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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

A mão à palmatória

16/02/2013 15:20:49
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Se Dilma precipitou-se em afastar bons ministros, a condição de estadista aconselharia a reconvocá-los.

"Achamos um erro o PDT ficar amarrado por um ministério, no lugar de ser independente, à esquerda  do governo PT/PMDB/PP".

 Cristovam Buarque e Pedro Taques, senadores pedetistas 

 



Lupi já era um ministro dinâmico quando Dilma o confirmou

 


A notícia divulgada hoje pelo colunista Ilmar Franco em O GLOBO de que a presidenta Dilma recebeu o presidente do PDT, Carlos Lupi, antes do carnaval, e fez uma verdadeira autocrítica sobre sua relação com o partido em que militou mais de dez anos é  “reparadora”, mas pode ser que tenha sido tardia.
Segundo o  jornalista, Dilma reconheceu sem rodeios que errou nas mudanças no Ministério do Trabalho, indicando que estava insatisfeita com o atual ministro Brizola Neto e poderia substituí-lo desde que, de imediato, a legenda brizolista se posicionasse a favor da sua postulação à reeleição.
Lupi, como não poderia deixar de ser, evitou assumir qualquer compromisso por conta própria e com tanta antecedência. O seu partido, como outros da chamada base aliada, já experimentou uma amarga decepção quando Dilma, estreante no seu primeiro cargo eletivo, pegou pilha da mídia e precipitou-se ao forçar a demissão daquele que mais tempo permaneceu à frente do Ministério do Trabalho na história do Brasil, o que não aconteceu por acaso.
Ela jamais poderia ter dado sequuência às pressões que visavam atingi-la pela derrubada de alguns ministros, alguns dos quais tiveram admiráveis desempenhos desde o governo Lula, entre eles o ministro Orlando Silva, do PC do B, no Ministério dos Esportes, e Carlos Lupi, sacrificado fundamentalmente porque teve peito de bancar a implantação do ponto eletrônico nas empresas e a coragem de barrar a entrega da presidência do FAT – o gordo Fundo de  Amparo ao TRABALHADOR, a uma latifundiária que encabeça a Confederação Nacional da Agricultura.
Na época, escrevi mais de uma vez, com a autoridade de quem não era mais do PDT, partido a que dei muito do meu sangue, mas do qual me desfiliei por entender que  estava sem espaço vital.
Estava, portanto, muito à vontade para comentar a rendição da presidenta a um programado açoite do seu governo, que procurava, inclusive, plantar a cizânia nas suas relações com o antecessor e “padrinho”.
Não havia nada de concreto, nada, absolutamente nada, que desabonasse a conduta do seu ministro do Trabalho. (Depois que ele saiu, nunca mais se falou a seu respeito). Antes, pelo contrário, nos cinco anos que permaneceu à frente de  um Ministério que pegou natimorto, com várias de suas funções transferidas indevidamente para outras áreas, deu-lhe nova vida, valendo-se dos meios de que ainda dispunha.   
Com a garra de quem madrugou anos a fio para abrir uma banca de jornal, Lupi foi fundo no combate ao trabalho escravo, onde obteve índices notáveis, e no trabalho infantil, canalizando ao mesmo tempo recursos do FAT para a qualificação profissional, tarefa que exigia atenção redobrada por sua terceirização através de organizações não governamentais.
Para se ter uma idéia do gigantismo do seu esforço, lembro que o atual governador  da Bahia, Jacques Wagner, primeiro ministro do Trabalho de Lula, lamentava ter passado o cargo sem registrar um único incluído no programa do primeiro emprego.
Na verdade, nessa operação para cortar a cabeça de Lupi era fácil ver as mãos do mesmo empresariado que tentou desqualificá-lo, através do banqueiro Marcílio Marques Moreira, obrigando-o a licenciar-se da presidência do PDT, e o “fogo amigo” de quem não estava feliz com seu sucesso e de quem esperava miná-lo para abocanhar o cargo sem ter preparo ou tesão para exercê-lo.
Além de não ter tido a firmeza de manter quem havia dado destacada visibilidade a um ministério esvaziado, aproveitando e projetando o SINE – Sistema Nacional de Emprego – e o CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, e energizando o FAT, a presidenta cometeu outro erro fatal: escolheu o substituto à revelia do partido, só por que ele era neto do seu antigo ídolo e por que, principalmente, ao contrário da quase totalidade da bancada pedetista, foi-lhe individualmente fiel, votando a favor da “privatização” da aposentadoria dos servidores, através de um fundo que obriga quem quiser ganhar acima de um limite mínimo a pagar por fora. Isto é, ao nomeá-lo em seguida a essa votação, em que apenas um deputado baiano inexpressivo o acompanhou, ela estava peitando também toda a bancada que se manteve fiel a uma das “cláusulas pétreas” do brizolismo e criando dificuldade para o próprio.
Não ocorreu a ela, sequer, procurar saber por que o mesmo Brizola Neto deixou de ser secretário estadual do Trabalho no governo Sérgio Cabral, trocando de lugar com o deputado Sérgio Zveiter, hoje no PSD. 
Diante desses episódios em que foi realmente infeliz, a  presidenta teria que dar uma demonstração de maturidade e humildade. Se realmente não está satisfeita com o neto de Brizola,  cabe-lhe cumprir o entendimento que levou o PDT a abrir mão da candidatura própria em 2010, num gesto prejudicial a seus interesses eleitorais, e dar a mão à palmatória.
Primeiro, não pode continuar apostando que a posse da máquina seria a varinha mágica para fazer Brizola Neto reencontrar-se com o partido, onde coleciona relacionamentos difíceis. Da mesma forma, deveria entender que a sua é uma vocação parlamentar, bem diferente da pedreira "burocrática, extenuante e irritante" do Executivo.
Depois, seria muito mais elegante se tivesse a mesma determinação que ocorreu ao então presidente Itamar Franco, em relação ao seu chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, que foi reconvocado depois de provada sua inocência em uma série de acusações: agiria como uma verdadeira estadista se chamasse Lupi de volta para o lugar de onde nunca devia ter saído.
Simplesmente pedir uma outra indicação é o que se poderia chamar de um arranjo. De uma “meia boca”. Ao longo da história, em todas as latitudes, aconteceram atos semelhantes. É claro que a mesma mídia que conseguiu derrubá-lo vai chiar. Mas essa mídia será sempre facciosa e precisa ser enfrentada sem medo.
Finalmente, embora ninguém vá pedir minha opinião, gostaria de dizer que cada partido que puder faz muito bem em ir ao primeiro turno de uma eleição majoritária com seus próprios candidatos. Essa postura o fortalece e a seus candidatos nas proporcionais. Se não chegar ao segundo turno, então, sim, juntam-me os mais aparentados.
E ser agregado do PT é um mau negócio. Com todo o discurso que o projetou, a impressão que tenho é que esse é um típico partido de direita, com vícios hegemônicos, práticas fisiológicas de direita e  propenso a todo tipo de aliança, como essa agora, que repôs o ficha suja Renan Calheiros na presidência do Senado e entregou a Câmara a Henrique Alves, ambos do PMDB, partido inteiramente sem pudor de nenhuma espécie, que vai dar as cartas no ano eleitoral de 2014.

 



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