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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

O golpe nos trabalhadores que não está no "Caminho das Indias"

10/8/2009 01:13:20
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Misterioso indiano serviu de "laranja" para a GE não pagar obrigações trabalhistas no Rio.

"O sindicato vai estudar quem colocará na justiça: a "laranja" ELP(Grupo Indiano), a GE, ou as duas. Portanto, agora podemos admitir que a General Electric, deu mesmo um golpe criminoso em seus funcionários".
Tarcísio da Cruz Leal, operário da GE há vinte anos.

No amanhecer desta segunda-feira, dia 10 de agosto, cerca de 500 trabalhadores da General Eletric de Maria da Graça, ali ao lado do Jacarezinho, estarão se concentrando em frente ao prédio da GE/Celma, em Petrópolis para exigir o respeito aos seus direitos trabalhistas, burlados pela gigante norte-americana de forma recambolesca, bem ao estilo dos piores gângsteres do seu país.

Ao se deslocarem com todo o sacrifício que isso representa, os trabalhadores, liderados pelo Sindicato dos Metalúrgicos, vão querer decifrar o enigma que nem o governo do Estado conseguiu: como garantir o pagamento das verbas rescisórias, já que, a esta altura, nutrem pouquíssimas esperanças de manter seus empregos, numa novela que mostrou mais uma vez, infelizmente, o pouco caso do governo do sr. Luiz Inácio, através de u m Ministério do Trabalho impotente e convertido numa agência de repasse de dinheiro, através do FAT.

A essa novela teve seus primeiros capítulos em 2007, quando a matriz norte-americana anunciou o fechamento de 5 plantas industriais no exterior, entre as quais a de Maria da Graça, que já operava com carga mínima, dedicada exclusivamente à fabricação de lâmpadas. Naquele ano, tinha menos de 900 empregados, em contraste com seu tempo áureo, na década de 70, em que empregava 7 mil metalúrgicos.

Naquele então, no exercício do mandato de vereador, levei a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos ao ministro Carlos Lupi. A GE havia decidido fechar a fábrica que funcionava há 90 anos no Brasil para importar lâmpadas da China, que lhe parecia mais vantajosa, como aliás, têm sido esses estranhos negócios da China, um país dirigido por um partido comunista, cujo maior trunfo é a oferta de mão de obra operária a preço de banana.

Lupi, acreditando na liturgia do cargo, pegou o telefone e ligou para a própria fábrica. O mais que conseguiu foi ser atendido pela diretoria de Recursos Humanos, que não estava habilitada a informar mais além da nota divulgada pela matriz, em Fairfield, Connecticut.

À época, circulavam informações de que um grupo brasileiro havia manifestado interesse em da continuidade às atividades da indústria, que ocupa um dos maiores parques fabris do Brasil.
Não obstante, com o Ministério do Trabalho totalmente à margem, a própria GE negociou com o que seria uma metalúrgica da Índia, para quem passou as instalações e as responsabilidades com os empregados.

Decorrido pouco mais de um ano dessa transação, os trabalhadores ficaram sabendo que as máquinas iam parar. Com o agravante patético, que não teria acontecido se o Ministério do Trabalho tivesse cumprido suas obrigações: o tal grupo indiano - ELP - entrou na história como uma espécie de laranja. Eximiu-se dos compromissos trabalhistas e ainda teria dado um cano de R$ 17 milhões na companhia norte-americana.

Com sua "evaporação" e a paralisação das atividades da fábrica, os trabalhadores ficaram a ver navios. Ao Sindicato dos Metalúrgicos só restou bater ás portas do governo do Estado, que havia chancelado a "transferência do controle" da fábrica de lâmpadas.

Ambos - sindicato e governo estadual - se deram conta do logro e correram atrás dos antigos patrões, a GE. Após uma tensa reunião, o sr. Jaime Saion, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, entrou em contato com o presidente da GE no Brasil.

Este, na maior cara de pau, alegou que o grupo norte-americano não tinha mais nada a ver com o parque industrial da Maria da Graça. Disse que ele também estava atrás do misterioso indiano da ELP ( que não saiu da novela de Glória Perez) para cobrar uma dívida de R$ 17 milhões.

O representante do governo do Estado repassou o problema para o sindicato, que terá de bater às portas da Justiça, enquanto os 500 trabalhadores restantes estão sem receber um níquel e não sabem sequer para quem apelar.

É uma situação inteiramente inédita, que atinge os trabalhadores no governo que se fez com o discurso obreirista, mas que virou a casaca e ainda imobilizou pela cooptação quem poderia estar oferecendo suas energias e sua experiência às vítimas desse verdadeiro golpe. E a todos os trabalhadores que começam a ser habituados á idéia de que chupar o dedo é preciso, pois afinal o homem lá de cima também já pegou no batente e já comeu esse mesmo pão que o diabo amassou.

É um golpe tão bem orquestrado que ainda não apareceu nas páginas dos jornais. A não ser numa pequena nota na coluna de Ancelmo Goes, do GLOBO deste domingo.

Golpe que mantém rigorosamente omissos as autoridades do Trabalho em todos os níveis - do Ministério, á secretaria Municipal do Rio de Janeiro, ambos, aliás, em entregues ao PDT, a quem cumpriria fazer o que João Goulart fazia em situações como essa.



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