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Porto Velho,  s√°b,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

(Quase) nada a declarar

22/3/2012 15:03:16
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Estão acontecendo coisas tão estapafúrdias, tão extravagantes e tão desanimadoras que me custa muito balbuciar algo. Pode ser que essa minha sensibilidade à flor da pele veja moinhos e dragões onde os outros só vêem letreiros luminosos.
 
Pode ser que isso seja coisa da minha idealização do mundo. Pode. Mas, em verdade vos digo: nunca neste país a impostura deitou e rolou com tanta desenvoltura.


Não se faz política para o bem geral - fofoca-se, em meio a exuberantes cortinas de fumaça. Não se pensa no interesse público, trata-se ostensivamente das ambições desmedidas e insaciáveis de cada um. É nesse plano menor que se dão os atritos e os conflitos. O noticiário é farto na exaltação do vale tudo pelo poder, qualquer poder. Porque de qualquer poder há sempre como tirar bom proveito.
 


Seguiu-se o conselho: às favas com os escrúpulos. Necas de princípios. Ao inferno a coerência. Cinismo puro, cinismo que alavanca carreiras e afunda compromissos no lamaçal das
conveniências, na fogueira das vaidades.
 
Vive-se 24 horas na peleja pela conquista de uma nesga de poder, para mantê-la a qualquer preço ou para resgatá-la em caso de perda. É cada um puxando brasa para sua sardinha e é sobre as manobras nesse poluído meio ambiente que se escreve a crônica midiática.
 
Mais nada. Um vazio glorificado. Ou pela cumplicidade comprada ou pela indecência assimilada, ou pela superficialidade deliberada.
 
À sombra e a margem os negócios patrimonialistas prosperam a plenos vapores. Ninguém, absolutamente ninguém, resiste aos eletrônicos cantos das sereias.
 
Não se avalia competência, mas subserviência. Não se buscam valores; antes deles se foge como o diabo da cruz.
 
Fazer o quê?
Dizer o quê?
 
Ando calado esperando a travessia desses dias torpes. Estou absolutamente na contramão dessa volúpia de poder. Dessa ausência de caráter. Dessa dissimulação festejada. Dessa banalização da má conduta. Estou mal das pernas.
 
Envelheci? Estaria esclerosado?
 
Chego aos 69 anos neste domingo. Vejo-me e não me vejo. Olho-me e não me acho. Receio ser eu o insano. Temo estar totalmente superado pela avalanche do arrivismo triunfante.
 
Não é a primeira vez que as náuseas me abatem. Sempre consegui levantar-me a uma réstia de vida inteligente. Mas agora, o que há de se esperar?
 
Não quero pronunciar uma só palavra do arsenal que povoa meu cérebro nervoso. Não quero dar nomes aos bois.
 
Não posso. Fantasmas me atordoam num cerco asfixiante. Sãos os fantasmas da solidão, da impotência e do revés. Temo-me incrédulo. Será?
 
Não lhe peço que me decifre. Nem ao menos que me entenda.
Não lhe peço nada. Não tenho direito nem de súplicas.
 
Só tenho a dizer por hoje que não há nada a declarar.
 
Valho-me do antigo ensinamento: neste instante, o silêncio fala mais alto.
 
No mais, porém, numa recaída de quase esperança, creio no gás que vem do sangue, do suor e das lágrimas de indignados. Creio na energia dos que ainda pensam. E pensam criticamente. Creio, apesar de tudo, que nem tudo está perdido.
 
Ou está?



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