militares, foi cúmplice de um governo genocida”.
Estela de la Cuadra, argentina que até hoje procura sua sobrinha, Ana, nascida na mesa de uma delegacia em junho de 1977.


Cardeal Bergólio, passado polêmico que condena

24 horas depois da Justiça argentina condenar à prisão perpétua Reynaldo Bignone, o último dos generais ditadores, o Vaticano surpreende o mundo ungindo ao trono papal o cardeal Jorge Mário Bergólio, tido e havido como colaborador da  mais sangrenta ditadura latino-americana.

A decisão dos cardeais levou à indignação os familiares das vítimas da ditadura argentina , entre os quais Graciela Yorio, irmã do padre Orlando Yorio, que foi sequestrado e torturado juntamente com seu colega Francisco Jalics, depois de ter sido denunciado pelo então chefe da congregação dos jesuítas na Argentina. 

Parece uma fatalidade: o cardeal Joseph Ratzinger, o Bento XVI, agora papa "emérito" foi membro da Juventude Hitlerista. Karol Józef WojtyŇāa, o João Paulo II, foi peça decisiva nas articulações para minar os países socialistas.  Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, o Pio XII foi aliado incondicional do ditador Mussolini e fez vistas grossas para as atrocidades dos nazistas alemães. 

Agora, do nada, sem que tivesse sido citado uma só vez como papável, surge como novo pontífice o cardeal argentino Bergólio, mais do que expoente de correntes conservadoras e da intolerância empedernida, um prelado que chegou a ser inquirido pela Justiça argentina nas audiências sobre o regime responsável por 30 mil mortes.

Igreja de costas para os fiéis

É isso o que me leva à conclusão de que o alto clero não está nem aí para o distanciamento cada vez maior entre seus paradigmas e os povos do mundo. Até parece que aqueles 115 cardeais só estavam preocupados com o banco do Vaticano e a gestão de seu patrimônio. 

Não se considerou a necessidade de uma sintonização inadiável entre a igreja e os milhões fiéis desapontados com escândalos sucessivos, num fosso que se reflete na drástica redução do rebanho: na Argentina mesmo, segundo pesquisas conhecidas, há hoje mais "sem religião" declarados do que católicos praticantes, embora inercialmente o número de batizados ainda gire em torno de 78%.

Conventos tradicionais foram transformados em posadas e hotéis em todo o mundo, principalmente na Europa. Milhares de igrejas estão fechadas por falta de padres.  Os bispos europeus estão importando sacerdotes da Ásia, África e América Latina para preencher algumas prelazias. Dados do Vaticano admitem que de 1995 a 2005 o  número de padres na Europa caiu em 11%.

Na Itália da igreja romana, o contingente de prelados caiu de 41 mil há 25 anos para 33 mil hoje. Na Espanha, há 18 mil padres para 22 mil e 600 paróquias. Apenas 10% da população que se diz católica na França vão, de fato, à missa. Nesse país de 60 milhões de pessoas, 40% se declaram sem religião.

São inegáveis os números sobre o a crise no catolicismo. E os cardeais nomeados pelos dois últimos papas parecem dispostos a desafiar essa realidade. A escolha desse polêmico argentino para Papa que o diga.

Um Papa com digitais de uma ditadura

Paradoxalmente, ao contrário do que planejam os anacrônicos marqueteiros do Vaticano, a escolha feita agora só foi boa para os que cravaram seu nome azarão nas casas de apostas. Até mesmo na Argentina sua indicação pegou muito mal, apesar do meio milhar de católicos que foi festejar na catedral. A imagem que ele tem é de um colaborador da ditadura, que não teve cerimônia em entregar sacerdotes subordinados a ele sob a acusação de colaborarem com a resistência armada.

Bergólio foi acusado formalmente pelas Mães da Praça de Maio de ter facilitado o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio. A versão é corroborada pelo jornalista Horacio Verbitsky, que publicou diversos livros com temáticas relacionadas à ditadura argentina e a Igreja Católica, lamentando que, inquirido ante os tribunais, o agora Papa Francisco tenha negado informações concedidas a ele em uma entrevista para seu livro. 


CLIQUE NA FOTO E VEJA  REPORTAGEM SOBRE 
ENVOLVIMENTO DE BERGÓLIO COM A DITADURA
“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, frisou o jornalista, afirmando que a informação está documentada na chancelaria argentina.

Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha, centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa política Maria Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.

Mas a acusação de Verbitsky não era inédita. Rumores sobre a colaboração de Bergólio com a ditadura já haviam circulado na Argentina. Ele chegou a ser denunciado na Justiça por ligações com o sequestro dos missionários, segundo uma fonte judicial do Palácio de Tribunais.

A indignação de familiares de vítimas reflete o clima que se viveu nesta quarta-feira em associações de defesa dos direitos humanos da Argentina. Nas sedes das Mães e Avós da Praça de Maio, entre outras entidades locais, seus representantes receberam com surpresa e estupor o nome do novo Papa. Para este setor da sociedade argentina, a escolha de Bergólio foi difícil de digerir.

- Até hoje, a Igreja continua sem colaborar com as investigações da Justiça. Bergólio nunca quis abrir os arquivos da Conferência Episcopal - queixam-se.

Em 2011, Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que confirma a suspeita. Na época, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de passaporte. O informe mostra que Bergólio informou à Chancelaria que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.

Bergólio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

Esse cardeal sem passado polêmico é o novo pastor de um rebanho de 1 bilhão de católicos. Que cada vez diminui mais.


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