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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Mais sobre o conflito midiatico que esconde o medo de um império em declínio

20/8/2009 00:15:32
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Para além da campanha contra a Universal e a Rede Record (II).

"Sim, eu sou o poder"
Roberto Marinho (frase de abertura do livro "A História Secreta da Rede Globo", de Daniel Heiz (1954-2006)

"De fato, Roberto Marinho foi inocentado de todas as acusações. Mas não pela Comissão Parlamentar de Inquérito, nem em 1966, e sim pelo general Arthur da Costa e Silva que, em 1968, num gesto arbitrário, decidiu que os acordos Time-Life não feriam a Constituição Brasileira, apesar do resultado das investigações".
Patrícia Ozores Polacow, jornalista formada pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), mestre e doutoranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e professora do Centro Universitário Barão de Mauá (Ribeirão Preto).

"A conexão política-negócios não nasceu no Brasil, não é de hoje e não vem a ser uma estrada pela qual só trafeguem as Organizações Globo. Mas, no caso do Dr. Roberto Marinho, a conexão dá certo há décadas, e não é ocasional o fato de que o general civil das comunicações - bajulação de um de seus subordinados, o colunista Ibrahim Sued - tenha deslanchado seu poderio sob a ditadura militar. (...) A república fardada se foi, veio a nova, pelas mãos de Tancredo Neves, mas o Dr. Roberto manteve-se na crista dos acontecimentos fundamentais da Nação".
Daniel Heiz, "A História Secreta da Rede Globo".

"O papel da Rede Globo de Televisão no Caso Proconsult, nas eleições de 1982, era apenas o de preparar a opinião pública para o que iria acontecer: o roubo, por Moreira Franco, dos votos de Leonel Brizola".
Luiz Carlos Maciel, diretor do jornalismo da Globo durante as eleições de 1982.

"É muito mais fácil, muito mais cômodo e muito mais barato, não exige derramamento de sangue, controlar a opinião pública através dos seus órgãos de divulgação, do que construir bases militares ou financiar tropas de ocupação".
João Calmon, ex-senador e diretor dos Diários Associados, em depoimento na CPI que investigou as ligações da Globo com o grupo Time Life, dos EUA.

"As pessoas não entendem a fé alheia e aproveitam o que é posto na mídia para criticarem aquilo que não entendem".
Sérgio, estudante de Matemática, comentando minha última coluna.

Está cada dia mais difícil expor uma opinião de uma única vez. Não lamento e até acho positivo. A segunda matéria sobre determinado assunto espelha o conjunto de comentários que recebo diretamente, leio e respondo, respeitando a opinião de cada um. SE necessário, escrevo a terceiro,a quarta, quantas precisar para expor meu pensamento.
Neste caso, ao registrar a ampla diversidade de respostas - algumas agressivas, duas com cancelamento de meu jornal - gostaria de responder em particular a Adolfo Nobre, na parte em que diz: "eu não podia jamais esperar de uma pessoa que passa tamanha inteligência, no mínimo fosse perder tempo com esse tipo de informação".
O grande problema é que não é fácil falar ao mesmo tempo de duas situações específicas: a pressão contra o crescimento da Rede Record, que ameaça o império global por vários fatores - e não apenas na questão da audiência - e a má vontade de um respeitável segmento da sociedade com os cultos pentecostais, que só conhecem de ouvir falar, como observou o estudante de matemática em sua mensagem, embora boa parte dos canais de televisão os apresente regularmente.

Falo porque vi e vivi


Quando decidi escrever a respeito, o fiz na condição de velho jornalista. Em 1966, aos 23 anos, quando chefiava a Reportagem do JORNAL DA NOITE, um programa dirigido e apresentado pela professora Sandra Cavalcanti na TV TUPI, vi o admirável esforço dos deputados Roberto Saturnino Braga (presidente) e Djalma Marinho (relator) no comando de uma CPI que resultara de uma denúncia feita em junho de 1965 pelo então governador Carlos Lacerda sobre os laços da Globo com o grupo norte-americano, ferindo o artigo 160 da Constituição Federal vigente, conforme concluiu também essa comissão parlamentar.
Naquele então já dava para vislumbrar o projeto da empresa que melhor se posicionara no espectro midiático da ditadura, da qual se tornou uma espécie de porta-voz. Abatendo um por um os concorrentes, segundo métodos diferenciados, as empresas de Roberto Marinho iriam substituir em importância e peso político os Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, dispondo de petardos muito mais temidos em função do progresso tecnológico.
Para isso, com recursos repassados pelo grupo Time Life (a primeira bolada de 3 milhões750 mil dólares - 300 milhões de cruzeiros - foi creditada em 24 de julho de 1962), a Globo inaugurou sua primeira estação de TV em 25 de abril de 1965, embora fosse detentora da concessão desde 1957.
Seu crescimento se deu em sintonia com a ditadura: em dezembro de 1968, quando do AI-5, já liderava a audiência, tendo se beneficiado inclusive da perseguição à Tv Excelsior, a melhor desde sua implantação, que foi tirada do ar na marra em 1970 num gesto grotesco do jornalista Ferreira Neto, em nome do regime militar. Nesse momento, o grupo proprietário (Celso Rocha Miranda e Mário Wallace Simonsen), que já sofrera um baque na desativação da Panair do Brasil, em fevereiro de 1965, estava totalmente esmagado pelas botas da intolerância.
Monopólio que dá todas as cartas
Com carta branca do regime militar, a Rede Globo transformou-se num verdadeiro monopólio, expandindo-se por todo o país com o sistema de afiliadas, em que se incluem a família Sarney, no Maranhão; ACM, na Bahia, e Fernando Collor, em Alagoas.
Com isso, o jornal, que era apenas um vespertino sem grande peso em 1964, transformou-se no mais forte e mais influente diário do Rio de Janeiro. No período da ditadura, as organizações Globo chegaram a somar 40% de toda a publicidade, com maior percentual nas verbas oficiais.
Praticamente sem concorrência, a emissora chegou a ter 80% de audiência, o que fazia do seu único proprietário um homem tão temido que ele sabia primeiro de certas no Congresso.
Tv Manchete, com o melhor jornalismo de sua época; Bandeirantes, com ênfase para o esporte e o SBT, com a exibição de novelas e seriados importados, em nenhum momento abalaram o império, levando o jornalista Alain Riding, do "New York Times" a escrever em 1966 numa reportagem de grande repercussão nos Estados Unidos: "Todos os dias da semana, às 19h55min, pelo menos 50 milhões de brasileiros espalhados por este imenso território, incluindo um homem de 82 anos de idade - elegantemente vestido, com um telefone ao seu lado - assistem às notícias diárias escolhidas, interpretadas e transmitidas pela TV Globo, a maior rede de televisão do País".
Riding conversou com Roberto Marinho e ouviu dele: "Nós fornecemos todas as informações necessárias, mas nossas opiniões são de uma maneira ou de outra, dependentes do meu caráter, das minhas convicções e do meu patriotismo. Eu assumo a responsabilidade sobre todas as coisas que conduzo".
Nessa reportagem, o Times destaca que, "com índices de audiência entre 70 e
80%, a TV Globo é hoje, claramente, um centro-chave de poder":
"Eu uso esse poder, mas sempre de maneira patriótica, tentando corrigir as coisas, procurando caminhos para o país e seus estados. Nós gostaríamos de ter poder suficiente para consertar tudo o que não funciona no Brasil. A isso dedicamos todas as nossas forças".
E ainda, recorrendo ao livro de Daniel Heriz:
"Num determinado momento - disse Roberto Marinho ao jornalista norte-americano - eu me convenci de que o Sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a Cidade Maravilhosa num pátio de mendigos e marginais. Passei a considerar o Brizola perigoso e lutei, realmente usei todas as minhas possibilidades para derrotá-lo nas eleições".
Espero que você reflita
Com todo esse poder que moldou até hoje as percepções sociais, e valendo-se de alianças como ocorre agora, com jornais e revistas de grande circulação, a Globo incutiu numa opinião pública vulnerável os qualificativos que foi de sua conveniência sobre os movimentos e as instituições que a ela não se subordinam ou que possam ameaçá-las a curto, médio e longo prazo.
É isso que você tem de anotar se não pretende ser um ventríloquo de um sistema piramidal que tenta preservar seus tentáculos nos campos da comunicação humana. Sistema que já tem a sua igreja, a sua cultura, a sua Justiça, os titulares dos seus poderes políticos e as ferramentas formatadoras.
Sistema que criminaliza e estigmatiza aos que não rezam por sua cartilha, numa soma de códigos invisíveis e de alcance subliminar infalível, levando muitos cidadãos de certo nível a repetirem seus anátemas acriticamente e sem conhecimento de causa. Isto que, com precisão matemática, concluiu o universitário que me escreveu, partilhando das preocupações de pessoas como eu, que cansaram de ouvir sandices dos que substituíram a cultura de almanaque pelo decoreba dos monitores eletrônicos.
Isso que permeia a tentativa de inviabilizar concorrentes e desmoralizar correntes evangélicas que estão triunfando, sobretudo pela maior e mais perspicaz compreensão da alma humana.



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