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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
COLUNISTA: Carlos Coqueiro

Conar obriga Fiat a tirar do ar comercial do Palio

16/11/2003
jccoqueiro@yahoo.com.br
 
  
O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu suspender a veiculação da campanha de lançamento do novo Palio, da Fiat, na TV, apesar de algumas emissoras continuarem a exibir o anúncio. O Conar informou ter recebido 17 queixas de consumidores de todo o país em 24 horas, portanto, do início da veiculação do comercial na TV. Trata-se de um recorde de reclamações feitas espontaneamente ao órgão em tão curto espaço de tempo.

— É quase um clamor público — diz um especialista.

Nas mensagens, segundo o Conar, as pessoas reclamam principalmente que o anúncio faz a apologia da violência, estimula o roubo de carros e ainda estigmatiza os ex-presidiários. A suspensão da veiculação do anúncio da Fiat tem caráter liminar e foi decidida pelo presidente do Conar, Gilberto Leifert. Ele também determinou a instauração de processo administrativo.

— Todas as redes de TV do país já foram comunicadas de que o Conar recomenda a sustação imediata daquele anúncio. Assim, o processo no Conar deverá transcorrer com o anúncio fora do ar.

A propaganda
Na campanha do novo Palio, criada pela agência Leo Burnett, um ex-presidiário, ao deixar a cadeia, avista o novo carro da Fiat e fica fascinado. O filme tem um corte e, com a tela escura, ouve-se o vidro de um carro sendo quebrado e, em seguida, sirenes de polícia.

Em comunicado divulgado, a Fiat e a Leo Burnett afirmam que a peça publicitária do novo Palio, cuja veiculação foi suspensa pelo Conar, não teve a intenção de incitar o telespectador à violência nem de estigmatizar o presidiário brasileiro.

“O filme apenas retrata uma cena que, infelizmente, é parte do cotidiano de todos nós”, diz o comunicado. “A Fiat e a Leo Burnett entendem que a publicidade, como as demais formas de comunicação, serve para disseminar mensagens — que necessariamente não se restrinjam apenas a estimular o consumo. Nesse particular, as bem-sucedidas campanhas anteriores da Fiat, produzidas também pela Leo Burnett, se pautaram pela escolha de temas que pudessem agregar conteúdo à reflexão sobre questões do dia-a-dia dos seus consumidores.”

Defensora pública pede multa para Fiat e agência

No comunicado, as duas empresas lamentam que a campanha não tenha sido percebida dessa maneira. E reiteram sua intenção de continuar fazendo campanhas criativas e até ousadas, “desde que possam ser notadas como positivas e respeitosas”.

No Rio Grande do Sul, a defensora pública e coordenadora de projeto de recuperação de presos do Tribunal de Justiça estadual, Dóris Couto, entrou com representação no Ministério Público e queixa no Conar contra o anúncio da Fiat.

— A peça é estigmatizante, reforça o preconceito social e discrimina quem já sai da cadeia com o rótulo de ex-presidiário na testa. A dignidade do apenado está sendo atingida — critica Dóris Couto, que coordena o projeto de uma fábrica de chocolates dentro da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas.

Segundo ela, do ponto de vista publicitário, a peça é perfeita ao caracterizar o ambiente carcerário.

— Está tudo muito bonito, muito perfeito, o cenário e a iluminação. Mas o final é um desastre — afirma.

Ela pediu ao Conar que a veiculação do comercial seja suspensa e a Leo Burnett e a Fiat, multadas.

— Esse comercial prejudica um trabalho que naturalmente já é muito difícil — diz.

Ronaldo D’Ercole e Higino Barros
Fonte: O Globo

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