Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro


 

Porto Velho,  dom,   27/setembro/2020     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Uma pausa que refresca. E recicla.

27/2/2011 13:54:56
porfirio@palanquelivre.com
 
  
A partir de hoje e durante os próximos dez dias você não corre risco de receber matéria da minha livra. Nesse período, estarei totalmente fora do ar, longe de tudo o que possa parecer computador e internet.

Nada de dramático: desde há muito havia fixado essa data para uma reciclagem e uma profunda reflexão.

Afinal, em março estarei completando 68 anos e o peso da idade maximiza o peso da responsabilidade.
Sou um homem livre sob todos os aspectos. Livre e desimpedido. E essa conquista rara, que me faz olhar para as pencas de dependentes químicos de um patronato sem escrúpulos, é uma faca de dois gumes.

Esse despojamento que uma natureza rebelde me incutiu tanto me cobre de coragem desmesurada, como pode me conduzir para o mais fundo dos abismos, eis que a sociedade se degenerou, perdeu o recato moral e decaiu ao nível de um lodaçal de interesses mesquinhos, imediatistas, míopes, egoístas, acríticos e demasiado tolerantes.

O sistema capitalista se fez selvagem e produziu subprodutos destituídos de valores elementares. O mundo todo entrou nessa pilha. Os que seriam seus críticos dão-se às mesmas práticas abomináveis, corrompem e são corrompidos por ação e omissão, operando o controle da boa fé e das limitações pueris que foram capciosamente amestradas.

Tenho estado em cancha com a consciência da mais dramática solidão. Tenho brandido minha pena como se num mero exercício da catarse. Muitas vezes me vejo a criticar-me cabisbaixo, afetado pela péssima idéia da inutilidade e da inconveniência.

Sozinho não estou, recupero-me na avaliação. Não e não. Há outros entes na liça, talvez com mais sentimento de pugna e maior envolvimento no bom combate.

Mas não consegui estabelecer o elo com muitas outras almas infensas ao canto torpe das sereias desses podres poderes. Eu e os que partilham da mesma indignação continuada parecemos soldados de uma tropa perdida no tempo e no espaço.

Durante esses anos infinitos de escritos amargurados tenho buscado aproximações com outros contendores. Aqui e ali, alcanço uma alma perdida, disposta a afrontar a obscena conspiração da pouca vergonha, do cinismo, do jogo de cena, da mistificação profissionalizada.

Não me queixo, aliás. Escolhi as armas de uma guerra desigual sabendo do que isso pode representar o próprio isolamento. Os farsantes de todas as trupes querem me ver moribundo, estigmatizado, desacreditado.

Sinto, no entanto, uma energia inesgotável, que é alimentada e reciclada a cada manifestação parceira, a cada comentário sobre meus escritos. Mesmo as vozes discordantes nutrem-me o cérebro nervoso na construção da lucidez necessária, de um pensamento lapidado também pelo contraditório.

Que eu não vou mergulhar nas trevas do conformismo e do desespero, isso é garantido. Os mares nunca dantes navegados, ao contrário, são fontes da mais luminosa inspiração.

Mas esses dias longe do computador, portanto desarmado, sob a inspiração do alto mar, envolvido tão somente com o carinho familiar tão presente em meu cotidiano, me servirão de uma bendita lavagem cerebral.

Eu preciso acreditar que ninguém no mundo depende de mim, reformular essa mania de grandeza, mesmo envolta na mais mimosa generosidade. Preciso recondicionar-me no embalo de um horizonte perdido. Preciso acordar uns dias sem a aflição da caça às notícias, essa viagem ao mundo que faço diariamente em busca de informações nem sempre inteiras, acreditando piamente que a cada palavra do meu acervo de boas intenções vou influir decisivamente na percepção de alguns e, assim, vou produzir o contraponto libertador.

Enfim, nesses dias de trégua a que me impus quase que por intuição saneadora, na tarefa de relaxar copiosamente, espero reoxigenar meu pensamento a partir da alienação temporária de curto prazo.

Espero que o mundo não acabe nesses dias. E que, livre dos meus sermões, cada um dos meus parceiros, cada leitor, cada crítico, enfim, cada um que põe os olhos em meus teores tire o máximo de proveito dessa pausa que refresca.

E recicla. Não é longa a minha jornada de férias; é pequena, mas resolve.

Quando a esta trilha retornar, apesar do tempo exíguo, espero ter descoberto novos segredos para nutrir meu sentimento de intervenção honesta no universo das informações: afinal, o som das águas tem vocábulos passionais que o próprio coração desconhece. E tem mananciais de lucidez que a própria razão não alcança.
Espero estar melhor, mais digno de sua acolhida e de seus comentários.


Nenhum comentário sobre esta coluna

Mais colunas de Pedro Porfírio

15/02/2014 11:55:37 - O rojão de sete cabeças

23/12/2013 19:43:32 - Por mim e por cada um de nós

06/10/2013 22:29:16 - Tortura como espelho de uma UPP

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8


Últimas Matérias
Publicidade: