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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Porque o tempo é senhor, o silêncio pode falar mais alto

8/2/2010 22:41:08
porfirio@palanquelivre.com
 

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Cabral e o ministro dos Esportes (do PC do B) foram tirar Tony Blair do sufoco e eu nada disse.

 

"Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra".
Paulo Coelho, escritor

Já faz algum tempo que não produzo e não lhes envio uma única linha. O mundo está virando de cabeça para baixo e eu permaneço calado, como se tivesse perdido a voz. Estamos comprando aspargos da China, vendo o mago Paulo Coelho irado com a exumação do cadáver político de Tony Blair, outra presepada do Cabral, e não me animo a atirar uma única lança. Logo eu, que vivo dos pingos de letras desde os 17 anos - isto é, há quase meio século.

Muitos não sentem falta das minhas prosopopéias. Alguns, porém, as nutrem. Habituaram-se a elas. Oswaldo, mais que advogado, quase um anjo da guarda, é o primeiro a cobrar uma peroração qualquer. Não admite o meu sumiço do seu computador. Não aceita que me suma de mim mesmo.

Devo-lhe oxigênio, carinho e respeito. Pelo que entendi da vida, se há uma única alma a quem teu canto encanta, a sonata de tua inquietação é tão devida como se a uma numerosa turba.

Eis a confissão de dívida. Somos prisioneiros de quem cativamos. Nem os próprios embaraços pessoais nos desembaraçam dessa síndrome benigna.

Disso eu sei e disso não me furto, nem que o mundo caia sobre minha cabeça vulcânica.

O diabo é a torrente de indignidades que se despeja em enxurradas patéticas, num círculo de alto teor lobotômico, enfeixando cargas letais de esquizofrenias, depressão e industriada inconsciência social.

Prostra-me, sim, repito mais uma vez, a total ausência de elementos críticos na indução dos hábitos. O culto servil da alienação.

A internet, como tudo na civilização, é uma afiada faca de dois gumes. Dois ou mais.
O comum é a automatização no repasse de veleidades espargidas por gente amarga, sem pé e sem cabeça, sem noção do passado e do futuro. O jogo da mentira atravessa mares nunca dantes navegados. Uma torcida implacável de interesses contrariados, feridas não cicatrizadas, ambições insaciáveis e vaidades descomunais carrega suas tintas sobre uma rede eletrônica que só não explode porque não tem olhos, nem ouvidos.

Na roda viva da moderna individualização dos silogismos e dos aforismos parvos, a audição e a visão foram esmagadas pela transformação dos seres humanos em máquinas falantes de sensibilidade programada, perdidas no desencanto estéril e desencontro enganoso que agridem o bom senso e fulminam a lucidez, feita inconveniente e dispensável.

Isso afeta gravemente a quem acha que a palavra pensada é a última flor do Lácio, com seus inerentes poderes de alerta e convencimento. Afeta e afoga ao produzir a apocalíptica sensação de que o sonho acabou, destituindo o homem de toda e qualquer virtude, da pureza das utopias, restando-lhe tão somente a corrida sórdida para si e para os seus dos subprodutos de uma civilização eivada dos piores ingredientes do pragmatismo arrivista.

É como se fossemos golpeados antecipadamente pelo aviso da inutilidade das polêmicas incisivas e da inviabilidade do proselitismo crítico.

Tudo o que possa vir à mente parece exaurir-se na muralha erguida pela tecnologia do amém, pela bitola virtual que conduz à vala comum da pequenez abjeta, da cumplicidade inconsciente, da banalização da indulgência.

É penoso cavalgar no pântano, até porque a má sorte está lançada nas asas da mediocridade triunfante, essa borbulhante usurpadora, sustentada pela vassalagem torpe.

Bem que eu queria trançar minha inquietação com a sua, partilhar honestamente das minhas insatisfações, dúvidas e até das poucas luzes que emanam de momentos raros.

Mas não sei, sei não. O pior que me pode acometer é a idéia de um visitante indesejado, cujas palavras incomodam e cujo inconformismo afigura-se jurássico e perdido no tempo e no espaço.

Esse é o perverso ingrediente do silêncio imobilista, que começa a falar mais alto ante a única certeza visível: o tempo é o senhor, é o mestre, e a vara de condão.
É dele que espero o sinal cristalino, cujo poder inesgotável haverá de remover montanhas.

E nos tirar desse breu macabro.


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