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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Após a perplexidade, a dúvida: participar ou não do processo eleitoral

14/6/2010 09:45:02
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Sem um tostão para gastar numa campanha, dependeria do apoio de multiplicadores voluntários



Por quase dois meses, a perplexidade, o sentimento de impotência e a percepção da inutilidade da nossa indignação me prostraram.

O desânimo abateu-me e me afetou por inteiro. Escrever por escrever não poderia converter-se numa mera terapia ilusória. Na rotina de pôr o dedo nas feridas, de dar nomes aos bois, passei a constatar que acumulava incompreensões e desafetos. E temia a ausência do contraponto. Isto é: minhas palavras batiam e resvalavam, perdendo-se no tempo e no espaço, sem o eco capaz de influir no processo.

Essa sensação pessimista me imobilizou. Não tinha nem como expressar a falência múltipla do pensamento crítico. Sequer sabia ser esse um fato consumado. Ou apenas uma depressão passageira.

Nesses 54 dias, muita coisa aconteceu e não me senti com forças e convicções para opinar. A reação dos destinatários das minhas palavras já parecia codificada: dependendo do que dissesse, poderia receber a aprovação de uma corrente e a desaprovação de outra. E vice-versa. Passei a temer que escrevia para pessoas já fechadas em suas idéias e interpretações do processo político.

Não foi fácil retomar a palavra.

Hoje, volto até você porque o país vai viver mais um momento transcendente de sua história. Mais de 130 milhões de brasileiros serão chamados a escolher seus mandatários, de deputados estaduais até presidente da República.

Tenho sido cobrado diante desse embate já em andamento. Os que me abordam, nas raras vezes que saio de casa, ou mesmo pela internet, lembram da necessidade de uma participação efetiva, até pela própria vivência nos últimos anos, quando desempenhei mandatos em quatro legislaturas, além de ter exercido cargos no primeiro escalão do governo da cidade do Rio de Janeiro sem nunca ter me deixado corromper.

Por algum tempo, argumentei que já não há espaços para pessoas honestas na vida pública. Ao predomínio de políticos corruptos e corruptores, somam-se o baixo índice de exigência dos eleitores, a mistificação como arma de sedução, a alienação alimentada pelo sistema e a ascensão da mediocridade.

Criaram-se mitos aparentemente invencíveis. Nenhum político hoje tem coragem de dizer que esse "bolsa-família" é um engodo para forjar currais eleitorais, é a consagração da política de migalhas, da formação de substratos sociais parasitários, a perda da noção de que o sustento deve prover do nosso trabalho.

A ninguém ocorre pedir um prazo para a transformação da "caridade pública" em frentes de trabalho, nas quais os beneficiados fariam sua parte, recuperando a dignidade perdida, com a contraprestação de algum serviço: além do que, integrando-se na atividade produtiva, estariam aliviando a carga daqueles que a ela se dedicam a um custo cada vez mais sacrificado.

Os que falam sobre a corrupção que campeia como uma erva daninha ficam na superfície e não o fazem com a convicção necessária para promover um efetivo desmonte dos poderosos bolsões que a transformam numa regra demolidora. É como se fossem apenas contra a corrupção dos outros - com os amigos e com seus desejos pessoais são condescendentes.

Cada dia são mais ousados os atos de corrupção, que não se limitam somente aos poderes oficiais: hoje, você começa a ser roubado na conta do seu condomínio, infestado pelas terceirizações direcionadas, e pode ser ludibriado a cada momento, exigindo uma atenção redobrada de cada um.

Falam da corrupção dos políticos, mas não ousam tocar nas malhas que se espalham pelo poder judiciário, cujo controle externo de fato ainda não existe. Quando um desembargador é flagrado e preso em ruinosas práticas, sua punição é restrita à "aposentadoria precoce".

E não ousam falar na rede de corruptos privados, empresários que enriquecem da noite para o dia, e integrantes de ONGs montadas apenas para sugar dinheiro público: nos últimos oito anos, essas arapucas passaram de 25 mil para 350 mil, profissionalizando a solidariedade e comprometendo o trabalho sério daquelas, cada vez mais raras, que realmente agem de boa fé.

Na questão social, não têm coragem de tocar em temas sustentados por dogmas. Nada de concreto se faz em relação ao crescimento irracional da população - ninguém quer admitir a necessidade de um programa amplo de paternidade responsável, que inclua apoio às famílias que precisam limitar a prole, providência que salvou alguns países populosas de uma verdadeira catástrofe.

E na voracidade do assalto do Estado em impostos escorchantes, ninguém admite fórmulas de redução, porque os políticos se imaginam fazendo uso desses tesouros tributários. Em todos os casos, cada um puxa brasa para a sua sardinha, esquecendo que o pomo da questão é a roubalheira: metessem menos a mão no dinheiro do contribuinte, o Estado faria mais e por menos.

Nessa farra de impostos, há pelo menos um que deveria ser extinto já - o laudêmio, um herança dos tempos feudais, do primeiro Império, pela qual moradores de boa parte das cidades têm que pagar a mais 5% de taxa na compra de um imóvel, isso sem falar no ITBI, fixado arbitrariamente pelas prefeituras.

Para você ter uma idéia, estudos recentes revelam que a própria renda per capita da população é corroída pelas práticas de propinas, superfaturamentos, favorecimentos e outras formas de apropriação ilegal dos altos impostos que pagamos: se estancássemos as falcatruas, a renda per capita anual dos brasileiros passaria dos atuais R$ 14.317,00 para R$ 16.551,00 - isso partindo da tímida constatação de que as perdas anuais com o práticas deletérias são estimadas entre R$ 74,7 bilhões e R$ 124,3 bilhões.

Da mesma forma, ninguém quer encarar com seriedade dois dos maiores desafios do país: a educação e a saúde. No primeiro caso, todos os governos, em todos os níveis, burlam os percentuais constitucionais destinados ao ensino público e nada acontece. Além disso, por falta de mobilização, a destinação de recursos configura um desprezo total sobre os ensinos fundamental e médio.

Na área da saúde, até por influência corporativa, boicotam a implantação dos médicos de família, a medicina preventiva, enquanto incham a indústria farmacêutica, limitando a produção de genéricos e de medicamentos de laboratórios públicos. Por conta disso, temos hoje no Brasil mais farmácias (55 mil) do que padarias (46 mil).

Em suma, a mistificação e o engodo fazem a festa, ludibriando eleitores pouco atentos e oficializando um estado de mentiras e de ilusões.

Daí a necessidade de pedir mais uma vez sua opinião a respeito do que eu devo fazer ante a cobrança de alguns segmentos sobre minha possível contribuição no caso de disputar mais uma vez um mandato - agora de deputado federal.

Tenho até o dia 19 para decidir. Se você se dignar a me responder, e se sua resposta for positiva, por favor, informe de que forma você poderia me ajudar a desfraldar as bandeiras de uma mudança radial de hábitos e de políticas públicas.

Sem um tostão para gastar numa campanha, dependeria fundamentalmente de uma rede de multiplicadores voluntários, que se tornariam parceiros de um mandato marcado pela transparência, a coragem de encarar os canalhas e a criatividade na formulação de alternativas para livrar o povo brasileiro dos políticos corruptos e dos grilhões da ignorância, do atraso e da insegurança social.

Espero sua manifestação.



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