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Porto Velho,  dom,   27/setembro/2020     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Festa para um rei negro fazer barba, cabelo e bigode

16/3/2011 19:24:48
porfirio@palanquelivre.com
 
  

 

Só quero ver a militância pegando no ganzá e agitando as bandeirinhas de 50 estrelas


 
 “Nosso rei veio de longe

Pra poder nos visitar,

Que beleza

A nobreza que visita o gongá.

 

Ô-lê-lê, ô-lá-lá,

Pega no ganzê,

Pega no ganzá.

Senhora dona-de-casa,

 

Traz seu filho pra cantar

Para o rei que vem de longe

Pra poder nos visitar.

Essa noite ninguém chora, ninguém pode chorar”.

 

Do samba-enredo do Salgueiro, que ganhou o carnaval carioca em1971.

(Versões completas da obra, na voz Clara Nunes, no blog PORFIRIO LIVRE) 
Era só o que faltava: vão fechar o “Amarelinho”, reduto da boemia,  no último domingo de verão, privando-nos do melhor chope da praça, e profanar o templo da “Brizolândia” para franquear um  emblemático recanto carioca ao exibicionismo do companheiro Obama, no mais insólito programa de índio já concebido pelas mentes degeneradas dos marqueteiros políticos daqui e d’além-mar.

 

O impetuoso ponta-de-lança do império decadente, que engabelou o mundo inteiro (e não apenas meio mundo) com o conto do “black brother”, baixará o santo de salvador da pátria (deles) no cenário cavilosamente urdido para envolver nossos voláteis corações e mentes no oba-oba do venha a nós o vosso reino, que se seguirá às tratativas de Brasília, guardadas a sete chaves do Wikeleaks e dos jurássicos patriotas brasileiros, que, aliás, ressalte-se, não têm parentesco de grau nenhum com atual cabeça de bagre do Itamarati.

 

Antes, para revestir da mais burlesca espetaculosidade a farsa supranacional, o companheiro Obama pegará uma criancinha no colo, beijará seu rosto negrinho e afagará suas bochechas na cerimônia dos coitadinhos, que terá como palco a Cidade de Deus, o conjunto proletário, construído no portal de Jacarepaguá por Carlos Lacerda na década de sessenta, que a mídia meia sola cognomina de favela.

 

Uma coisa há que registrar em tudo isso com admiração até: essa representação é absolutamente inédita e diz do quanto se inovou no mundo dos negócios e no breviário do socialismo do Século XXI, com a introjeção da idéia de responsabilidade social, essa mesma alquimia que faz do bolsa-família a esperta extrema-unção da plebe ignara.

 

E esse ineditismo é o bicho. Imagine a Cinelândia púrpura na fila do beija-mão daquele que representa a fina flor de um império punguista, dado a práticas sangrentas na expansão inescrupulosa dos seus maus hábitos coloniais.

 

Quem vai agitar as bandeirinhas multiestelares e fará o coro do “welcome, comrade”, ingredientes indispensáveis ao balacobaco da festa para o rei negro? Quem vai pegar no ganzê, quem vai pegar no ganzá?

 

Putis gril, muita gente vai ficar na maior saia justa, a começar pela própria companheira Dilma, que, certamente,  não contava com essa astúcia. (Escolado, Lula não teria caído nessa trama, que bobo nunca foi). A coisa escapou à liturgia da efeméride. É sempre assim: o brasileiro dá o pé, a gringolândia já quer as mãos, o corpo e a alma. Que batismo de fogo mais herege. , não precisava curvar-se a tanto.

 

De bola murcha e mal na fita vem se virar aqui

O companheiro Obama está de bola murcha, todo mundo sabe. Desdisse tudo o que de hipnótico proclamou nas passadas de sua zebra: para o gáudio da indústria bélica, no mês seguinte à posse, contrariando seu palanque, embarcou mais 30 mil soldados para o Afeganistão e, em 2010, destinou US$ 130 bilhões para as guerras no país dos talibãs e no Iraque.


Nesses dias, depois de se informar por pesquisa que o povo norte-americano já se sente também no prejuízo com o bloqueio a Cuba, pediu ao Congresso mais US$ 63 milhões para ações contra  Fidel vizinho, embora tenha falado de paz e amor com a vizinhança.

Internamente, nem se fala: no calote dos banqueiros, em 2009, transferiu sua crise para o mundo e abriu os cofres para socorrer os plutos, enquanto o coronel Hugo Rafael Chávez Frias, quem diria, implementava um programa de socorro a 500 mil norte-americanos pobres, conforme reportagem de Luiz Carlos Azenha na Rede Record.


Sem credibilidade, reabriu passagem para os intolerantes republicanos da ultra-direita, que retomaram o controle da Câmara nas eleições do ano passado. Seu governo, cá entre nós, tem sido a alegria do centenário DITADOR INVISÍVEL que, à sombra, manipula os cordéis da White House.


O mau olhado do olho gordo dos donos do mundo


Fosse só para dar uma mãozinha a ele na tentativa da volta por cima, o prejuízo seria menor. Mas o friend quer casa, comida e roupa lavada. Dou minha cara a tapa se essa rearticulação de mais uma punga nas aposentadorias e pensões não estiver associada à sua vinda. O filé da previdência privada é tudo de bom para os dólares caloteiros que estão cada vez chegando mais.


Tem o superpoço de Libra, no pré-sal de Santos, com 15 bilhões de barris - mais petróleo do que toda a nossa reserva conhecida até agora de 14 bilhões - que vai a leilão neste semestre, gerando o efeito “viagra” nas petrolíferas alienígenas, agora mais brochas do que nunca com o tufão árabe.


Eu mesmo disse aqui que faz parte do protocolo oficial um almoço com o melhor de nossa culinária a visitantes importantes. Mas, tenha paciência, profanar a Cinelândia de histórias mil com um comício policiado pelo FBI é genuflexão servil. Nem no “we like Ike” de JK descemos a tanto. Não vai ser essa encenação burlesca que ajudará a lembrar aos norte-americanos que eles estão secularmente no lucro em nossas costas e que, agora, por imperativo impostergável, a caça quer ver a sua vez.


Vou-me sentir ofendido se me submeterem a constrangimentos na praça que, desde Castro Alves, é do povo, como o céu é do condor. O mais desatento dos brasileiros achará uma grande forçação de barra a montagem de um espetáculo circense na Cidade de Deus para o governante polêmico, como se ele fosse repetir a façanha do Papa, um líder religioso, na favela do Vidigal.


Essa palhaçada toda só vai servir para acanhar a militância habituada a outros carnavais, confundindo as cabeças do alunado e da velharia assediados pela estupidez.


Só falta chamarem o Tiririca, deputado da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, para as loas ao companheiro Obama, que quer fazer aqui barba, cabelo e bigode para compensar seu fracasso lá. Só falta distribuírem brioches a platéia famélica que o Serginho e Pezão deverão recrutar na periferia com a ajuda midiática. Só falta mesmo montarem aquelas catracas que nos mostram o corpo nu para garantir a segurança de um convidado que pode ser do governo, mas, com certeza, não é da massa que nem sabia desse filme.


Decididamente, a gente não merecia isso, empurrado goela a dentro só porque não temos tsunamis. 

 

Encenação por encenação, sou mais o filme UM POBRETÃO NA CASA BRANCA, de 2003, com Chris Rock  no papel de primeiro presidente negro dos EUA (Obama era ainda um ilustre desconhecido do grande público)



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