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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

A morte do Senado e o nosso grito parado no ar

6/8/2009 16:26:31
porfirio@palanquelivre.com
 

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"A verdade se corrompe tanto com a mentira como com o silêncio"
Marcus Túlio Cícero
Filósofo, orador e político romano ( 106 A.C a 43 A.C)

Não há mais dúvidas: o Senado morreu. Sem choro, nem vela essa onerosa hidra dos podres poderes deu seu último suspiro quando o simulacro de Conselho de Ética, encabeçado por um político carcomido, que lá chegou sem um voto sequer, desligou os aparelhos pelos quais ainda respirava, ao mandar para a lixeira no mesmo embrulho representações para abertura de processo contra o prior José Ribamar Ferreira de Araújo Costa e o que ainda restava de pudor naquele valhacouto.

Só nos resta adotar as providências cabíveis para seu sepultamento em cova tão profunda que jamais possa ressurgir com suas cabeças degeneradas e destituídas de todo e qualquer recato.

Haverá resistência ao enterro, mas se nós quisermos nada nos impedirá dessa tarefa saneadora. Sim, nós podemos livrar o país desse magote de sanguessugas insaciáveis. Nós podemos, sim, pelo exercício da cirurgia, da quimioterapia e da radioterapia. E da pá de cal.

 

VALHACOUTO ONEROSO, REDUDANTE E NOCIVO

O Senado Federal é uma redundância legislativa. Não é necessário. Ou melhor: é mais do que desnecessário, é nocivo pelos próprios vírus inerentes: mandatos de 8 anos, suplentes sem votos, cenáculo de intocáveis, práticas tão imorais que são blindadas pela ilegalidade dos atos secretos.

O Senado Federal da República Federativa do Brasil não é uma casa republicana. É um amontoado de feudos onde a quase totalidade dos seus senhores pode se dar ao luxo de pintar e bordar de costas para a opinião pública, para a moral e os bons costumes.

O Senado Federal é produto de cartas marcadas. Não é qualquer um que pode disputar uma de suas 81 cadeiras. Os partidos usam de um processo de exclusão tão explícito que só os velhos caciques e os ungidos por eles ganham legendas.

Por esse gargalo, resta ao cidadão o mínimo de opção. Quase sempre é obrigado a escolher entre o diabo e o "coisa ruim". E ainda é ludibriado quando pode votar em dois ao mesmo tempo, isso para evitar a disputa limpa, facilitando os conchavos inspirados nas mais abjetas conveniências.

O Senado Federal é a única casa aonde se chega sem votos. Padece da síndrome do biônico dos tempos obscuros. Você escolhe um e habilita três. Dois você nem sabe quem é.

Em geral, é elemento sem condições de submeter-se sequer a uma eleição de síndico do seu prédio. Veja o caso desse Paulo Duque, o provecto coveiro da casa onde chegou por descuido.

Nos tempos sujos do chaguismo, ainda teve mandatos de deputado estadual. Com o desmoronamento desse reinado corrupto, sumiu da prateleira. Mas ficou à sombra, colando num e noutro. Até que ganhou a condição de segundo suplente do senador Sérgio Cabral.

Este, eleito governador, levou para a Casa Civil o seu fiel escudeiro, Regis Fichter, primeiro suplente igualmente sem voto, abrindo a segunda janela para o fracassado político fruir do paraíso no limiar dos oitenta anos.

Ninguém melhor do que ele para ser o emblema do Senado Federal da República Federativa do Brasil. Conduzido ao comando do Conselho de Ética com a missão específica de proteger os correligionários pegos com a mão na massa, declarou seu desprezo pela opinião pública, a que não se submeteu para ganhar o cargo "eletivo" e a cujo julgamento não se imagina exposto.

 

MANDATOS PARA PROVEITO PESSOAL

Há alguns senadores bem intencionados. Poucos, mas há. No entanto, nenhum deles, em tempo alguma, levantou a voz contra a fraude do suplente sem voto. Ao contrário, todos eles, sem exceção, carregam o contrapeso dos bastardos, escolhidos sabe o diabo por quais "negociações".

O Senado seria a casa moderadora, a representação dos Estados. Eufemismos baratos, mentiras assimiladas com carinho e afeto também pela mídia, que age pontualmente.

Porque, ao contrário do que acontece em países como Alemanha, Áustria e Índia, para citar alguns, os senadores legislam, fazem tudo o que se atribui à Câmara dos Deputados e ainda têm outras prerrogativas, hipertrofiando seu poder de barganha, empanzinado pelo mandado estendido.

Com essa duplicidade de casas legislativas, que só se dá a nível federal (ao contrário do que acontece nos Estados Unidos) o Parlamento reverbera a mais patética ambiguidade. Faz de tudo, menos legislar. Ou então produz leis cosméticas, destinadas ao anedotário institucional.

O usual é a instrumentalização do mandato para proveito pessoal e sustentação de interesses espúrios, no assalto crônico aos silos do patrimônio público. Pelo poder que acumulam, os parlamentares acabam titulares das estações de rádio e TV dos seus Estados, das prebendas de onde jorram cintilantes pepitas, do viciado tráfico de influências, muito mais poderoso do que o de drogas.

 

A SALVAÇÃO DO PRIOR E O CREPÚSCULO DO SENADO

O que aconteceu no Senado Federal, com as bênçãos do chefe do Executivo, mostrou que Sarney tem razão quando ele diz que não é o único a nos passar para trás. Como seu parceiro Renan Calheiros e seu endiabrado novo aliado Fernando Collor, cujo olhar fala por si, ele está ganhando a comenda do homem acima de qualquer suspeita.

Seus pares vão assinar o "nada consta" com a sem cerimônia e o cinismo dos que se servem do regime representativo para levar o povo a sentir atração pelas ditaduras, onde haja pelo menos a sensação do combate à corrupção, à molecagem e à impunidade.

Sarney vai sair incólume, apesar das mentiras e das trapaças em que se viciou de tal forma que é capaz de rir de nossa cara com uma certa dose de sadismo.

Permanecerá o soberano intocável da festa caipira, animando a quadrilha com seu malabarismo sincronizado com o compadrio dos podres poderes.

Mas se poderá preservar sua fortuna e manter a atenção especial aos familiares e similares, estará, ao mesmo tempo, nos oferecendo fermento para que, enfim, levantemos nossos traseiros das poltronas, desliguemos os verdugos eletrônicos e passemos da palavra à ação.

Nós, os cidadãos honestos e trabalhadores, ainda somos a grande maioria. Maioria silenciosa, tudo bem. Mas que tem tudo para soltar esse grito de revolta que está parado no ar.

Vamos dar a nossa resposta. Nós podemos e devemos fazer a nossa parte.



Comentários (1)
engajamento obrigatório

Depois de ler um brilhante texto como esse, característica comum aos escritos de Pedro Porfírio, impossível é não se sentir instado a engrossar as fileiras desse exército do bem, contra a corrupção e tudo o que há de podre nesse país.

Aldrin Willy - Porto Velho/ RO.
Enviado em: 6/8/2009 20:58:56  [IP: 201.10.162.***]
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